11.11.10
2.11.10
fragmento do último discurso amoroso
Havia em tempos remotos que não necessariamente foram datados: um começo meio e fim. João, personagenzinho idiota e quadrado que faz parte deste desenredo, não sabia, em idos que inicia a memória, a classificar os pedaços sucessivos de momentos, os quais em seu conjunto formavam encontros. As terças, as quais eram para este tipinho inútil significativas, tornaram-se simbólicas a ponto de o levar a uma regressão infantil.
Tudo porque o que se dava nesses encontros marcados era o contato com o outro, que era um bicho e o Diadorim em pessoa.
1.11.10
lançamento
Reflexões com um propósito prático
Estes Diálogos de Malatesta devem ser encarados não apenas como a exposição de uma teoria política, mas como uma elucidação prática, na medida em que o anarquismo toma corpo e poder de fogo justamente no interior de uma formação social. Aqui, o estudo consequente – mantendo sempre em mente a necessidade da introdução das mudanças históricas – é valioso para o anarquista que precisa situar-se dentro do discurso social.
Tome-se como exemplo um personagem como Cesare, que fala pelos pequenos proprietários. Embora se coloque de antemão contra qualquer coisa que possa abalar a ordem existente, mostra-se consciente das questões sociais e atento às ideias de Giorgio (Malatesta). A maneira como o anarquista conduz sua argumentação é modelar.
No diálogo 16, para tomar outro exemplo, trata-se da discussão sobre o nacionalismo, apresentada pelo veterano de guerra aleijado Pippo. A maneira como Giorgio (Malatesta) apresenta o patriotismo como um mecanismo pelo qual a burguesia recruta a classe trabalhadora em prol do regime de propriedade é profundamente instrutiva.
No Café: Diálogos sobre Anarquismo é uma obra onde as principais ideias anarquistas estão expostas de maneira clara e acessível. E é uma arma poderosa na mão daqueles que lutam pela transformação social. O leitor de língua portuguesa tem acesso, agora, pela L-Dopa Publicações, a esta obra na totalidade de seus 17 diálogos.
25.10.10
da contemporaneidade
[...]
Inferninho observava seu corpo colado no vestido molhado da água do rio. O bandido pensava em saborear aqueles lábios vermelhos e grossos, tinha vontade de agarrá-la e fazê-la gozar ali mesmo, entre a lua cheia e o mato. Iria meter devagarinho, chupando aqueles seios cheios, depois subiria para a boca, escorrendo a língua mansamente pelo pescoço, lamberia as costas, as coxas, a bundinha, o grelinho dela. Enfiaria a língua em seu ouvido e, ao mesmo tempo, aumentaria o movimento do quadril dando bombadinhas compassadas pra ela chamá-lo de tarado, gostoso, safado. E meteria por trás, pela frente, de ladinho, ela por cima, por baixo. Não iria querer nem Deus o ajudasse. "Duvido que ela não goze um montão de vez", pensou Inferninho. Mas não, não podia estar pensando aquilo, Cleide era mulher de amigo e, afinal de contas, nem tinha dado bola pra ele. Era um gado responsa, que adiantava o lado de todo mundo, e Martelo era um cara maneiro, mas se ela abrisse a guarda um pouquinho ele não perdoaria e crau!
[...]
- Seu marido não te chupa, não? Ah, minha filha... Você não conhece as coisas boa da vida. Antes do meu meter, tem que cair de língua uma meia hora. E no cu? Você não deixa ele colocar no teu, não? Você não sabe o que é bom. Nas primeiras vezes dói, mas depois vai que é uma beleza. Você pega uma banana, esquenta ela um pouquinho, enfia na xereca e manda ele colocar atrás. Parece que você vai voar. Você já fez carrossel? Saca-rolha? Trenzinho? Funil? Dedinho? Meia nove? Tapadinho? Enrola-enrola? Entupidinho? Suga-suga...?
[LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 38 e 117]
21.10.10
16.10.10
o que é a democracia?
[...]
Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.[RAMOS, Graciliano. Memórias do Cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 34]
15.10.10
e agora?
Lembro de minha tia Joana dizendo para a avó, ao fuçar com as unhas no meio do cabelo melado de vinagre e coca-cola, "não há nada aqui, Dona Maria. É psicológico."
12.10.10
sobre transar e ensinar
[...]
