10.6.12
por que ler os clássicos
9.6.12
8.6.12
especialização
[...]
Certamente um dos argumentos radicais mais antigos, porém mais débeis, é aquele que sustenta obstinadamente ser o capitalismo incapaz, inerentemente, de proporcionar ovos de ouro para todos.
[ROSZAK, Theodore. A contracultura - reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1972. p. 23]
7.6.12
valor e cultura
31.5.12
estórias do senhor G.
“A melhor sobra é o farelo em cima da mesa. Deixe-se em casa, saia somente com o corpo, recolha o espírito para as profundezas da sombra e dê ao tempo o término de recuá-lo a mais tenra infância”.
30.5.12
dos grandes prosadores
29.5.12
depois da batalha
O senhor G. foi à banca comprar uma revista para o seu filho adolescente. É apenas um diálogo entre pai e filho.
O senhor G. costuma quebrar tabus.
26.5.12
24.5.12
da contemporaneidade
23.5.12
contra a civilização: um leitor
[...]
... os gregos foram mais ou menos uma democracia sem microscópio, o que é, de fato, uma grande porcaria.
[TAVARES, Gonçalo M. O senhor Henri e a enciclopédia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012. p. 60]
21.5.12
textículo informal
Introdução - preliminares
o buraco fica mais embaixo.
18.5.12
estórias do senhor G.
- Depois eu volto, Bolo'Bolo, ironizou o senhor G.
17.5.12
paráfrase pra ana
Ele é um homem, tomando-o como um todo. Temo nunca encontrar alguém igual.
[Shakespeare]
16.5.12
a máquina planetária do trabalho
[...]
Você gasta seu tempo para produzir uma peça que é usada por alguém que você não conhece para montar uma bugiganga que é comprada por outro desconhecido para fins que você ignora. O circuito dessa sucata de vida é regulado de acordo com o tempo de trabalho que foi investido no material bruto, na sua manufatura e em você. A medida é o dinheiro. Os que produzem e trocam não têm contr ole sobre seu produto comum, então pode acontecer que trabalhadores revoltados sejam mortos exatamente com os revólveres que ajudaram a produzir. Cada peça de comércio é uma arma contra nós, cada supermercado um arsenal, toda fábrica um campo de batalha. Este é o mecanismo da Máquina do Trabalho: retalhar a sociedade em indivíduos isolados, chantageá-los separadamente com salários ou violência, usar seu tempo de trabalho de acordo com os planos.[Bolo'Bolo - A máquina planetária do trabalho]
15.5.12
salário, preço e lucro
[...]
Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.
[Carlos Marcus]
12.5.12
o escritor sente-se traído por um amigo
2.5.12
27.4.12
sem sexo, neca de criação
25.4.12
23.4.12
estórias do senhor G.
O amigo do senhor G., o enciclopedista Henri, recomendou El libro de arena.
"se o livro é de areia, ele deveria ter vindo num saquinho." Mas para seu desapontamento, ao abrir a portinhola, o livro adquirido era feito de papel. O senhor G. o recolheu e foi para cama dormir.
19.4.12
nem o corpo
no seu bangalô,
sob o viaduto,
uma estrela
nunca salpicou o chão.
As balas dos revólveres
furaram o zinco.
Só restaram o abandono,
em sua nudez,
e umas roupas
penduradas no varal.
Ali permaneceram,
tesas e encardidas,
em meio à fumaça
dos escapamentos.
Não,
ninguém as reivindicou
como herança.
Londrina - Verão, 2003. n 4]
18.4.12
observações no diário de classe
I
13.4.12
L'amour à la robote
quina responde ao homem e à mão como se fosse a
destinatária
Tão aperfeiçoadas as máquinas
a máquina de lavar cheques e cartas de amor
E o homem confortavelmente instalado na sua máquina de
morar lê com a máquina de ler a resposta na máquina
de escrever
E na sua máquina de sonhar com a sua máquina de calcu
lar compra uma máquina de fazer amor
E na sua máquina de realizar os sonhos faz amor com a
máquina de escrever com a máquina de fazer amor
E a máquina o engana com um mecânico
um mecânico que morre de rir.
11.4.12
o cão, o acidente e a narrativa:
[...]
