[Nina Simone, Revolution -
Harlem Cultural Festival, 1969]
Harlem Cultural Festival, 1969]
- rádio linha de fuga - agenciamento teoria - vida - prática - grupo - sexo - solidão - máquina - ternura - Cê entende, cara, a batalha semiológica -
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O amor é amoral. Eu me amo, não posso viver sem mim. Em pedra? Em estrela? Em flor? Façam suas escolhas. Em que vou me transformar, no final? Quem acertar, ganha o direito de olhar bem nos olhos da Medusa. Não é uma beleza?[LEMINSKI, Paulo. Metaformose: uma viagem pelo imaginário grego. São Paulo: Iluminuras, 1994. p. 34]
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Há poucos minutos uma estação de rádio portuguesa quis saber qual seria a primeira medida de governo que eu proporia a Barack Obama no caso de ele ser, como tantos andamos a sonhar desde há um ano e meio, o novo presidente dos Estados Unidos. Fui rápido na resposta: desmontar a base MILITAR de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele CAMPO DE CONCENTRAÇÃO (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba.[SARAMAGO, José. O caderno: textos escritos para o blog. Setembro de 2008 - março de 2009. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 102]
Eu sou um cara purro purro
Sou purro a não mais poder
Eu sou um cara purro purro
Purro que podes crer.
Sou purro a dar com o pau
Sou purro que nem vem
Dançar não danço Tou mal
Não passo de um joão ninguém.[LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. Edição completa, bilíngue e ilustrada de Lennon com sua própria letra. Transcriação e Posfácio: Paulo Leminski. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985. p. 63]
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“O primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer: ‘isto é meu’, e encontrou pessoas bastante simples para crê-lo, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, mortes, quantas misérias e horrores não teriam poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: ‘Guardai-vos de escutar este impostor; estais perdidos se esquecerdes que os frutos são para todos, e que a terra é de ninguém!’”(Jean-Jacques Rousseau – Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens).
Bem neste dia de sol com uma puta atmosfera bonita, cara, eu fui esquecer o saco de estopa.
Disse isso em voz alta para meu amigo ouvir quando nós paramos numa esquina. Foi daí que compenetrado, ele me perguntou:
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Dizem que se você não mexer com os marimbondos, eles te deixarão em paz. Ele só ataca quando se sente agredido. Mas é difícil avaliar a psicologia de um marimbondo. E se o cara for paranóico e achar que uma simples piscada d'olhos sua é sinal de hostilidade contra ele? Bom, digamos que acertar aquela cabeçada no vespeiro ao lado de uma linda cachoeira, território deles, não foi muito civilizado da minha parte, mesmo que sem querer. Digamos, então, que, pra mim, com a devida vênia ao ecologicamente correto, marimbondo bom é marimbondo morto, parafraseando grandes humanistas, como Paulo Maluf e o já falecido coronel Erasmo Dias. E vou além: melhor mesmo é fotografia de marimbondo morto. E que se dane a metafísica.[MORAES, Reinaldo. in: Piauí. fevereiro, 65, 2012. p. 46]
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O poder não é para ser conquistado, ele tem que ser destruído. O poder é tirano por natureza, seja ele exercido por um rei, um ditador ou um presidente eleito.[A servidão moderna, de Jean-François Brient, 2009]
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Para onde foi a Hilda Hilst desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?[Jorge Coli]
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Dano à propriedade não é violência. Você não pode violentar um prédio ou uma janela. É muito diferente para nós a questão da violência. Isso não é violência, a não ser que você esteja advogando ataques individuais, o que não fazemos.
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Nós estávamos tentando encorajar apenas um questionamento. Por que as pessoas vão às ruas e tentam protestar ou fazer algo? Isso não é uma violência sem sentido. Sem sentido é ficar sentado, usando drogas, assistindo à MTV e então você arranja um trabalho, e se submete. Para mim isto é violência...
[Surplus - Terrorized Into Being Consumers, 2003
Direção: Erik Gandini ]
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A posse da propriedade privada é amiúde desmoralizante ao extremo, e esta é, evidentemente, uma das razões por que o Socialismo quer se ver livre dessa instituição. De fato, a propriedade é um estorvo. Alguns anos atrás, saiu-se pelo país dizendo que a propriedade tem obrigações. Disseram-no tantas vezes e tão fastidiosamente que, por fim, a Igreja começou a repeti-lo. Falam-no agora em cada púlpito. É a pura verdade. A propriedade não apenas tem obrigaçoes, mas tantas que sua posse em grandes dimensões torna-se um fardo. Exige dedicação sem fim aos negócios, um sem fim de deveres e aborrecimentos. Se a propriedade proporcionasse somente prazeres, poderíamos suportá-la, mas suas obrigações a tornam intolerável.
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A desobediência é, aos olhos de qualquer estudioso de História, a virtude original do homem.
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Onde há um homem que exerça autoridade, há sempre um outro homem que combate a autoridade.[WILDE, Oscar. A alma do homem sob o socialismo. tradução de Heitor Ferreira da Costa. Porto Alegre: L&PM, 2003. p. avulsas]
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Se cavalos e bois tivessem mãos, não deixariam de ser cavalos e bois, mas dariam à equinidade e à bovinidade plena expressão. Os bois e os cavalos como nós os conhecemos são produtos de quem os domina. [...]
Povo algum é por si mesmo bárbaro. O bárbaro é aviltado a partir de outro lugar. Um povo que assume a barbárie deprecia o seu lugar em favor de um lugar estranho.[SCHULER, Donald. Origens do discurso democrático. 2 ed. - Porto Alegre: L&PM, 2007. p. 45-46]
“ao perdedor, as batatas”
a polícia está na TPM
mostrando o cacete pra moçada
já o povão que tá na M
chupa bala emborrachada
e o prefeito só passando creme
nas ruas da cidade detonada
olhe pra debaixo do tapete, guri!
seu grito de carnaval vai ser covarde:
“amputa a outra perna do saci
e estupra a Anita Garibaldi”
[Thadeu Woiciechowski e Sergio Viralobos]