Ele é um homem, tomando-o como um todo. Temo nunca encontrar alguém igual.
[Shakespeare]
- rádio linha de fuga - agenciamento teoria - vida - prática - grupo - sexo - solidão - máquina - ternura - Cê entende, cara, a batalha semiológica -
Ele é um homem, tomando-o como um todo. Temo nunca encontrar alguém igual.
[Shakespeare]
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Você gasta seu tempo para produzir uma peça que é usada por alguém que você não conhece para montar uma bugiganga que é comprada por outro desconhecido para fins que você ignora. O circuito dessa sucata de vida é regulado de acordo com o tempo de trabalho que foi investido no material bruto, na sua manufatura e em você. A medida é o dinheiro. Os que produzem e trocam não têm contr ole sobre seu produto comum, então pode acontecer que trabalhadores revoltados sejam mortos exatamente com os revólveres que ajudaram a produzir. Cada peça de comércio é uma arma contra nós, cada supermercado um arsenal, toda fábrica um campo de batalha. Este é o mecanismo da Máquina do Trabalho: retalhar a sociedade em indivíduos isolados, chantageá-los separadamente com salários ou violência, usar seu tempo de trabalho de acordo com os planos.[Bolo'Bolo - A máquina planetária do trabalho]
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Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.
[Carlos Marcus]
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Às seis horas, estava descendo de Ménilmontant, quase em frente ao Galant Jardinier, quando, de repente, as pessoas que caminhavam à minha frente se afastaram e vi se lançar sobre mim um grande cão dinamarquês que, avançando veloz na frente de uma carruagem, não teve tempo de parar sua corrida ou desviar ao me ver. Calculei que a única maneira de evitar ser atirado ao chão era dar um grande salto, tão preciso que o cão passasse por baixo de mim enquanto estivesse no ar. Essa ideia, mais breve que o relâmpago, que não tive tempo nem de considerar nem de executar, foi a última antes do acidente. Não senti nem o golpe nem a queda, nem nada do que se seguiu até o momento em que voltei a mim. Era quase noite quando recuperei os sentidos. Estava nos braços de três ou quatro jovens que me contaram o que acabara de acontecer. O cão dinamarquês, não conseguindo frear seu impulso, precipitara-se sobre as minhas duas pernas e, atingindo-me com sua massa e sua velocidade, me fizera cair de cabeça: o maxilar superior, ao suportar todo o peso de meu corpo, batera numa pedra do pavimento bastante irregular, e a queda fora ainda mais violenta porque, estando numa ladeira, minha cabeça batera abaixo de meus pés.
[ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os devaneios de um caminhante solitário. tradução de Julia da Rosa Simões. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2011. p. 20-21]
"Aquele que pensa nada promete, exceto que continuará sendo um indivíduo que pensa".
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O amor é amoral. Eu me amo, não posso viver sem mim. Em pedra? Em estrela? Em flor? Façam suas escolhas. Em que vou me transformar, no final? Quem acertar, ganha o direito de olhar bem nos olhos da Medusa. Não é uma beleza?[LEMINSKI, Paulo. Metaformose: uma viagem pelo imaginário grego. São Paulo: Iluminuras, 1994. p. 34]
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Há poucos minutos uma estação de rádio portuguesa quis saber qual seria a primeira medida de governo que eu proporia a Barack Obama no caso de ele ser, como tantos andamos a sonhar desde há um ano e meio, o novo presidente dos Estados Unidos. Fui rápido na resposta: desmontar a base MILITAR de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele CAMPO DE CONCENTRAÇÃO (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba.[SARAMAGO, José. O caderno: textos escritos para o blog. Setembro de 2008 - março de 2009. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 102]