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21.10.15

l’atelier populaire


[1968]

EPÍLOGO

Finda a leitura, o livro está completo

em sua solidão mais-que-perfeita
de couro falso e íntimo papel.

Lá fora, o mundo segue, arquitetando
as mesmas contingências costumeiras
que nunca esbarram numa irrefutável

conclusão que se possa resumir
em três letras letais, inalienáveis.
Que paz será possível nessa selva

sem índices, prefácios, rodapés?
indaga, da estante mais excelsa,
o livro. Porém nada disso importa,

se todas as dúvidas se dissipam,
com tudo o mais, quando o bibliotecário
apaga as luzes, sai e tranca a porta.

Paulo Henriques Britto | Tarde
2007


26.9.14

okupe


Por um ensino de qualidade! Com salas ambientes, bibliotecas atualizadas, livre docência, mais professores e menos concentração de alunos por metro quadrado.

Por um ensino científico e criativo. Indagador, contestador, político e imaginário.

10.9.14

fogo na bomba


... la prohibición estimula la demanda y hace florecer las ganancias

Galeano | Clases de corte y confección: 
cómo elaborar enemigos a medida

Papo reto, conversa de adulto consciente do seu tempo e da guerra contra as drogas e a perseguição aos usuários: o Brasil, esta grande capitania hereditária, anda por demais atrasado para legalizar a ganja. Vamos deixar a coisa transparente, em panos quentes: preto no branco. Existe um pseudo moralismo, uma cultura de verniz endemonizando a plantinha milenar. Os técnicos da saúde não podem, por um discurso fascista e de caráter publicitário, enunciar todos os indivíduos. A liberdade individual leva à liberdade social: ao convivio. À cultura. E não estou falando de bom dia na rua.

Vejam só. Tenho como anseio abrir uma livraria. Um modesto espaço onde venderia livros anarquistas & socialistas & uma & outra espécie da erva do diabo, com a devida licença poética. Espero com isso não incomodar a vizinhança mais nazi. Essa vizinhança afeiçoada à democracia cristã. As portas desse singelo sebo, de aroma amizade no ar, nos levaria  para outro modelo de contato, sem preconceitos e divisões capitalistas. 

Penso a vida desacelerada como uma das alternativas visíveis e como uma das saídas possíveis desta sociedade edificada em torno de catracas e autoridades verticais. Dê o seu rolêzinho, suave, urubusservando a paisagem. Sem carro, pois a travessia é longa, bem longa, não dá pra gasolina.