18.6.19

[...]


Medidas de segurança tão opressivos só são necessárias quando a riqueza e o poder são distribuídos tão injustamente que os seres humanos não podem coexistir em paz.

Mulheres

Os policiais não conseguem pensar com a cabeça de cima quando se trata de vigilância em vídeo. Em um estudo da universidade de Hull, uma de cada dez mulheres viraram alvo por razões "voyeurísticas" por operadores de câmeras masculinas, e uma sargenta policial do Brooklyn delatou vários de seus colegas em 1998 por "tirar fotos de mulheres civis na área... de fotos dos seios até o traseiro"

Ativistas

A experiência tem mostrado que sistemas CFTV podem ser usados para espiar grupos de ativistas engajados em formas legais de dissidência ou discussão. Por exemplo, a Universidade da Cidade de Nova Iorque foi constrangida alguns anos atrás por estudantes ativistas que descobriram, muito para o seu desalento, que a administração instalou câmeras de vigilância em suas áreas de reunião. Essa tendência não mostrou sinais de decrescimento: uma das mais populares manifestações das capacidades da CFTV que os agentes da lei e fabricantes gostam de mencionar é a habilidade de ler o texto de panfletos que ativistas colam em postes.


13.6.19

título para uma dissertação



Bem vindo à falsidade: superficialidade e mediocridade no governo Bolsonaro


acumulação capitalista e golpe de 64


A ampla participação dos norte-americanos no desencadeamento do golpe de 64 não era realizado sem razão, pois era uma necessidade do capitalismo norte-americano em crise e que precisava aumentar a exploração internacional para compensar suas dificuldades de reprodução.

O golpe de 1964 foi produto da ofensiva capitalista realizada pelas potências imperialistas (principalmente os EUA) e, com o apoio da burguesia brasileira e outros setores, consegue produzir um amplo aparato repressivo e ao mesmo tempo desalojar do governo setores populistas e reformistas que tinham dificuldades em atacar diretamente os trabalhadores e aumentar o processo de exploração.

Desta forma, o discurso segundo o qual o golpe foi realizados para evitar a formação de uma "república sindicalista", para combater o comunismo ou a corrupção, não passa de pretexto visando justificar e legitimar um processo intensivo de repressão que vem possibilitar um processo igualmente intensivo de exploração, permitindo aumentar o processo de acumulação capitalista no Brasil para sustentar as necessidades da burguesia brasileira e a transferência de mais-valor para sustentar as necessidades dos países imperialistas, principalmente dos Estados Unidos. Em síntese, é a ascensão da luta operária e outros setores sociais que promoveu a necessidade de transição da democracia burguesa para a ditadura, pois somente esta possibilitaria a ampliação da taxa de exploração naquele contexto, o que era uma necessidade vital do capital neste período.


12.6.19

o falso princípio de nossa educação


Em pedagogia, como em outros campos, a liberdade não pode expressar-se, nossa faculdade de oposição não pode exprimir-se; exigem-se apenas a submissão. O único objetivo é adestrar à forma e à matéria: do estábulo dos humanistas não saem senão letrados, do estábulo dos realistas, só cidadãos utilizáveis e, em ambos os casos, nada além de indivíduos submissos.

A vida escolar só engendra pessoas incultas. Adquirimos o hábito, em nossa infância, de resignarmos a tudo o que nos era imposto: do mesmo modo mais tarde, resignamo-nos e adaptamo-nos à vida positiva, adaptamo-nos à nossa época, tornamo-nos seus servidores, o que se conveio chamar de bons cidadãos. No entanto, onde encorajam o espírito de oposição em vez de espírito de submissão nutrido até ao presente momento? Onde se formam indivíduos que criam e não indivíduos que aprendem? Onde o mestre se transforma em companheiro de trabalho e reconhece que o Saber deve tornar-se Vontade? Onde está a instituição que se propõe por objetivo liberar o homem e não se limitar a cultivá-lo? 

A cultura geral dispensada pela escola deve ser uma educação para a liberdade e não para a submissão: a verdadeira vida é sermos livres.

Não podemos exprimir toda a nossa personalidade quando nos comportamos como membros úteis da sociedade, mas podemos fazê-lo perfeitamente quando somos homens livres, autocriadores (que nós mesmos criamos).

11.6.19

zerolândia


Se tornó necesario destruir la ciudad para salvarla.

A família Bolsonaro e seus capangas, assim como seus eleitores hipócritas, feios e sujos violam tudo que considero decente e valioso. 