Às seis horas, estava descendo de Ménilmontant, quase em frente ao Galant Jardinier, quando, de repente, as pessoas que caminhavam à minha frente se afastaram e vi se lançar sobre mim um grande cão dinamarquês que, avançando veloz na frente de uma carruagem, não teve tempo de parar sua corrida ou desviar ao me ver. Calculei que a única maneira de evitar ser atirado ao chão era dar um grande salto, tão preciso que o cão passasse por baixo de mim enquanto estivesse no ar. Essa ideia, mais breve que o relâmpago, que não tive tempo nem de considerar nem de executar, foi a última antes do acidente. Não senti nem o golpe nem a queda, nem nada do que se seguiu até o momento em que voltei a mim. Era quase noite quando recuperei os sentidos. Estava nos braços de três ou quatro jovens que me contaram o que acabara de acontecer. O cão dinamarquês, não conseguindo frear seu impulso, precipitara-se sobre as minhas duas pernas e, atingindo-me com sua massa e sua velocidade, me fizera cair de cabeça: o maxilar superior, ao suportar todo o peso de meu corpo, batera numa pedra do pavimento bastante irregular, e a queda fora ainda mais violenta porque, estando numa ladeira, minha cabeça batera abaixo de meus pés.
[ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os devaneios de um caminhante solitário. tradução de Julia da Rosa Simões. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2011. p. 20-21]
8.4.12
6.4.12
pé de couve
**
"Aquele que pensa nada promete, exceto que continuará sendo um indivíduo que pensa".
29.3.12
dias & dias
I
Certa manhã oriunda de uma noite sem sonhos, João não levantou. Não abriu os olhos. Não se mexeu.
Passado um mês de aluguel atrasado, deram pela falta de João. O telefone tocou, e-mails sobrecarregaram a caixa de entrada, cartas, contas e revistas voltaram para o correio. Mas de nada valia, pois João estava morto e seu corpo entrava em putrefação.
O que o leitor perdeu com a morte de João?
27.3.12
alma de cozinha
da xícara lascada da avó morta
em matéria de poesia
até que ando bem,
pois o cérebro ligado ao microondas
faz cada omelete dos meus olhos que eu nem te conto.
25.3.12
23.3.12
clepsidra
[...]
O amor é amoral. Eu me amo, não posso viver sem mim. Em pedra? Em estrela? Em flor? Façam suas escolhas. Em que vou me transformar, no final? Quem acertar, ganha o direito de olhar bem nos olhos da Medusa. Não é uma beleza?[LEMINSKI, Paulo. Metaformose: uma viagem pelo imaginário grego. São Paulo: Iluminuras, 1994. p. 34]
20.3.12
o leitor e a escritura
14.3.12
todozolhinhos
papai cu levou seu cuzinho pra passear.
cuzinho, tirando a malícia, é o filho de papai cu.
certo dia os dois caminhavam para o colégio,
onde cuzinho aprendia leitura, mas eis que,
no meio do caminho sem pedra, papai e filhinho
encontraram cuzão.
cuzão tinha o aspecto de um antagonista,
ou seja, era o vilão e, sendo assim,
papai cu e seu cuzinho
toparam com uma tremenda confusão.
10.3.12
martelinho de ouro
Comecei a ler um livro, num faz meia hora, e, na página a que se destina o catálogo, vejo escrito: revisor técnico. Eu não sabia que pra escrever tinha de ser feita uma espécie de manutenção. É a mesma coisa dizer ao escritor que sua mente precisa passar por uma funelaria. Em caso de teses, se dá o seguinte diálogo com o orientador:
- Por favor, grão mestre, o senhor pode desamassar este neurônio?
9.3.12
download
I
isso me parece muito estranho, mas é como pensar:
- onde está Waly?
no entanto, mudando do vinho pra água, eu tinha um personagem recortado de uma caixa de papelão em cima da mesa, apelidado de joão pé de semente, que de repente se levantou quando eu ouvia a música, me mostrou a língua, abriu a porta, desceu a escada escorregando pelo corrimão, apanhou a rua iluminada, isto é, saiu de casa e, no meio da quadra, estendeu um fio de lã entre dois brotos recentemente plantados. o corpo de joão pé de semente estava ausente de qualquer vestimenta, mas faltava-lhe uma cor no tom do papel grosso: nu. joão pé de semente começou a perceber que estava se transformando num bonequinho de luxo pelas mãos de seu criador, que soy yo.
mas eu, sem graça alguma, pra terminar a narrativa, assim que a música chegou ao seu fim, queimei o bonequinho.





