O ato de enfiar o dedo é mais que expressão do desejo de conhecer. É gostoso enfiar o dedo. Todo o mundo sabe da função erótica do dedo. Existe uma analogia entre dedo e pênis. Até as crianças já fazem aquele gesto obsceno. O dedo é um dos nossos órgãos sexuais.
Quando eu era menino, sem saber nada sobre sexo, gostava de descascar as mexericas para, depois, enfiar o dedo no buraco fechado e apertado do meio dos gomos. Era delicioso, meu dedo enfiado apertado, no obscuro buraco da mexrica. Um menininho foi humilhado por duas menininhas. Quando elas o viram com o pintinho de fora fazendo xixi, caíram na risada: "É igual a um pepininho!" Ao que ele retrucou: "E vocês, que o que têm são dois gominhos de mexerica"! Bom observador, o menino; sua imaginação já conhecia através de analogias.
[...]
... A fala é fálica. A palavra é pênis. Masculina. No silêncio, é como se não existisse. Mas aí ela toma forma, cresce, se alonga em busca de um ouvido. Que seria da palavra sem o vazio do ouvido que a acolha? A palavra deseja penetrar o ouvido. O ouvido é um vazio. Ele recebe. É feminino. Vaginal.
[...]
... Ereção, como é sabido por todos; é o estado do pênis, contrário a sua condição de flacidez. Flácido, o pênis tem apenas funções excretoras, urinárias. Frequentemente os homens se envergonham dele, em decorrência do tamanho, que julgam pequeno. Ereto, o pênis é outro órgão. Tem poder para dar prazer e fecundar. Um pênis ereto é uma promessa de amor e uma possobilidade de vida.
[...]
O pênis em ereção está procurando. Ele ainda não encontrou. Por isso sofre. A inteligência em ereção é também uma procura; ela não tem ainda.
[...]
Diferente do pênis ereto, o útero é o vazio onde se depositam sementes. Lá o sêmen não fica sêmen. Ele se encontra com o óvulo que estava à espera. E aí uma coisa se inicia, indiferente de tudo o que houve no passado. O útero é lugar de criação, onde o novo é gerado. A mente é como o útero: nela o pensamento procria. É nela que se geram os poemas, a literatura, as obras de arte, as invenções, as teorias científicas.[ALVES, Rubem. Ao professor, com o meu carinho. Campinas, SP: Verus Editora, 2004. p. 15-29]
8.10.10
de situações
A tábua improvisada servia de banco na espera do bonde. João estirou as pernas. Viu seu sapato puído. Somou as moedas e acendeu um cigarro - como de costume. Banalmente, João olhou um menino empinar pipa, um cachorro... que... quase...
- ai!
foi atropelado.
1.10.10
namorados
[...]
Afinal, namorados, junto com os pardais são o único encanto lírico que ainda resta nesta cidade que cada dia vai ficando mais áspera.
Já não temos café sentado, nem sala de espera em cinema, nem salão de chá com orquestra; já não temos retreta de coretos de praça - nenhuma dessas doçuras antigas. E o que seria de nós, então, depois do duro dia de trabalho, quando voltamos exaustos para casa, se na fila de lotação não nos distraísse o gentil descuido dos namorados, ou se dentro dos ônibus, onde os homens empurram as mulheres, apanhando o lugar sentado graças à lei do mais forte, onde na hora de atender ao assobio insolente do trocador constatamos como está magra a carteira - que seria de nós se, pela janelinha do veículo, não avistássemos o casalzinho amoroso que conversa bobagem sob as amendoeiras da Praça Paris - e nos lembra que, apesar da deformação das criaturas e das misérias da vida, este mundo não é de todo ruim?[QUEIROZ, Rachel de. O brasileiro perplexo. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963. p. 177-180]
30.9.10
Introdução
Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do voo das arribações que indicam a seca - como sabe quem lê Vidas secas de Graciliano Ramos – independe da aprendizagem formal e se perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros.
Como entre tais coisas e tais outros incluem-se também livros e leitores, fecha-se o círculo: lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem costuma) encerrar-se nela.
Do mundo da leitura à leitura do mundo, o trajeto se cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos círculos da escola.
[...]
Mundo da leitura, leitura do mundo: onde acaba um e começa a outra? Talvez os limites sejam esgarçados, aquela terceira margem do rio de que fala Guimarães Rosa...