10.6.19

a era da pós-verdade


Em tempos de patrulhamento e verdades instantâneas, a revelação da relação promíscua entre magistrados e procuradores, demonstrando inequivocamente que a pretensão é fazer justiça e não aplicar o Direito, traz à tona a reflexão de Ralph Keyes sobre “honestidade já foi considerada uma proposição “tudo ou nada”. Ou você era honesto ou desonesto. Na era da pós-verdade, esse conceito tornou-se mais matizado. A ética é julgada em uma escala móvel. Se as nossas intenções forem boas, e dissermos a verdade mais frequentemente do que mentirmos, nos consideraremos em um fundamento moral firme. A crescente desonestidade tem menos a ver com uma ética em declínio do que com um contexto social que não enfatiza suficientemente a veracidade. Nunca houve escassez de pessoas inescrupulosas. Onde houver quem pense poder mentir impunemente, haverá mentirosos. A questão é: quais circunstancias fomentam contar mentiras impunemente? Ser notoriamente enganador pode tornar o enganador famoso, até mesmo uma celebridade. Em nossa escala de valores dirigida pela mídia, a celebridade supera a honestidade.

oportunismo político


O substantivo resistência tornou-se apenas mais uma outra expressão da moda.


deus na caixinha de plástico


Annuska vem almoçar em casa. É um momento em que para o trabalho imaterial. Lavo a batatinha salsa, ralo o queijo, ponho a cenoura e a batata doce no vapor. Tempero as asinhas de frango com sal, pimenta, alho e carinho. Annuska dá aquela atrasadinha de sempre. Deixo tudo dentro do forno, no modo quentinho. 

Almoçamos falando dos projetos futuros como um chalé no mato. O que será nosso refúgio espiritual, digamos assim. 

Ela ainda me chama para ajudá-la a levar umas roupas velhas para tingimento. Mochila nas costas, caminhamos até a lavanderia próximo à praça Rui Barbosa. Entre trânsito caótico, gente dormindo na rua, vamos combinando de nos ver mais tarde, mas ela me lembra que tem aula de dança à noite.

A lavanderia está vazia, pressuponho que o atendimento será rápido. Fico do lado de fora colado à bicicleta. Não havia trazido o cadeado para prendê-la, longe dos furtos recorrentes na cidade linda e amorosa. Ligo o celular para ouvir black metal. 

Fico observando a paisagem da cidade poluída por banners horripilantes. Nem prédio de habitação escapa da poluição visual. As ruas entupidas de automóveis apenas causam ruídos, poluição e stress. Nessa minha observação do padrão das cidades, um motoqueiro para a uns dez metros de distancia de mim. Na moto há uns adesivos que me fizeram lembrar caderno de criança. Faltou o smilinguido ali. O motoqueiro me fita, olha para o celular e me fita novamente. Creio que esteja me filmando. Volto a notar os adesivos na caixinha de plástico da moto. Havia alguma coisa como "nas mãos de deus", frase dessas de crente meio sem noção (desculpe a redundância) e um mickey mouse. 

Mando uma mensagem pra Annuska lhe dizendo que há um cara estranho, um tipo fanático com deus na caixinha de plástico. Annuska me envia uma carinha rindo. Volto a fitar o sujeito que deve ter fugido da escola, o que também não muda em nada, visto que as escolas são umas drogas. Mas imagino o que se passa na cabeça do moleque com sua frase religiosa de deus e mickey mouse na moto. Que mistura! Peraí, que lambança fizeram na cabecinha do menino. 

9.6.19

what's my name

The Clash | 1978


If Adolf Hitler flew in today
They'd send a limousine anyway

I will always believe in punk rock, because it's about creating something for yourself. Lift your head up and see what is really going on in the political, social, and religious situations, try and see through all the smoke screens... I'm always quite hopeful. I believe in human beings. Human beings won 't let this happen. We won 't all end up robots working for McGiant Corp or whatever. It can't happen. 

Joe Strummer | 2002

8.6.19

documentary



Salvados

Em todo o mundo, as ligações entre grupos de extrema direita e grupos criminosos têm como traço comum a violência. Também é frequente que os integrantes de organizações criminosas tragam votos para as forças políticas mais inescrupulosas.

O que me dá mais medo hoje, não só na Itália, é que parece não existir mais vontade de se aprofundar em nada. Basta-nos uma frase para condenar, formar uma opinião. Mesmo podendo ir a fundo, preferimos patinar na superfície. Temos a sensação de estar perdendo alguma coisa, de não ter tempo para nada, e aí uma postagem no Facebook se torna fonte de informação. Falo do Facebook porque sei que no Brasil há também uma porcentagem crescente de pessoas se informando pelas redes sociais: essa atitude cria danos enormes, mas é tendência que não conseguimos reverter.

