[mulata grande. carybé. 1980]ontem à noite na gravação do programa radio caos, no tuc, pude ouvir os poemas dionísiacos de jorge barbosa do irajá. sua performance que, rapidamente, me remeteu a chacal e a fausto fawcett, empolgou por alguns segundos a tímida platéia de curitiba. mas chego à conclusão de que a capital social não é afeita a esse tipo de modalidade artística.
destaco um poema pela delirante imagem de um céu constelado de bucetas. evoé.
samba
golfadas de fantasia despindo a lucidez...
escolas-de-samba percorrendo as minhas veias,
a chuva de prazer...
e a certeza de um céu constelado de bucetas.
mulatas rebolando úmidas em minhas línguas,
seios em sensual desespero escorrendo
em meu peito como morros e favelas.
piratas saqueando o ouro de minhas palavras
e as enterrando sem mapas
em algum canto de tantos carnavais.
sons e visões da negritude...
um pierrot decreta cambaleante
a eterna Quarta-feira de Cinzas...
e um ser...
um ser fantasiado de cachorro,
lambe a minha cara:
não foi cultura e nem raça,
foi coca-cola com cachaça.