[...]
Se todos os patrulheiros literários do eixo Rio-São Paulo-Curitiba conseguissem publicar de uma só vez, mesmo em edições limitadas e para o consumo caseiro, os originais que guardam na gaveta, iriam consumir todo o estoque de papel gasto pelas editoras e jornais brasileiros durante exatamente 43 dias.Joel Silveira
Fofo frontal
Não adianta a G Magazine insistir! Não há cachê nesse mundo capaz de fazer Rafael Grega posar nu para nenhuma dessas revistas de homem pelado! O ministro do Descobrimento tem, como se sabe, problemas com o bingo!
Boato: Não está rolando nada entre Geraldinho Carneiro e João Ubaldo Ribeiro! Os caras são apenas bons escritores!Tutty News[Arquivo particular: Bundas. Ano I. Número 16
28 de setembro a 4 de outubro de 1999. p. 18 e 34]
27.1.11
outras tantas curiosas curiosidades
26.1.11
um tigrinho
mas o gato to to
não morreu reu reu
Dona Chica ca ca
admirou-se se se
do berrou do berrou
que o gato deu: miau!
[da cultura oral]
Tigrinho, como o leitor ingênuo bem pode notar: é o meu gatinho.
13.1.11
in memoriam
[...]
O escritor não sabe onde pôr a enorme cabeça sorumbática. É míope, celibatário, grosseiro, está sempre furioso; ele se aborrece, pensa na próstata, nas dívidas.
[SARTRE, Jean Paul. As palavras. 6 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p.138]
10.1.11
das cirurgias plásticas
I
Dona Maria, cinquentona, ficando pra titia, queria arranjar um gatinho, como dizia a sua sobrinha. Foi então que suas amigas lhe recomendaram um cirurgião plástico. Data marcada, a senhora foi pra faca. O doutor de mãos hábeis e praticas cortou-lhe os braços e as pernas e no lugar desses membros fez o transplante de quatro patinhas de um animal da família dos felídeos.
Para sorte de Dona Maria, o mamífero tinha pedigree.
6.1.11
da contemporaneidade
aranha(rondó - arrigo barnabé - neusa pinheiro freitas)
aranha vem dançar
nessa teia cadeia de prata
vai aranha emaranhar
vem pratear vira prata
na teia da aranha
sou aranha de prata
sou cadeia que mata.
SONETO DA FUGA SÚBITA [1249]
Cagava a ninfetinha quando, rente
ao vaso sanitário, a enorme aranha
do pé se lhe aproxima. Muita manha
tem feito a adolescente, ultimamente.
Recusa-se a comer, a boba, crente
que assim mantém a forma. Nem se acanha
ao ver-se peladinha e, mal se banha,
desfila e posa, dum espelho em frente.
Agora, sentadinha na privada,
esquece, por um tempo, seu corpinho,
e esforça-se em cagar, compenetrada.
A aranha, cujo pêlo é como o espinho,
lhe roça a pele! Corre, inda pelada,
e escorre-lhe o cocô pelo caminho...
5.1.11
The in sound from way out!
Vícios são vícios, diria um amigo. E é o que faz sustentar a economia, eu complemento. E foi através desse amigo que pude entrar em contato com o álbum dos moleques do Beastie Boys. Que se tornou um vício, eventualmente. Levanto: boto na vitrola; vou deitar, deixo repetir por toda a noite. São treze faixas de hip hop. Muito não sou entendido da coisa, isto é, do estilo musical, mas gosto pra cacete do ritmo, da sonoridade, da levada. E o mais interessante: todas as músicas são instrumentais, o que facilita a leitura de um livro.
Tenho uma queda por cinema, e se eu fosse diretor, acho que com certeza utilizaria uma música desse disco.
Minha faixa favorita, além de todas, se chama “Son of Neckbone”.
O álbum para quem não sabe, como eu não sabia, foi produzido por um brasileño: Mario Caldato.
Mas o bom mesmo é ouvi-lo. Chega de trololó.
2.1.11
taquigrafia
“ei!”
Contudo, estamos sempre aqui. Cada qual contido no seu estrito silêncio.
Respeitando, convivendo: como educa a pedra.
1.1.11
feliz ano novo
30.12.10
tupy or not tupy
14.12.10
dos grandes prosadores
[...]
Queria mandar-me um livro, minha filha, para me distrair. E livro para quê, minha filha! O que é o livro? É uma invenção sobre as pessoas. Até o romance é um disparate, e escrito para um disparate, só para que as pessoas ociosas possam ler: acredite em mim, minha filha, acredite em minha experiência de muitos anos. E olha lá, se vierem atordoá-la com um tal de Shakespeare, dizendo, está vendo, na literatura há Shakespeare - pois saiba que Shakespeare também é um disparate, tudo isso é puro disparate, e tudo feito unicamente para pasquinada![DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Gente pobre. São Paulo: Ed. 34, 2009. p .106-107]
13.12.10
de la musique
Composição: Baden Powell e Paulo César Pinheiro]
arquivo morto
quando lhe dá na pinta dar um sumiço, por motivos nada racionais, ele costuma se retirar para dentro da pasta temática. Etiqueta: alegoria. Nota-se, o cara é um estudante.
então é à noite que marcelo se aconchega no travesseiro de fantasia e cobre-se com uma colcha de retalhos.
neste tempo de crises, ele fica do tamanho de um polegar.
6.12.10
recesso
o corpo do homem citadino
(excepcionalmente hoje),
não coube no molde da fazenda.
portanto,
não foi trabalhar.
1.12.10
dos grande pensadores
[...]
... a instituição política é particularmente forte onde a eficácia da educação é deficiente, isto é, na amplitude do raio de acção.