Roberto Saviano

mass media

Indigesti | 1982

potere d'illusione per indurti a non pensare

Os verdadeiros meios de comunicação de massa são dirigidos às camadas mais simples. O propósito deles é embotar o cérebro das pessoas, simplificando ao máximo o objetivo principal de 80% deles e divertir, fazer com que assistam ao campeonato nacional de futebol, se preocupem com assuntos do gênero: "Mãe tem filho com seis cabeças", o que pegar na prateleira do supermercado, astrologia ou papo fundamentalista. Qualquer coisa que mantenha-os ocupados, distraia-os das coisas importantes. Para isso é preciso reduzir a capacidade deles de pensar.


7.6.19

religião fora da escola


Nenhum fundamentalista tem direito algum de tirar conclusões no campo científico.

6.6.19

cwb is dead


Quando eu digo que o povo de Curitiba é deseducado não faço por birra. Tenho todos os elementos que comprovam e corroboram com o que estou dizendo. Já lecionei em escolas públicas e sei o que eu digo. Pais brutos, fascistinhas da burocracia local, gente que elege secretário de segurança espancador de professor, manifestação em prol de chefe de gangue, golpistas aqui e acolá. A deseducação não tem limite na paróquia fascista, estupidez encontrei até na fila do pão. Para saber mais, dá uma voltinha de bicicleta, muitos motoristas não respeitam ciclovia.

A alienação é mais profunda do que podemos imaginar. Além de viver no núcleo dos golpistas, reacionários e fundamentalistas neonazis, os caipiras fascistas da província estão defendendo um governo que está em plena atividade para destruir o que sobrou dos direitos. Burrice sem tamanho, porque na caipirolândia só falta virar lei trabalhar sem garantias.


5.6.19

poeira da escola


O que se pode concluir com esta última eleição é que temos uma educação muito ruim. Na verdade, ficou claro que o sistema educacional sequer forma pessoas de bom senso. Diante da incoerência brutal que assolou o país, percebe-se que as pessoas saem da escola sem capacidade de ouvir alguma voz racional.


a máquina da lama

2012

Sinto que a democracia está literalmente em perigo. Pode parecer exagero, mas não é. A democracia está em perigo no momento em que, se você se manifesta contra certos poderes, se se apresenta contra o governo, o que o espera é o ataque de uma máquina que lhe cobre de lama: um ataque que parte de sua vida privada, de fatos minúsculos de sua vida privada, que são usados contra você.

A força da democracia é a multiplicidade. Mas, infelizmente, o instinto que está emergindo no país é o que afirma que somos todos iguais, todos idênticos, todos somos a mesma coisa. É aqui que a máquina da lama vence. Convém saber enxergar as diferenças. A diferença é aquilo que a máquina da lama não quer que o espectador, o leitor, o cidadão intua. Uma coisa é a debilidade que todos temos, outra é o crime. Uma coisa é o erro, outra a extorsão. Os políticos podem errar, significa que agem. Mas uma pessoa que erra é bem diferente de uma pessoa corrupta.

É necessário dizer: "Nós somos diferentes". É preciso sublinhar a diferença, não lançar tudo no mesmo caldeirão. Assinalar, por exemplo, que a privacidade é sagrada, é um dos pilares da democracia.

O objetivo da máquina da lama é justamente dizer que é tudo a mesma coisa. E, principalmente, baixe o olhar, não critique, deixe que vença o mais esperto e, se criticar, o que o espera é isto: toda a sua privacidade se tornará pública.

A desinformação visa destruir as vítimas no campo dos amigos, é usada como punição, para obrigá-lo a se defender perante seus familiares, a dizer coisas que nada têm a ver com sua atividade pública. Semeia dúvidas e insinua suspeitas que justamente os amigos devem temer. Seja qual for seu estilo de vida, seja qual for seu trabalho, seja qual for seu pensamento, se você se posiciona contra certos poderes, estes sempre responderão com uma única estratégia: deslegitimá-lo.

Trad.: Joana d'Avila


4.6.19

documentary



Manufacturing Consent: Noam Chomsky and the Media | 1992


1 – A Estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais”.

2 – Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 – A Estratégia da Gradualidade

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, com conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira as condições sócio-econômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego massivo, salários que já não asseguram rendas decentes, tantas mudanças que provocariam uma revolução se fossem aplicadas de uma vez só.