Muito embora estreitamente entrelaçados na vida real, mundo da leitura e leitura do mundo distinguem-se aqui; invocando a temporária suspensão do real que os livros patrocinam como forma de iluminar e fecundar o retorno ao real, em cada parte do livro predomina um deles.[LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6 ed. Editora Ática: São Paulo, 2002]
24.9.10
vernissage
- Vamos brindar ao quê?
- Ao rancor.
- Salu!
20.9.10
gênesis
com a ajuda das forças de minhas mãos
arranco do chão um naco de paralelepípedo que esmigalho
para semear os meus olhos.
17.9.10
a casa. do porão ao sótão. o sentido da cabana
[...]
Em Paris, não existem casas. Em caixas sobrepostas vivem os habitantes da grande cidade: "Nosso quarto parisiense", diz Paul Claudel, "entre suas quatro paredes, é uma espécie de lugar geométrico, um buraco convencional que mobiliamos com imagens, com bibelôs e armários dentro de um armário". O número da rua, o algarismo do andar fixam a localização do nosso "buraco convencional", mas nossa morada não tem espaço ao seu redor nem verticalidade em si mesma. "Sobre o chão, as casas são fixadas com asfalto para não afundarem na terra." A casa não tem raízes. Coisa inimaginável para um sonhador de casa: Os arranha-céus não têm porão. Da calçada ao teto, as peças se amontoam e a tenda de um céu sem horizontes encerra a cidade inteira. Os edifícios, na cidade, têm apenas uma altura exterior. Os elevadores destroem os heroísmos da escada. Já não há mérito em morar perto do céu. E o em casa não é mais que uma simples horizontalidade. Falta às diferentes peças de um abrigo acuado no pavimento um dos princípios fundamentais para distinguir e classificar os valores de intimidade.
À falta de valores íntimos de verticalidade, é preciso acrescentar a falta de comicidade da casa das grandes cidades. As casas, ali, já não estão na natureza. As relações da moradia com o espaço tornam-se artificiais. Tudo é máquina e a vida íntima foge por todos os lados. "As ruas são como tubos onde os homens são aspirados." (Max Picard, op. cit., p. 119)[BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 44-45]
10.9.10
álibi
uma mão lava a outra,
as duas juntas: lavam o rosto.
[do dito popular]
A propina,
por dedos habilidosos,
passa por debaixo da mesa.
E a ética
- xeque mate -
é cumplice do aperto de mãos.
8.9.10
31.8.10
sob o lençol do discurso
[...]
Um escritor - entendo por escritor não o mantenedor de uma função ou o servidor de uma arte, mas o sujeito de uma prática - deve ter a teimosia do espia que se encontra na encruzilhada de todos os outros discursos, em posição trivial com relação à pureza das doutrinas (trivialis é o atributo etimológico da prostituta que espera na intersecção de três caminhos).[BARTHES, Roland. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977; tradução e posfácio de Leyla Perrone Moisés. São Paulo: Cultrix, 2007. p. 25-26]
29.8.10
17.8.10
o estacionamento
I
Eu estou de olho numa Brasilia.
Ano 79.
Mil cilindradas.
Motor por dentro com cheiro de gasolina.
Notei que o dono deixa a chave da ignição na caranga.
Tal dia pulo de assalto o muro com arame farpado.
Vai ser à noite.
Pode escrever.
5.8.10
B B
João saia do banco serelepe da vida,
mas eis que cem metros adiante um homem de capacete o surpreendeu:
- Mãos ao alto.
- Mas meu senhor Suzuki, eu não tenho mãos. Não vê?
4.8.10
sobre o medo
[...]
