Mas que bela cagada esse – puta merda – bebê foi me sair. Olha a melequeira nas perninhas. Eu é que não vou lavar nenhuma bundinha tenra e imunda. Tou por aqui! Quem paga a penca de pampers que tenho gastado com este projetinho de gente? Pois é. Não sei porque não enfiei, da outra vez, a agulha de crochê da vovó Rita na buceta. Já aproveitava e furava as trompas-útero-tudo. Não tinha erro. Ai-que-nojo! como pode sair tanta merda de uma criatura que ainda não sabe amar? Este bebê, do jeito que caga, um dia vira um grande artista. Veja você, amada leitora, que belo cocô. Mas bem que. Uma modelada na bostarada e pronto! ficava que ficava uma linda escultura assinada com o sobrenome do pai, que nem sei quem é.
25.10.09
23.10.09
mini galeria do elogio mútuo

Depois de Guimarães Rosa e Manoel de Barros, quem apareceu para endemoniar a linguagem foi João Filho com o seu monstruoso Encarniçado (Baleia, 2004). Agora, numa edição batuta, em formato de envelope, parte da coleção Cartas Bahianas, o escritor de Bom Jesus da Lapa nos presenteia com o excelente Ao longo da linha amarela. Para mais saberes, Ricardo Domeneck já andou caminhando ao longo dos sete contos reunidos.
Aqui, destaco um fragmento do conto "Cicerone Cego", que me pegou na hora neutra da madrugada. E eis que é tudo da parte deste humilde e servo leitor.
***
A insônia muitas vezes é um tipo de lucidez onde nos engolfa não aos borbotões, mas incisiva e parcimoniosamente a explicação de tudo. O mover-se na terrena. O que não evita a estranheza, um extenuar-se, alma-neurônio, ou o que nos dois pensa que alcança. Posso falar para os fantasmas, já que fisiologicamente ninguém me acompanha.
[FILHO, João. Ao longo da linha amarela. Salvador: P55, 2009. p. 34-35 (Coleção Cartas Bahianas)]
22.10.09
16.10.09
entrevista
[...]
Houve em sua vida uma encruzilhada, um acontecimento, um desses grandes marcos?
Sim, minha vida sempre foi uma coisa muito tumultuada, talvez pelo meu temperamento, pela maneira como eu encaro as coisas. Um deles foi um amor, uma paixão de juventude que me marcou muito e que talvez sido decisivo na minha opção pela literatura: depois dessa decepção amorosa, cheguei à conclusão de que a única coisa em que eu podia confiar era a literatura.
[...]
Por que você escreve? O que é escrever?
Eu escrevo por essa necessidade de me comunicar. Se eu consigo de fato acender essa luz na linguagem, esse relâmpago, isso é uma coisa que não é só pros outros, pra mim significa uma "viagem" no sentido da maconha... Saí do real, saí das limitações, é uma experiência de liberdade, na verdade.
Tenho um certo tédio da literatura; a cada dia que passa, eu leio menos, escrevo menos, porque, de fato, se eu tiver de escolher, eu prefiro a vida.
[...]
Peço que escolha três palavras entre as seguintes e diga alguma coisa sobre elas: amor, cidade, poder, povo, solidão, solidariedade, prazer, violência, amizade, noite e silêncio.
A palavra que mais me fala é cidade, porque é nela que acontece tudo. A cidade é o grande convívio, é a comunidade e é, ao mesmo tempo, a própria experiência de vida coletiva. A uma hora dessas, nos mais diferentes pontos da cidade, está acontecendo tudo: o amor, a luta pelo poder, a solidão, a solidariedade, a violência.
Rio de Janeiro, setembro de 1988
[RICCIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p. 264-277]
15.10.09
conhecimentos gerais
Temos que tomar certos cuidados na aspiração à literatura. Digo, em certo sentido, na tentativa de se tornar um escritor. A cadeia de inexperiência com a vida acaba criando seres letrados incapazes da transmissão fabular com o leitor. Aqui por estes pântanos tem mais sapo comendo mosca à milanesa e muito escritorzinho (pasmem!) trocando as bolas pelas letras.