4 – A Estratégia de Diferir

Outra maneira de fazer com que se aceite uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para se acostumar com a idéia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5 – Dirigir-se ao público como a criaturas de pouca idade

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criatura de pouca idade ou um deficiente mental. Quanto mais se pretende enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos.

6 – Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-curcuito na análise racional, e, finalmente, no sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7 – Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância planejada entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser alcançada para as classes inferiores.

8 – Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover a crença do público de que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9 – Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer crer ao indivíduo que somente ele é culpado por sua própria desgraça devido à insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, em vez de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se menospreza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição da ação do indivíduo. E sem ação não há revolução!

10 – Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No decurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles que possuem e utilizam as elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” desfrutou de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que este conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.


mundo da vida reificado


Outro dia, eu li de um escritor: 

Passeando pelas ruas de São Paulo, percebo que muita gente tem medo de moradores de rua, maltrapilhos, malcheirosos, maltratados. Eu tenho medo de milionários. Eles são capazes de tudo, inclusive matar, para manter sua riqueza.

Em Alienação e Capitalismo, Laymert aponta, sob a ótica marxista, que a alienação capitalista é uma empresa de desumanização, de desintegração do indivíduo.

Na cidade modelo, linda e amorosa a realidade é semelhante a de São Paulo. Caminha-se próximo à Catedral para ver pessoas dormindo embaixo dos pontos de ônibus, sob marquises. Esse sistema capitalista que derruba prédios para dar vazão a estacionamentos alienou a própria essência humana.

"Os homens produzem seus meios de vida para viver. Mas para viver, antes de mais nada, é preciso beber, comer, morar, vestir-se e mais algumas outras coisas."



cwb is dead


Somente um povo alienado é feliz no meio da desordem econômica.


3.6.19

norma


A criatura 
estúpida e ignorante 
ainda continuava 
deprimida no trabalho.


a corrosão do caráter


Richard Sennett | 2015

O medo de que os estrangeiros solapem os esforços dos trabalhadores americanos nativos tem raízes profundas. No século dezenove, eram os imigrantes paupérrimos e não qualificados que pareciam tomar os empregos, com a disposição de trabalhar por menor salário. Hoje, a economia global serve à função de despertar esse medo antigo, só que agora os americanos ameaçados parecem ser não apenas os não qualificados, mas também as classes médias e os profissionais liberais, colhidos no fluxo do mercado de mão de obra global. 

O esforço para controlar de fora o funcionamento do novo capitalismo precisa ter um raciocínio diferente: deve perguntar o valor da empresa para a comunidade, como ela serve mais a interesses cívicos que apenas ao livro-caixa de lucros e perdas.

O ataque ao estado assistencial, iniciado no regime neoliberal, anglo-americano, e que agora se espalha para outra economias políticas mais "renanas", trata os dependentes do estado com a desconfiança de que são parasitas sociais, mais do que desvalidos de fato. A destruição das redes assistenciais e dos direitos é por sua vez justificada como libertando a economia política para agir com mais flexibilidade, como se os parasitas puxassem para baixo os membros mais dinâmicos da sociedade. Veem-se também os parasitas sociais como profundamente alojados no corpo produtivo - ou pelo menos isso é o que passa o desprezo pelos trabalhadores aos quais se precisa dizer o que fazer, que não tomam iniciativa por contra própria. A ideologia do parasitismo social é um poderoso instrumento no local de trabalho; o trabalhador precisa mostrar que não está se aproveitando do trabalho dos outros.

Richard Sennett
Trad.: Marcos S.

1.6.19

essa coisa que fazemos


O mundo da vida reificado exclui progressivamente aquilo que o questiona. A literatura a respeito da sociedade levanta cada vez menos questões básicas acerca da sociedade, e o sofrimento do indivíduo agora raramente é relacionado até mesmo a esta sociedade incontestada. A desolação emocional é vista quase totalmente como uma questão de anomalias cerebrais ou químicas "naturais" que ocorrem espontaneamente, nada tendo a ver com o contexto destrutivo que o indivíduo é, em geral, levado a suportar cegamente sob o efeito de drogas.

John Zerzan
Trad.: Roberto S.


presença libertária


U.K. Subs | 1982

We're living in a police state
They give us a police state


A tradição antilibertária tem servido para expressar o medo da elite com relação a processos de transformação social e cultural. 

Consolida-se assim sentimentos reacionários e se mantém as hierarquias sociais tradicionais. 

O "perigo anarquista" expressa temores fundamentalmente conhecidos de que as classes populares ascendam socialmente e questionem as hierarquias.