Desde sempre, em toda parte, tem-se medo do feminino, do mistério da fecundidade e da maternidade, "santuário estranho", fonte de tabus, ritos e terrores. "Mal magnífico, prazer funesto, venenosa e enganadora, a mulher é acusada pelo outro sexo de haver trazido sobre a terra o pecado, a infelicidade e a morte." Terror de sua fisiológica cíclica, lunática, asco de suas secreções sangrentas e do líquido amniótico, úmida e cheia de odores, ser impuro, para sempre manchada: Lilith, transgressora lua negra, liberdade vermelha nos véus de Salambô. Rainha da Noite vencida por Sarastro. Perigosa portadora de todos os males, Eva e Pandora; devoradora dos filhos paridos de sua carne, Medéia e Amazona; lasciva, "vagina denteada" ou cheia de serpentes, o que Freud chamou medo da castração e que em todas as culturas é assim representado. Fonte da vida. fertilidade sagrada, mas também noturnas entranhas: "Essa noite, na qual o homem se sente ameaçado de submergir e que é o avesso da fecundidade, o apavora", o medo ancestral do Segundo Sexo. Que fez crer impossível a amizade nas e das mulheres e tudo faz para impedi-la. Perdição dos que se deixam enfeitiçar pelo poço sem fundo e lago profundo - Morgana, Circe, Lorelei, Uiara, Iemanjá. Deusa da sabedoria e da caça, imaculada conceição e encarnação de Satã, a proliferação das imagens femininas, medusa, hidra e fênix, é, para usarmos noutro contexto a expressão de Walnice Galvão, o sumidouro das "formas do falso". Capitu. Diadorim.
[Marilena Chauí. in: CARDOSO, Sérgio et al. Os sentidos da paixão. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 38]
26.7.10
longe: daqui?
Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas,
[Cecília Meireles]
Algumas coisas começam a ficar muito claras. Uma delas se traduz pela consciência de nossa existência. Solitária.
O diário de nossas vidas em branco. Páginas e páginas de tentar ser e nada. Mas ao que tudo indica, esperando o seu ideal.
De leve, uma música desperta. Interior. Noturno vulto qual estátua figurada na paisagem da janela. Cinza. Apagamos as luzes. Trancamo-nos no quarto. Catedral.
O som do vizinho: puxa! que descarga. Mas o lirismo não é quebrado.
E dentro de nós? A distância é mais longe.
21.7.10
concebido y realizado
17.7.10
valor e cultura
XV
O leitor deve estar e ser mais preparado (como um jagunço ao entrar na caatinga dos mundos possíveis) que o autor de um livro.
13.7.10
eis o ponto final

Como diriam por aí, certo dia estava eu zapeando alguns canais televisivos pra testar a telinha nova e me deparei frente a frente no melhor estilo do simulacro com a imagem de Ziraldo com cara de vovô bonzinho. Cabelos brancos, pele morena, calça jeans e colete o bom velhinho escritor e cartunista apresentava um programa infantil.
Minha primeira ligação com o velhinho foi quando caiu em minhas mãos, pelas mãos de minha mãe, Meu joelho Juvenal. Daí vieram os dedos, os pés e pimba: eis que surge do autor bacaninha O menino maluquinho.
Do que mais gosto nesta história mirim? Das namoradas - quantas quantas e quantas...
Mas Ziraldo na televisão é decadente.
11.7.10
o decálogo político
>>>Programa Abertura]
"Parece que no momento atual as pessoas se preocupam muito com o nome das coisas, com o rótulo das coisas."
8.7.10
tolicionário
ao modo de bouvard e pécuchet
ainda que tenha que romper o meu peito.
[Flaubert]
5.7.10
sebo alexandria
Quando cheguei no sebo estava sobre a mesa o livro. Um livro grande: bem grandão; maior que Grande Sertão: Veredas, editado pela José Olympio. O título, é claro, estava na capa: O homem: sua vida, sua educação, sua felicidade.
Me virei para o livreiro ironizando: se abrirmos o totem é bem provável encontrarmos um pênis dissecado e tudo. Acabei, por fim, espantando uma cliente, que nos olhou e fez uma careta.
22.6.10
de la musique
Album: Heligoland, 2010]
[...]
... meu amor é "um órgão sexual de uma rara sensibilidade, que [vibraria] me fazendo dar gritos atrozes, os gritos de uma ejaculação grandiosa mas malcheirosa, [preso ao] dom extasiado que o ser fazia em si mesmo como vítima nua, obscena [...] diante da gargalhada das prostitutas."
[...]
... o amor é obsceno precisamente por colocar o sentimental no lugar do sexual.[BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. Rio de Janeiro: F. Alves, 1988. p. 157-160]
21.6.10
metáfora da leitura
[...]