Outra tendência ficcional da baixa literatura é a perpetuação estereotipada da cópia da natureza. Tradição que se eterniza há séculos na busca pela verossimilhança. Cidade de Deus, por exemplo. Conhecemos o texto adaptado para a tela de cinema e só conhecemos as imagens do retroprojetor. Somos, hoje, leitores ou espectadores? Ou espectadores do texto?
E quem sabe responde: o autor do romance que retomou o cinema nacional foi:
a) Paulo Lins
b) Roberto Scharwz
c) Alternativas a e b
14.10.09
de la musique
[Zélia Duncan - Eu me transformo em outras, 2004
Capitu - Luiz Tati]
[ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p.247, versículo LIV]
Capitu - Luiz Tati]
[...]
Vinte e seis anos de intervalo fazem morrer amizades mais estreitas e assíduas, mas era cortesia, era quase caridade recordar alguma lauda.
13.10.09
comissário de bordo
movimentos sorrateiros
Interrogo-me se os dois homens que retocam a pintura do viaduto seriam policiais a paisana verificando a atividade.
transpiração
Eles pararam o serviço. Um sinaliza pro outro, que vem ao seu encontro. Conversam algo. Viram-se e olham em minha direção. Estão apontando pra cá. Escondo-me.
suspiro
Não era nada, apenas a pipa do guri que tinha enroscado no terraço do andar debaixo. Os dois homens, dos quais inicialmente eu suspeitara, ajudaram o garoto a resgatar o papagaio. O moleque ficou feliz.
12.10.09
por quê, meu filho
Eu comecei a ter fome. Foi assim, pai, que tudo começou. Pé de moleque no bar da esquina não matava as bichas. Não mais. O senhor sabia que cedo ou tarde eu ia partir por essa bandas aí acima com o peito aberto de cicatrizes ao vento, desbravando o morro de Vera Cruz. O que foi que encontrei pelo caminho, ainda me pergunta. Onde tu, pai, foi que me jogastes? Eu te pergunto. Euzinho! Num oásis imenso feito por encruzilhadas que nunca mais acabava. Fui simbora, sim, convicto, não conto ao senhor? Caminhei léguas alternando a noite e o dia, um após o outro, sol, chuva, frio, intempéries; dormindo sobre paralelepídedos, catando o que comer, fumando bitucas, até chegar ao cume do que ambicionava. Lá, os dez mandamentos como o senhor prescreveu. Habitei-me na escuridão da noite de dentro das cavernas vazias de estrelas entre lobos, ursos, chacais e morcegos. E habituei-me sem as palavras. De quem é o coração mais selvagem? Por ti, pai, para provar a sua morte e a minha glória, sangrei os dedos ao escalar a colina, cuspi no cálice pra ter o que beber; comi até o Bambi, numa das noites de lua cheia e uivos caninos, pai. O senhor não acredita? Pois não? Eu blasfemo e muito sabe o senhor enganado que com esta taça de barro, esta mezona de carvalho trincado ao meio, este cachimbo, o fogão a lenha mais a tentação de Maria do Rabo Rico na cozinha, podem me comprar. Engana-te, velho! Seu eu conseguisse me despregar daqui de cima, ah! se eu conseguisse, eu mostraria ao senhor com quantos paus se faz uma cruz de ponta cabeça e riscaria no chão, em nome do Capeta, o Curumim. É.
11.10.09
livro de ocorrência
II
p. 10 folha 05
Joaquim Estraga-Prazeres certo dia no parque, s/d. Desenhou uma forca no bloco de anotações em torno de um boneco gordinho, e mirando com a garrunchinha de dois canos em punho, entre os dedos indicador e polegar, apontou, mirou com o olho direito, precionou o gatilho pow!: com que fez da árvore despencar um barão assinalado.
Dito assino e dou fé.
9.10.09
batman
I
o que foi aquilo que passou,
o que foi?
pulando pelo corredor da casa?
II
me deixa ver.
- eu já volto.
III
será que entrou por aqui?
caminhos faço por entre o corredor narrativesco, quando desponto no falso horizonte, perto da janelinha, por onde entra ar e barulho, uma bolinha de carne e pêlo grudada ao teto de pvc do banheirinho.
por acaso, seria aquilo que outrora pulava? que coisa mais asquerosa.