30.5.19

escutas em transe


... a falsa fala tem sido a linguagem única da mídia brasileira, como ela cria leitores/espectadores desmiolados, como compromete o entendimento da trágica situação brasileira, como instaura uma submissão subjetiva inominável - e, com ela, o fascismo.

Laymert G.


abre aspas


Na verdade, essa noção antiamericana é bem interessante. É uma noção totalitária. Não é usada em sociedades livres. Na ditadura militar brasileira, eles eram chamados de antibrasileiros. É verdade que em quase toda sociedade, os críticos são difamados ou maltratados de várias formas, dependendo da natureza da sociedade.

Noam Chomsky


no trump no kkk no fascist USA


M. D. C. 

I live in a world of hate
With no regret a Nazi state
A racist dream, a world of hate
With no regret a Nazi state


... além dos Nazistas e a Klan, há outras forças de direita que vem aumentando nos últimos 15 anos. Elas incluem políticos de direita ultraconservadores e pastores fundamentalistas Cristãos, juntamente com a seção de extrema direita da própria classe dominante Capitalista – os pequenos empresários, apresentadores de talk shows como Rush Limbaugh, juntamente com os professores, economistas, filósofos e outros quem, na academia, são fornecedores do armamento ideológico para a ofensiva Capitalista contra os trabalhadores e povos oprimidos. Nem todos os racistas usam lençóis. Esses são os racistas “respeitáveis”, os novos conservadores de direita, que são muito mais perigosos do que a Klan ou os Nazistas porque suas políticas se tornaram aceitáveis para grandes massas de trabalhadores brancos, que por sua vez, culpam minorias raciais por seus problemas.


o outro lado do quadro


1924 - 1978

[...] 

Que vem a ser então o professor de Letras? Um inoculador de cultura? Um disseminador de indagações? Um transmissor de técnicas cheio de certezas. E dificilmente pode-se imaginar como essa nova situação é cômoda e, portanto, desejável. Fica o professor a salvo do equívoco que levou tantos de seus antecessores à eterna misantropia: o de tentar incutir nos alunos a sua própria paixão por determinadas obras e pela literatura em geral (empresa, como se pode prever, inteiramente absurda). Não só não lhe cabe despertar essa paixão - e sim mostrar relações -, como não deve. Acho mesmo que um homem, hoje, será melhor professor de Literatura, ao menos um professor mais eficiente, mais aparelhado para o que dele se espera, se não amar o que ensina. Estou convencido de que a grande maioria está nesse caso. Não amam realmente a literatura e os livros. Se os amavam, a carreira e a eficiência exigem que esse amor seja sufocado ou escondido ou morto. Na maioria das vezes, nunca houve paixão, apenas uma aprendizagem; e paixão, se houve, já não há. Não me acusem de estabelecer conexões arbitrárias se eu disser que isto pode ser a explicação para o lastimável vício da apostila, tanto da parte de professores como da parte de alunos - a apostila, o antilivro, uma das mais indecentes perversões que hoje minam o ensino brasileiro. 

Mas por que estou falando aqui em paixão? Não se vende essa mercadoria. Chegamos, assim, a um ponto da maior importância no assunto que discuto. Na época atual, tão propícia aos valores comerciáveis, que lugar tem o indivíduo que quer exaltar os espíritos, agitar as inteligências, levantar perplexidades? Que lugar tem o homem que quer incendiar um fervor? 

Nenhum escritor que eu conheço escreve para comprazer professores universitários e muito menos o faziam um Gregório de Matos, Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos. Temos, todos nós, a consciência de um compromisso com a palavra, com a língua materna e também com o povo a que estamos ligados, que procuramos entender e cujo destino, não importa em que medida nos conheça, nos preocupa a todos. Pelo que, se nos aflige como dizer, de modo algum consideramos desprezível o que dissermos. 

Isto, dirá o teórico nacional em dia com os teóricos europeus, é problema do autor, não nosso. Concordo. Não devem ter compromisso com as intenções e as preocupações de escritor algum. Mas poderão, com a mesma desenvoltura, esquivar-se a toda responsabilidade para com a evolução da consciência do seu povo? E é isto o que ocorre, quando, havendo assimilado, com tranquila passividade, atitudes e ideias geradas noutro contexto - com problemas culturais e sociais completamente diversos dos nossos - operam, junto a multidões de alunos para os quais a literatura é ainda terra virgem e que, por isso mesmo, querem informações precisas, concretas, comerciáveis, operam, dizia, como amortecedores da obra literária, diluindo, esbatendo o que a obra literária contém de corrosivo, de demolidor, de esclarecedor, de perturbador. 

