
p/ g. n.
Esta coisa de sentir desejos
um dia me detona.
É assim. Se conheço uma mulher
pimba: desejo.
Estou com uma mulher – qualquer mulher –
ai!, de novo.
Uma mulher me ligou,
ei!, vem cá, desejo danado.
Recebi um e-mail, fodeu,
psiu!, deseeeeejuuuuu!.
Desejos & desejos.
Sou um garotão dado a desejos,
e por isso meto os pés pela camiseta, o tronco dentro da calça jeans, a cabeça no sapato. Mas não entra. E fico besta, tonto. Por causa delas, das mulheres.
E daí elas riem do meu modo estranho e desengonçado. E mostram os dentes. Lindos dentes. (Aliás, como as mulheres possuem lindos dentes, não é?, sem falar da boca, dos olhos, dos cabelos e de tudo mais que vai descendo.) E mostram os dentes. E se aproximam. Pegam-me a mão, estremeço, fico reticente epa! - smack! - pronto: roubo-lhes um beijo.
Às vezes demora.
Porém, costuma sair,
afoitado
e sem jeito mesmo.
Depois do beijo, corro, corro com ventos nos pés como um menino que acaba de ganhar o presente mais bonito e o doce mais doce do planeta.
Mas então eis que chega o fim do dia, e as mulheres me mandam embora com tapinha na bunda e um piparote.
Menino, volta pra casa. Já!
E o desejo encolhe. Murcha. Xô.
E sou outra vez o garotão teimoso em não querer viver, mas que é um corpo inteiro tomado por um só pensamento.
Cheio de gracejos.






