IV
quero observar mais atentamente. quem era o mais curioso dos dois? subo num banquinho de madeira pintado por mim mesmo. me aproximo com curiosidade. constato: é uma coisa grotesca. desço do banquinho e próximo da porta, atiro um chinelo. não cai. outro, o esquerdo, maldição, erro. pego no cabo da vassoura. cutuco. parece que se mexe. me prontifico pra recuar. tento novamente. cutuco. está vivo. é uma coisa e está viva. o que será? o que será? ainda com o cabo da vassoura, vou espremendo contra o teto espremendo até que
pluc!
V
que sensação é esta que em mim inunda a vida
e bate na bunda?
VI
ou era, portanto, o olho
mergulhando ao infinito do ralo?
8.10.09
livro de ocorrência
I
p. 05 folha 10
Embebido de ciúmes, Joaquim Estraga-Prazeres matou brutalmente sua noiva com três tiros no peito e uma cuspida, conforme confessou o réu, que já tinha passagem pela polícia.
O autor do crime, explicando o acontecido, disse que ela o havia traído e apontava-a como o verdadeiro Judas.
Segundo o Tenente, "ainda há suspeitas".
Dito, assino e dou fé.
7.10.09
batendo em retirada
vru vru vru vru vru vru vru
o helicóptero que plainava lento sobre os prédios
poderia ter sido um deus ex machina
o helicóptero que plainava lento sobre os prédios
poderia ter sido um deus ex machina
6.10.09
livro dos seres imaginários
I
- Sabia que papai, lá próximo das bandas onde Simão Bacamarte se perdeu, tinha uma cabritinha com a qual se embrenhava mato a dentro, cê acredita?
- Acredito, sim. Mas e sua mãe o que dizia?
- Que o velho era teimoso como uma mula.
- Acredito, sim. Mas e sua mãe o que dizia?
- Que o velho era teimoso como uma mula.
5.10.09
qualé, tá m'estranhando?
Procuramos, num momento precário de nossas vidas ou simplesmente pelo passar do tempo, estudos mais centralizados: por exemplo, seguir certa vertente crítica de cunho sociológico, pois, como podemos perceber, literatura ruim faz uma sociedade pior, isso sem dúvida alguma. Levar em conta também as leituras voltadas ao estudo da verossímilhança de que podemos descascar métodos e sistemas para levar (no entendimento) a vida e o trabalho conforme as regras do tabuleiro social. Ao vencedor...? Quem comia a última? Mas, como eu ia dizendo, as leituras de entretenimento foram substituídas por ensaios e artigos sobre literatura. Antonio Candido e Fábio Lucas encabeçam a ponta de lança dos estudiosos literários que disponho da biblioteca; correndo por fora, filosofia niilista e ciência pós-moderna saltam os paradoxos contemporâneos. Já ouviu falar em hipermodernidade? E Vinícus Dantas, por acaso o conhece?
Então mira e veja:
quando tudo que eu diga
seja poesia
[...]e fechando o balanço:
Querem ver nisto Zen e influência da poesia oriental; creio, contudo, ser mais um artifício de quem trabalhou em publicidade e conhece demais seu ofício, além de visar principalmente o leitor médio.
[...]
A graça fácil e infantilizada de sua poesia, com seu faz-de-conta revolucionário, rebelde ou vanguardista, nutre sonhos adolescentes e tem ouvidos moucos para o desmentido da realidade. Chegando tarde e cansado para a vanguarda e a revolução, só restou ao poeta curitibano se entregar à fantasia compensatória de suas brincalhonas palavrinhas.
[A nova poesia brasileira e a poesia. Novos estudos - CEBRAP, n. 16. Dezembro de 1986. p 50-51]
3.10.09
why not sneeze?
Duchamp fundou uma sociedade de jogo de azar - roleta - e vendia obrigações de 500 francos cada para financiar o jogo. Ele tinha criado um sistema especial que julgava possibilitar a obtenção de lucros. A frente de cada obrigação tinha uma fotografia de Duchamp, tirada por Man Ray, onde ele surge com a cara coberta de espuma de barbear e a cabeça esculpida em forma de cabeça alada de Mercúrio, deus romano do comércio e da ciência e protetor dos ladrões e dos vagabundos.