Optar nessa direção, entende-se, é uma questão de foro íntimo. Mas quando alguém faz claramente essa opção, temos o direito de olhá-lo de viés. Como diz C. W. Mills: "A verdadeira traição dos intelectuais do Ocidente funda-se na burocratização da cultura. Demasiado artificiosos para sustentar com argumentos explícitos a sua débil atitude política, evitam qualquer debate, e refugiam-se, como intelectuais paralisados, numa esfera puramente técnica e utilitária." 

Osman Lins
1977 


29.5.19

our right to live


Daniel Raventos | 2018

A austeridade, para quem não tem notado, não funciona. Como diz Stiglitz, nunca funcionou. Por uma razão simples: o capitalismo, para expandir, precisa de produtores, mas também de consumidores. No centro do raciocínio, está a ilusão de que não temos recursos suficientes para incluir os pobres. As políticas sociais e um salário mínimo decente não caberiam na economia, no orçamento, ou na Constituição, segundo os políticos. Façam um cálculo simples: o Brasil produz 6,3 trilhões de reais de bens e serviços, o montante do nosso PIB. Isso dividido por 208 milhões de habitantes nos dá um per capita de 30 mil reais por ano, ou seja, 10 mil reais por mês por família de 4 pessoas. Isso está longe das ambições de consumo da nossa classe média alta, mas assegura, para o comum dos mortais, o suficiente para uma vida digna e confortável. Nosso problema não é a falta de recursos, e sim a burrice na sua distribuição.

Ladislau Dowbor


28.5.19

denúncia

Cronicamente inviável00

Não basta explorar
pessoas,

há que se maltratá-las.


chopin na cadeira elétrica


Ratões de porão | 1989


Não pense que você é uma solução
Violência e estupidez aqui sempre existiu
Aqui ninguém tem culpa se o país está na merda
Você está deixando isso aqui muito pior


Se o capitalismo permanecer de pé, se começar a mercantilizar nossas ideias outrora subversivas, é a prova de que eles venceram. Nós perdemos, nós fomos cooptados. Para mim isso é absurdo. Podemos dizer que o feminismo perdeu, que não conquistou nada, só porque a cultura corporativa se sentiu obrigada a demonstrar apoio à condenação do sexismo e firmas capitalistas começaram a comercializar livros, filmes e outros produtos feministas? É claro que não: a menos que tenhamos conseguido destruir o capitalismo e o patriarcado com um golpe mortal, esse é um dos mais claros sinais de que chegamos a algum. É de se presumir que qualquer estrada efetiva para a revolução envolverá infinitos momentos de insurreição ou momentos de autonomia fugaz e encoberta. Hesito mesmo em especular como realmente seria. No entanto, para começarmos a caminhar nessa direção, a primeira coisa que precisamos fazer é reconhecer que, de fato, vencemos algumas. Na verdade, ultimamente, temos vencido um bocado. A questão é como romper o ciclo de exaltação e desespero e gerar algumas visões estratégicas (quanto mais, melhor) dessas vitórias construídas uma sobre a outra, para criar um movimento cumulativo rumo a uma nova sociedade.


mistificação das massas


A superestrutura dos golpistas nada mais é que uma mesmice, hoje em dia, replicada constantemente em forma de memes para controle das massas em favor dos dominantes. Não passa nada.

Os Zé Ruelas da república do corote sucumbiram sem resistência - é claro -  ao que lhes é oferecido pré-fabricado. Mesmo a narrativa. São úteis para a obediência à hierarquização social. Nada de novo.

Trocando em miúdos, o "projeto" da escola sem partido é tirar a prática social da leitura crítica e substitui-la por memes de facebook. Mais fácil que tirar pirulito da boca de criança.

A mamãe e o papai estão lendo memes? Me conta que também receberam no celular bom dia Jesus com glitter. Ó, tadinhos.


27.5.19

all the young punks


The Clash | 1978

Face front you got the future shining
Like a piece of gold
But I swear as we get closer
It look more like a lump of coal

Arte somente para a esfera de consumo?


