Être un homme utile m'a paru toujours
quelque chose de bien hideux.
[C. B.]
fatia de pão
O
que me encanta nalgumas cidades, fora o verde que não virou bosque ou
parque, são as esquinas de fim de tarde. As esquinas
escurecem ajudadas pelas árvores, nas mais variadas espécies e porque
também (da licença, meu) é a vez da lua, ora bolas. Sai o Sol, vem a Lua
vestida de estrelas.
Lá
por sete horas, eu paro as minhas atividades e saio prum rolê. Escolho
uma esquina, acendo um cigarrinho e puxo lero cum tempo. Volta e
meia, neste raro prazer dos dias, pinta um passarinho querendo uma
ideia. Passarinho xô! que não sou de voar. Passarinho vai.
Longe,
invejo o seu voo. Inveja boa, porque eu queria viver simplesmente como
um passarinho. Comer sementes: ser leve, i.e. dormi com a noite, acordar
com o dia. Sem programações para tardar. Caio em contradição, bem sei.
Passarinho canta na minha janela, antes das seis da manhã. Passarinho madrugador. Passarinho camarada.
Na hora do café, antes do rolê, pousa
no pé de lichia um casal ressabiado de sabiá. Árvore copada esconde os passarinhos. Mas vejo por um buraco, entre um
galho e outro, o casalzinho mínimo se brimbicando.
A
lichia é uma árvore alta: em torno dos seus três a quatro metros de
altura. Se um palmo tem vinte e cinco centímetros, vai lá. Não é a toa que
as folhas dessa árvore chamam prum mergulho de utopia.














