modo de usar
[primeira aula]
sente-se. fique imóvel. não se mexa! quieto. acalme o seu corpo antes de iniciarmos. controle-se, vamos lá!
[ inspire ]
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[ respire ]
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. . . . . . . .
[ respire ]
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repita esse processo mais dez vezes. serve para oxigenar o cérebro. agora ouça. pressente uma possibilidade, um desejo? cá está! cá está! produzindo um sentido. isso, muito bem, mas não precisa se desesperar. nada de pânico. nada de rasgar, expor as vísceras. calma. espere. muita calma. seus neurônios estão ávidos, sedentos. eletrizantes! eu sei. escolha as palavras. paulatinamente. uma a uma. não se precipite. olha a postura. como é que eu te ensinei? já se esqueceu dos dez mandamentos? cadê aquela atitude de santo, hein? muito bem! voltemos. arre! você me faz perder todo fio. onde é que estávamos? ah!, pois bem. releia aquele trecho do romance que lhe emprestei. observe como o autor trabalhou bem com as palavras. como ele as escolheu. já te expliquei que existe a tal da lapidação. a partir de um bloco concreto, bruto, contrói-se, cria-se a escultura, não é? se dá a mesma coisa com a escrita. paciência. é dificil, eu sei. vamos devagar. não tenha pressa como os motoristas incautos, como os adolescentes em seus arroubos amorosos. muita lucidez nesta hora. sabe aquela relação incestuosa com a palavra que outro dia eu te contei? então. é o segredo. você não precisa ser um pudico. mas eu tenho que repetir toda hora?! cautela, não seja impaciente. mas assim não da para gente prosseguir! você não pára um segundo. olha, vai pensando nisso tudo que eu te disse. amanhã nós continuamos, porque hoje eu já me desgastei.