26.5.19

vazio cultural


Precisamos voltar a realizar um estudo consistente a ponto de explicar (quase desenhando) que o Capitalismo é responsável pela alienação em massa, pelo aumento dos preços, as escolas-prisões e habitações podres e o restante da decadência que vemos ao nosso redor.


inéditos


Enquanto parece não haver outra alternativa para lutar por uma fatia de um bolo social em encolhimento, os fascistas, com suas “soluções” simplórias, vão sendo ouvidos entre os elementos degenerados da classe trabalhadora.


is dead

Megadeth | 1986

What do you mean, "I don't believe in God"?
I talk to him everyday
What do you mean, "I don't support your system"?
I go to court when I have to

Há muitos bonecos bozo-nazis nesta província. Fanáticos adoradores de golpistas. Galinhas verdes. Zé ruelas da república do corote defecando pela boca.


cwb is dead


Cês não não querem debater seriamente questões como cultura história e economia fazendo buzinaço. E quem passa com um caminhão caluniando dizeres como "feminazi peluda", "nossa bandeira jamais será vermelha" (cara, que preguiça!) não está afim de abrir para uma discussão verdadeiramente democrática e política. Isso está muito mais próximo de lemas de torcida de futebol praticados por agentes provocadores, lacaios de facebook. 


cwb is dead



Os subprodutos do sistema tecnológico estão poluindo tanto nosso ambiente físico quanto psicológico.


is dead

Grafitti | 2019

Surda 
muda 
e cega

25.5.19

charlie hebdo


[...]

Safatle também, de forma pouco precisa, classifica erroneamente os cartunistas do Charlie Hebdo como racistas e preconceituosos. Ele não viu as charges onde os cartunistas delatam os abusos realizados contra as minorias na França. Cabu, por exemplo, tem um número de charges muito conhecidas e significativas, onde a polícia francesa - formada por skinheads - está escalada e em ação na repressão de minorias, o que exemplifica a denúncia vinculada pelo Charlie Hebdo contra as práticas de exclusão.

crazy life

Koyaanisqats | 1982

O espírito fundador da civilização começa, muito provavelmente, numa gradual divisão de trabalho ou especialização. As desigualdades surgiram por meio do poder afetivo de vários tipos de especialistas. O caminho para a civilização foi pavimentado pela domesticação dos animais, das plantas e dos nossos próprios antepassados, apenas 10.000 anos atrás, o que deu fim a uma estado de anarquia natural que prevaleceu durante cerca de dois milhões de anos.

Antes da civilizaçao existia um amplo tempo de lazer, autonomia e igualdade de gênero considerável, uma abordagem não destrutiva do mundo natural, a ausência de violência organizada e forte saúde e robustez. A civilização inaugurou as guerras, a submissão das mulheres, o crescimento populacional, o trabalho pesado, as hierarquias arraigadas, e virtualmente todas as doenças conhecidas, só para citar alguns de seus "benefícios".

A civilização começa e se baseia na renúncia forçada da liberdade instintiva e do Eros. Ela não pode ser reformada, portanto é nossa inimiga.


produção não alienada

Cólera | 2004


Engole, engole o assunto do mês


As relações históricas entre vanguardas políticas e artísticas já foram exploradas de forma extensa por outros. Para mim, no entanto, a questão realmente intrigante é: por que artistas são atraídos com tanta frequência para a política revolucionária, em primeiro lugar? Porque parece que, mesmo em tempos e lugares em que não há quase nenhuma outra representação para a mudança revolucionária, o lugar mais propício a abrigar uma é entre artistas, escritores e músicos; mais ainda, na verdade, do que entre intelectuais profissionais. Parece-me que a resposta deve ter algo a ver com alienação. Haveria uma ligação direta entre a experiência de primeiro imaginar e depois concretizar (individual ou coletivamente) - isto é, a experiência de certas formas de produção não alienada -  e a habilidade de imaginar alternativas sociais, em especial a possibilidade de uma sociedade cuja premissa fossem formas de criatividade menos alienadas. Isto nos permitiria ver a mudança histórica entre ver a vanguarda como uma classe artística (ou talvez intelectual) relativamente não alienada a vê-la como representante dos "mais oprimidos" sob uma nova óptica. Na verdade, eu sugeriria, coalizões revolucionárias sempre tendem a constituir numa aliança entre os menos alienados e os mais oprimidos de uma sociedade. E esta é uma formulação menos elitista do que pode soar, pois verdadeiras revoluções parecem tender a ocorrer quando essas duas categorias se sobrepõem. De qualquer forma, isto explicaria por que quase sempre parecem ser os camponeses e os trabalhadores manuais - ou, alternativamente, ex-camponeses e trabalhadores manuais recém-proletarizados - que se rebelam e derrubam regimes capitalistas, e não aqueles conformados a gerações de trabalho assalariado.

[...]