[MINK, Janis. Marcel Duchamp. 1887-1968 - A arte como Contra-Arte. Taschen: 2000. p. 73]
2.10.09
bildungsroman
[Dali & Buñuel, 1928]
Cego corre perigo maior é em noite de luares...
[João Guimarães Rosa]
[...]
O cego da pistola retirou o sexo que ainda vinha a pingar e disse com voz vacilante, enquanto estendia o braço para a mulher do médico, Não tenha ciúmes, já vou tratar de ti, e depois subindo o tom, Eh, rapazes, podem vir buscar esta, mas tratem-na com carinho, que ainda posso precisar dela. Meia dúzia de cegos avançaram de rebolão pela coxia, deitaram mãos à rapariga dos óculos escuros, levaram-na quase de rastos, Primeiro eu, primeiro eu, diziam todos. O cego da pistola tinha-se sentado na cama, o sexo flácido estava pousado na beira do colchão, as calças enroladas aos pés. Ajoelha-te aqui, entre as minhas pernas, disse. A mulher do médico ajoelhou-se. Chupa, disse ele, Não, disse ela, Ou chupas, ou bato-te, e não levas comida, disse ele, Não tens medo de que to arranque à dentada, perguntou ela, Podes experimentar, tenho as mãos no teu pescoço, estrangulava-te antes que chegasses a fazer-me sangue, respondeu ele. Depois disse, Estou a reconhecer a tua voz, E eu a tua cara, És cega, não me podes ver, Não, não te posso ver, Então por que dizes que reconheces a minha cara, Porque esta voz só pode ter esta cara, Chupa, e deixa-te de conversa fina, Não, Ou chupas, ou na tua camarata nunca mais entrará uma migalha de pão, vai lá dizer-lhes que se não comerem é porque te recusaste a chupar-me, e depois volta para me contares o que sucedeu. A mulher do médico inclinou-se para diante, com as pontas de dois dedos da mão direita seguru e levantou o sexo pegajoso do homem, a mão esquerda foi apoiar-se no chão, tocou nas calças, tacteou, sentiu a dureza metálica e fria da pistola, Posso matá-lo, pensou. Não podia. Com as calças assim como estavam, enrodilhadas aos pés, era impossível chegar ao bolso onde a arma se encontrava. Não o posso matar agora, pensou. Avançou a cabeça, abriu a boca, fechou-a, fechou os olhos para não ver, começou a chupar.
[SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das letras, 1995. p. 177]
1.10.09
panis et circense
não era dalton trevisan que já assinalava no seu estilo preciso e categórico que o conto é e sempre será maior que o autor? octavio paz - por que não? - em seu cuadrivio num ensaio à parte sobre o el desconocido de si mismo, pensando em fernando pessoa e seus heterônimos, diz que los poetas no tienen biografía. para pegar voo com o vampiro, paz complementa: su obra es su biografia. E para mim está de bom tamanho.
agora, com muito pesar - pois guardo uma admiração no peito pelas composições do tio lema - eu pergunto, e é aí que o bicho pega: o que é aquela imagem do polaco? afinal, como se constrói uma figura? que valores carregá-la para o olhar do espectador? uma fotografia, sem legenda, diria tudo? a imagem que nos foi criada para dar a impressão do quê? a que mito queremos nos render? um exemplo? mas do quê? Para quê?
o ensaio fotográfico gira por trás de um homem das letras, como é obviamente visível em seu escritório com vista pro quintal. um ser da linguagem distraído no cotidiano do seu atrapalhado trabalho, assim se pode deduzir lendo suas traduções. sua profissão: poeta. era mesmo, ou pura jogada de malandro samurai? por que a respiração presa para a formatação do porte físico do ex-judoca; e me diz, para quem era o olhar?
também festejaram, em londrix, com programação para as crianças - pura ironia do destino - o tributo ao pau d'água chamado as mulheres de leminski. isso seria alguma besteira de mau gosto, ou desde sempre tudo não passou de uma palhaçada? porque essa eterna curiosidade pela intimidade chinesa de cada um? aqui não acontece o fenômeno decadente da arte à fofoca? de olho na fotinha.
ontem comemorou-se a vida de leminski em sampa. convite do ademir para os amigos, segundo eu li; não para os seus leitores. e quase terminando, uma última pergunta: porque alguns querem ser donos até do filho da puta que se converteu em arquivo para os cofres do banco Itaú?
ocupação-exposição?