O mais importante para o possuídor de uma edição de bolso de Aldus era o texto, impresso com clareza e erudição - não um objeto ricamente decorado. Um sinal de sua popularidade pode ser visto na Lista de preço das prostitutas de Veneza, de 1536 - um catálogo das melhores e piores madames profissionais da cidade, no qual o viajante era informado sobre uma certa Lucrezia Squarcia, "que se diz amante da poesia" e sempre "traz consigo um livreto de Petrarca, um Virgílio e às vezes até um Homero".[MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 162]
18.6.10
literatura subversiva
- Sabe quem me iniciou no kama sutra da ficção?
- ...
- Uma punk.
- Ah, é? Com qual obra?
- A revolução dos bichos.
16.6.10
rodovia da uva
- Pois não, moça.
Fechei o livro que eu estudava e tal e puxei papo. Ela sorriu. O que é um estouro. Mas lá por certa altura da viagem, depois de umas cartas lançadas e do que você gosta, não é que a diabinha pôs a sua mão direita no meu pescoço ao mesmo tempo que dizia:
- Veja como está gelada.
Puxa vida, me arrepiei todinho.
14.6.10
resgatando
12.6.10
costumes em comum

3.5.10
despedida
En Africa, un misionero regañaba a sus fieles porque andaban desnudos: "Y tú?", objetaron señalando su rostro, "no estás también tú desnudo en alguna parte?". "Es cierto, pero esto es el rostro", se justificó el religioso. A lo que los indígenas respondieron: "En nosotros el rosto está por todas partes".
Del mismo modo, en poesía, cada elemento linguístico deviene una figura del lenguaje poético[Roman Jakobson]
30.4.10
a quem interessar possa
existe uma grande diferença entre ser lido e ser comprado.
29.4.10
27.4.10
A peste, CAMUS, Albert. p. 67-68
[...]
Experimentavam assim o sofrimento profundo de todos os prisioneiros e exilados, ou seja, viver com uma memória que não serve pra nada. Este próprio passado, sobre o qual refletiam sem cessar, tinha apenas o gosto de arrependimento. Na verdade, gostariam de poder acrescentar-lhe tudo quanto lamentavam não ter feito, quando ainda podiam fazê-lo, junto a esse ou àquela que esperavam - assim como todas as circunstâncias, mesmo relativamente felizes, da sua vida de prisioneiros misturavam o ausente, e o resultado não podia satisfazê-los. Impacientes com o presente, inimigos do passado e privados do futuro, parecíamo-nos assim efetivamente com aqueles que a justiça ou o ódio humano fazem viver atrás das grades. Para terminar, o único meio de escapar a estas férias insuportáveis era, através da imaginação, recolocar em movimento os trens e encher as horas com os repetidos sons de uma campainha que, no entanto, se obstinava no silêncio.
24.4.10
SAC
Posso barganhar por vários ângulos, no entanto, dentro de um sistema capitalista, no qual os indivíduos são determinados a levar vantagens sobre os outros sujeitos, a probabilidade para eu vir a recomendá-los como uma ótima marca do mercado, aumentaria se eu ganhasse como brinde o micro-system posto em referida questão.
Sem mais
mui atenciosamente
Giuliano.
19.4.10
E= mc2
[...]
A mitologia de Einstein transforma-o num gênio tão pouco mágico que se fala do seu pensamento como de um trabalho funcional análogo à confecção mecânica das salsichas, ao moer do grão ou à trituração dos minérios: Einstein produz pensamento, continuamente, como um moinho produz farinhas e, para ele, a morte foi essencialmente o término da função localizada: “O cérebro mais potente parou de pensar”.
17.4.10
venta
Sei que venta pelos movimentos que vejo
na copa de uma árvore.
Estendido no chão de taco
o vento areja o quarto.
E mais: é nada.
16.4.10
a quadrilha
Deixando o espaço aberto para o narrador intruso, este, por sua vez, invadiu com seus pés de lã o ambiente no qual se encontrava o personagem problemático. O narrador intruso aproximou-se. Abriu a maletinha que trazia consigo e retirou de dentro dela uma seringa. Sorrateiramente e consciente da sua tarefa injetou no braço esquerdo uma dose de sonífero. Guardou o material e voltou à margem da narrativa para chamar o vilão.
O vilão que tem cara de mau vestia em suas mãos luvas de couro. Sem se enrolar nas malhas das letras, fez o que tinha que ser feito. Usando mãos hábeis de cirurgião executou uma perfeita lobotomia no personagem problemático.
Sendo dito, assim se encerra mais uma história para os componentes da ficção.









