23.6.12
sambandido
22.6.12
leitor e cidadania
[...]... os melhores escritores brasileiros têm reagido, insistindo numa estética que desconcerta mais o desconcertado leitor nosso contemporâneo. Tipo formicida tatu com guaraná. Vocação suicida da boa literatura em tempos neoliberais? Ou: incortonável preguiça intelectual do leitor em tempos de economia de mercado? Neoliberalismo político e economia de mercado acentuam a competividade no dia a dia da labuta pela sobrevivência e, por conseguinte, traz o cansaço do ser humano nas horas de lazer. Tudo indica que a combinação de política e economia dominante no Brasil de Fernando Henrique Cardoso acaba por exigir que a obra literária perca seu caráter instigante de objeto de conhecimento para ser apenas objeto de entretenimento para o seu leitor.
[SANTIAGO, Silviano. O cosmopolitismo do pobre: crítica literária e crítica cultural. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. p. 174]
20.6.12
valor e cultura
XXII
17.6.12
interview
[...]
O cineasta é [...] uma prova viva de que a relação entre o consumo de maconha e o fracasso na vida profissional não passa de um falacioso mantra proibicionista.
14.6.12
12.6.12
estórias do senhor G.
[...]O apartamento deles raramente estaria em ordem, mas a própria desordem seria seu maior charme. Mal se ocupariam da casa: viveriam ali. O conforto do ambiente lhes parecia uma obviedade, um dado inicial, um estado da natureza. A atenção de ambos estaria em outra coisa: no livro que abririam, no texto que escreveriam, no disco que ouviriam, no seu diálogo reiniciado a cada dia. Trabalhariam muito tempo. Depois jantariam ou sairiam para jantar; encontrariam os amigos; dariam uma volta juntos.
O senhor G. Este.
10.6.12
por que ler os clássicos
9.6.12
8.6.12
especialização
[...]
Certamente um dos argumentos radicais mais antigos, porém mais débeis, é aquele que sustenta obstinadamente ser o capitalismo incapaz, inerentemente, de proporcionar ovos de ouro para todos.
[ROSZAK, Theodore. A contracultura - reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1972. p. 23]
7.6.12
valor e cultura
31.5.12
estórias do senhor G.
“A melhor sobra é o farelo em cima da mesa. Deixe-se em casa, saia somente com o corpo, recolha o espírito para as profundezas da sombra e dê ao tempo o término de recuá-lo a mais tenra infância”.
30.5.12
dos grandes prosadores
29.5.12
depois da batalha
O senhor G. foi à banca comprar uma revista para o seu filho adolescente. É apenas um diálogo entre pai e filho.
O senhor G. costuma quebrar tabus.
26.5.12
24.5.12
da contemporaneidade
23.5.12
contra a civilização: um leitor
[...]
... os gregos foram mais ou menos uma democracia sem microscópio, o que é, de fato, uma grande porcaria.
[TAVARES, Gonçalo M. O senhor Henri e a enciclopédia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012. p. 60]
21.5.12
textículo informal
Introdução - preliminares
o buraco fica mais embaixo.
18.5.12
estórias do senhor G.
- Depois eu volto, Bolo'Bolo, ironizou o senhor G.
17.5.12
paráfrase pra ana
Ele é um homem, tomando-o como um todo. Temo nunca encontrar alguém igual.
[Shakespeare]
16.5.12
a máquina planetária do trabalho
[...]
Você gasta seu tempo para produzir uma peça que é usada por alguém que você não conhece para montar uma bugiganga que é comprada por outro desconhecido para fins que você ignora. O circuito dessa sucata de vida é regulado de acordo com o tempo de trabalho que foi investido no material bruto, na sua manufatura e em você. A medida é o dinheiro. Os que produzem e trocam não têm contr ole sobre seu produto comum, então pode acontecer que trabalhadores revoltados sejam mortos exatamente com os revólveres que ajudaram a produzir. Cada peça de comércio é uma arma contra nós, cada supermercado um arsenal, toda fábrica um campo de batalha. Este é o mecanismo da Máquina do Trabalho: retalhar a sociedade em indivíduos isolados, chantageá-los separadamente com salários ou violência, usar seu tempo de trabalho de acordo com os planos.[Bolo'Bolo - A máquina planetária do trabalho]
15.5.12
salário, preço e lucro
[...]
Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.
[Carlos Marcus]
12.5.12
o escritor sente-se traído por um amigo
2.5.12
27.4.12
sem sexo, neca de criação
25.4.12
23.4.12
estórias do senhor G.
O amigo do senhor G., o enciclopedista Henri, recomendou El libro de arena.
"se o livro é de areia, ele deveria ter vindo num saquinho." Mas para seu desapontamento, ao abrir a portinhola, o livro adquirido era feito de papel. O senhor G. o recolheu e foi para cama dormir.
19.4.12
nem o corpo
no seu bangalô,
sob o viaduto,
uma estrela
nunca salpicou o chão.
As balas dos revólveres
furaram o zinco.
Só restaram o abandono,
em sua nudez,
e umas roupas
penduradas no varal.
Ali permaneceram,
tesas e encardidas,
em meio à fumaça
dos escapamentos.
Não,
ninguém as reivindicou
como herança.
Londrina - Verão, 2003. n 4]
18.4.12
observações no diário de classe
I
13.4.12
L'amour à la robote
quina responde ao homem e à mão como se fosse a
destinatária
Tão aperfeiçoadas as máquinas
a máquina de lavar cheques e cartas de amor
E o homem confortavelmente instalado na sua máquina de
morar lê com a máquina de ler a resposta na máquina
de escrever
E na sua máquina de sonhar com a sua máquina de calcu
lar compra uma máquina de fazer amor
E na sua máquina de realizar os sonhos faz amor com a
máquina de escrever com a máquina de fazer amor
E a máquina o engana com um mecânico
um mecânico que morre de rir.
11.4.12
o cão, o acidente e a narrativa:
[...]
Às seis horas, estava descendo de Ménilmontant, quase em frente ao Galant Jardinier, quando, de repente, as pessoas que caminhavam à minha frente se afastaram e vi se lançar sobre mim um grande cão dinamarquês que, avançando veloz na frente de uma carruagem, não teve tempo de parar sua corrida ou desviar ao me ver. Calculei que a única maneira de evitar ser atirado ao chão era dar um grande salto, tão preciso que o cão passasse por baixo de mim enquanto estivesse no ar. Essa ideia, mais breve que o relâmpago, que não tive tempo nem de considerar nem de executar, foi a última antes do acidente. Não senti nem o golpe nem a queda, nem nada do que se seguiu até o momento em que voltei a mim. Era quase noite quando recuperei os sentidos. Estava nos braços de três ou quatro jovens que me contaram o que acabara de acontecer. O cão dinamarquês, não conseguindo frear seu impulso, precipitara-se sobre as minhas duas pernas e, atingindo-me com sua massa e sua velocidade, me fizera cair de cabeça: o maxilar superior, ao suportar todo o peso de meu corpo, batera numa pedra do pavimento bastante irregular, e a queda fora ainda mais violenta porque, estando numa ladeira, minha cabeça batera abaixo de meus pés.
[ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os devaneios de um caminhante solitário. tradução de Julia da Rosa Simões. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2011. p. 20-21]
8.4.12
6.4.12
pé de couve
**
"Aquele que pensa nada promete, exceto que continuará sendo um indivíduo que pensa".
29.3.12
dias & dias
I
Certa manhã oriunda de uma noite sem sonhos, João não levantou. Não abriu os olhos. Não se mexeu.
Passado um mês de aluguel atrasado, deram pela falta de João. O telefone tocou, e-mails sobrecarregaram a caixa de entrada, cartas, contas e revistas voltaram para o correio. Mas de nada valia, pois João estava morto e seu corpo entrava em putrefação.
O que o leitor perdeu com a morte de João?
27.3.12
alma de cozinha
da xícara lascada da avó morta
em matéria de poesia
até que ando bem,
pois o cérebro ligado ao microondas
faz cada omelete dos meus olhos que eu nem te conto.





