- brrrrrrrrr!
quando os discursos mudam, quando se vira a bancada para o bolso de alguém, a língua se verga às instituições capitais.
agora, com muito pesar - pois guardo uma admiração no peito pelas composições do tio lema - eu pergunto, e é aí que o bicho pega: o que é aquela imagem do polaco? afinal, como se constrói uma figura? que valores carregá-la para o olhar do espectador? uma fotografia, sem legenda, diria tudo? a imagem que nos foi criada para dar a impressão do quê? a que mito queremos nos render? um exemplo? mas do quê? Para quê?
o ensaio fotográfico gira por trás de um homem das letras, como é obviamente visível em seu escritório com vista pro quintal. um ser da linguagem distraído no cotidiano do seu atrapalhado trabalho, assim se pode deduzir lendo suas traduções. sua profissão: poeta. era mesmo, ou pura jogada de malandro samurai? por que a respiração presa para a formatação do porte físico do ex-judoca; e me diz, para quem era o olhar?
também festejaram, em londrix, com programação para as crianças - pura ironia do destino - o tributo ao pau d'água chamado as mulheres de leminski. isso seria alguma besteira de mau gosto, ou desde sempre tudo não passou de uma palhaçada? porque essa eterna curiosidade pela intimidade chinesa de cada um? aqui não acontece o fenômeno decadente da arte à fofoca? de olho na fotinha.
ontem comemorou-se a vida de leminski em sampa. convite do ademir para os amigos, segundo eu li; não para os seus leitores. e quase terminando, uma última pergunta: porque alguns querem ser donos até do filho da puta que se converteu em arquivo para os cofres do banco Itaú?
ocupação-exposição?
- brrrrrrrrr!
quando os discursos mudam, quando se vira a bancada para o bolso de alguém, a língua se verga às instituições capitais.
29.9.09
valor e cultura
XII
Pensei que tinha gente mais corajosa do que eu. No mundo dito real. Não tinha.
Do mundo ficcional, quanto mais uma fuga efêmera. Quem se transformou num inseto: Eu ou você?
Realmente.
27.9.09
vida modo de usar
domingo: quase diário
15:00 em ponto
Os turistas gritam e erguem os braços ao passar sob o viaduto.
Um motociclista desce, a moto desligada, a alameda Dr. Muricy.
A ferinha pela qual não caminhei para um cigarrinho tinha o seu público muito antes das três. Lá no alto do Largo. E ninguém sentiu a minha falta.
15:32
Sustenta-se no ar uma harmonia de sol e chuva casamento de viúva. Embora o movimento coletivo que antecede a parada esteja pra lá de agitada no batuque do mundo exterior. Que barulho é este? Alguém? Que bate na porta?
15:39
O coletivo aproxima-se. Mergulharei no meio da multidão para não retornar. Me diluirei nela. Depois, se caso a matéria voltar com a alma limpa, venho aqui dizer como estava bom. Mesmo dissolvido por completo no bloco em homenagem a Baco.
15:45
Ai! que preguiça!...
15:00 em ponto
Os turistas gritam e erguem os braços ao passar sob o viaduto.
Um motociclista desce, a moto desligada, a alameda Dr. Muricy.
A ferinha pela qual não caminhei para um cigarrinho tinha o seu público muito antes das três. Lá no alto do Largo. E ninguém sentiu a minha falta.
15:32
Sustenta-se no ar uma harmonia de sol e chuva casamento de viúva. Embora o movimento coletivo que antecede a parada esteja pra lá de agitada no batuque do mundo exterior. Que barulho é este? Alguém? Que bate na porta?
15:39
O coletivo aproxima-se. Mergulharei no meio da multidão para não retornar. Me diluirei nela. Depois, se caso a matéria voltar com a alma limpa, venho aqui dizer como estava bom. Mesmo dissolvido por completo no bloco em homenagem a Baco.
15:45
Ai! que preguiça!...
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