[WOODCOCK, George. O anarquismo: História das ideias e dos movimentos libertários. Editora Meridiano. p. 75]
26.11.10
a cidade e a mensagem
24.11.10
new york, 11 de novembro de 1973
[...]
Ah! Isto é simples: preciso urgente de uma caixinha (ou duas?) de fósforos Pinheiro ou Beija-Flor. Deixa eu explicar, homem. Não é fanatismo, não. É que aqui não tem caixas de fósforos de madeirinha, é de papelão. E aí, tragédia, não dá pra batucar.[HENFIL. Diário de um cucaracha. 5 ed. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 28]
22.11.10
por que ver os clássicos
[...]
A característica distintiva do racismo brasileiro é que ele não incide sobre a origem racial das pessoas, mas sobre a cor de sua pele.[RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 225]
17.11.10
cor local
A casa verde ali paradinha parecendo uma bucetinha toda pequenininha, pois nunca agüenta todo o resto que eu tenho pra colocar. Então eu fico ali dentro, mas só a metadinha. A casa verde coitadinha, não agüenta tudo que eu tenho pra falar. A casa verde, aquela virgenzinha não agüenta tudo que eu tenho pra sofrer. A casa verde não sabe ainda gozar. É só um buraquinho menino.
[Carolina Mascarenhas e Cesar Felipe Pereira]
16.11.10
15.11.10
irrupciones anómalas del destino
[...]
En las épocas de represión, el sexo es feliz, exultante; en las épocas de falsa democracia y de falsa tolerancia, el sexo es infeliz y se encuentra frustado.[FANTUZZI, Virgilio. Pier Paolo Pasolini. Bilbao: Ediciones Mensajero, 1978. p. 146]
12.11.10
11.11.10
2.11.10
fragmento do último discurso amoroso
Havia em tempos remotos que não necessariamente foram datados: um começo meio e fim. João, personagenzinho idiota e quadrado que faz parte deste desenredo, não sabia, em idos que inicia a memória, a classificar os pedaços sucessivos de momentos, os quais em seu conjunto formavam encontros. As terças, as quais eram para este tipinho inútil significativas, tornaram-se simbólicas a ponto de o levar a uma regressão infantil.
Tudo porque o que se dava nesses encontros marcados era o contato com o outro, que era um bicho e o Diadorim em pessoa.
1.11.10
lançamento
Reflexões com um propósito prático
Estes Diálogos de Malatesta devem ser encarados não apenas como a exposição de uma teoria política, mas como uma elucidação prática, na medida em que o anarquismo toma corpo e poder de fogo justamente no interior de uma formação social. Aqui, o estudo consequente – mantendo sempre em mente a necessidade da introdução das mudanças históricas – é valioso para o anarquista que precisa situar-se dentro do discurso social.
Tome-se como exemplo um personagem como Cesare, que fala pelos pequenos proprietários. Embora se coloque de antemão contra qualquer coisa que possa abalar a ordem existente, mostra-se consciente das questões sociais e atento às ideias de Giorgio (Malatesta). A maneira como o anarquista conduz sua argumentação é modelar.
No diálogo 16, para tomar outro exemplo, trata-se da discussão sobre o nacionalismo, apresentada pelo veterano de guerra aleijado Pippo. A maneira como Giorgio (Malatesta) apresenta o patriotismo como um mecanismo pelo qual a burguesia recruta a classe trabalhadora em prol do regime de propriedade é profundamente instrutiva.
No Café: Diálogos sobre Anarquismo é uma obra onde as principais ideias anarquistas estão expostas de maneira clara e acessível. E é uma arma poderosa na mão daqueles que lutam pela transformação social. O leitor de língua portuguesa tem acesso, agora, pela L-Dopa Publicações, a esta obra na totalidade de seus 17 diálogos.
25.10.10
da contemporaneidade
[...]
Inferninho observava seu corpo colado no vestido molhado da água do rio. O bandido pensava em saborear aqueles lábios vermelhos e grossos, tinha vontade de agarrá-la e fazê-la gozar ali mesmo, entre a lua cheia e o mato. Iria meter devagarinho, chupando aqueles seios cheios, depois subiria para a boca, escorrendo a língua mansamente pelo pescoço, lamberia as costas, as coxas, a bundinha, o grelinho dela. Enfiaria a língua em seu ouvido e, ao mesmo tempo, aumentaria o movimento do quadril dando bombadinhas compassadas pra ela chamá-lo de tarado, gostoso, safado. E meteria por trás, pela frente, de ladinho, ela por cima, por baixo. Não iria querer nem Deus o ajudasse. "Duvido que ela não goze um montão de vez", pensou Inferninho. Mas não, não podia estar pensando aquilo, Cleide era mulher de amigo e, afinal de contas, nem tinha dado bola pra ele. Era um gado responsa, que adiantava o lado de todo mundo, e Martelo era um cara maneiro, mas se ela abrisse a guarda um pouquinho ele não perdoaria e crau!
[...]
- Seu marido não te chupa, não? Ah, minha filha... Você não conhece as coisas boa da vida. Antes do meu meter, tem que cair de língua uma meia hora. E no cu? Você não deixa ele colocar no teu, não? Você não sabe o que é bom. Nas primeiras vezes dói, mas depois vai que é uma beleza. Você pega uma banana, esquenta ela um pouquinho, enfia na xereca e manda ele colocar atrás. Parece que você vai voar. Você já fez carrossel? Saca-rolha? Trenzinho? Funil? Dedinho? Meia nove? Tapadinho? Enrola-enrola? Entupidinho? Suga-suga...?
[LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 38 e 117]
21.10.10
16.10.10
o que é a democracia?
[...]
Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.[RAMOS, Graciliano. Memórias do Cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 34]