O papel dos povos indígenas, por sua vez, remete-nos aos da etnografia como possível modelo para o pretenso intelectual revolucionário não vanguardista - bem como algumas de suas potenciais ciladas. Evidentemente, o que estou propondo só funcionaria se fosse, em último caso, uma forma de auto-etnografia, combinada, quem sabe, a certa extrapolação utópica:  uma questão de extrair a lógica ou os princípios tácitos que inerentes a determinadas formas de prática radical e, em seguida, não apenas oferecer a análise de volta a essas comunidades, mas utilizá-las para formular novas visões ("se aplicássemos os mesmo princípios que você está aplicando à organização política da economia, não ficaria assim?"...). Aqui também há paralelos sugestivos na história dos movimentos artísticos radicais, que se tornaram movimentos precisamente ao se tornarem seu próprios críticos. Também há intelectuais já tentando, digo isso tudo não tanto para fornecer modelos, mas para abrir um campo de discussão, em primeiro lugar, enfatizando que mesmo a noção de vanguardismo em si é muito mais rica em sua história e muito mais cheia de possibilidades alternativas do que qualquer um de nós poderia esperar.

D. G.
Trad.: H. M.


reunião de cotovelos


Que tal se dermos inicio a uma reconcepção global daquilo que democracia deveria significar, o mais distante possível do neolibrealismo?


grafiti






Divide And Conquer - Bike Punx!


Curitiba 
esta morta

chopin na cadeira elétrica


Nevermore | 2010

Packaged and processed the masses are force fed

Open wide 
and eat the worms 
of the enemy


de la musique


Bikini Kill | 1986


But no one said life was easy
Yeah, but no one said-no one said
Nothings s'possed to happen right?
No, no one told me anything
To prepare me for fucking this



Maria Rita em um show insosso em janeiro deste ano no Teatro Guaíra teve tudo para fazer um discurso antifascista e comeu bola. Não é possível que no núcleo dos golpistas ela tenha perdido a oportunidade de falar sobre o golpe de estado e o atual governo fascista.

Diante disso, eu só posso pedir:
- Volta, Bikini Kill.


24.5.19

punk


The Clash | 1978

Garotos que nunca tocaram um instrumento na vida formaram bandas e, dentro de poucos meses, faziam apresentações públicas. Uma ética do faça você mesmo prevaleceu, com selos independentes de discos lançando bandas desconhecidas, uma vasta proliferação da imprensa independente na forma de zines punk (geralmente xerocados em edições de algumas centenas), e quase todos os punks fazendo alterações no design das roupas, na forma de rasgos e cortes.

A primeira onda de bandas punk flertava com a política, a maioria como The Clash e os Pistols de uma perspectiva esquerdista, outras cono The Banshees e Chelsea pela direita. Algumas, como a Subway Sect eram genuinamente engajadas no comunismo, pelo menos no seu início. Em 1977 emergiram bandas como Crisis, que levava a retórica esquerdista do Clash a sério e cujos membros pertenciam a organizações como Socialist Works Party e o International Marxist Group.

Stewart Home
Trad.: Cris S.

23.5.19

crítica e memória


É interessante lembrar de que maneira tomamos conhecimento de um livro. Pode ter sido dado por alguém, pode ter caído em nossas mãos por acaso, pode ser devido a um artigo de crítica ou à sugestão de um filme. Entrando pela confidência, inevitável no caso, registro que durante muito tempo li e reli obras sobre Gengis Khan e o império das estepes, a sua civilização e as suas campanhas fulminantes porque certa tarde vazia entrei por acaso num cinema e assisti a uma fita inglesa muito ruim, passada no século XIII, onde apareciam uns mongóis. Saí dali para uma livraria e entrei de corpo inteiro numa longa mania bibliográfica.

Antonio Candido

21.5.19

bozolândia


Os pseudo-professores que elegeram um chefe de gangue para a cadeira de presidente do país também estão lutando por uma educação pública gratuita, laica e de qualidade?


psicogeografia


Toda evolução cultura tenderia a minar as bases da religião. O que não é o caso do Brasil e o seu regime de vigência do infantil. Muito pelo contrário.

Sob este aspecto, em nome da moral, começa-se a repressão.

20.5.19

dance of days

Embrace | 1986


No more alcohol
It's a Kool-aid substitute
No more heroin
Death is not glamourous
No more ruling class
You're a bunch of silly kids


Pense no poder que podemos ter se toda a energia e esforço no mundo - ou talvez apenas sua energia e esforço - que são usadas para beber fossem colocadas na resistência, na construção, na criação. Tente adicionar a isso todo o dinheiro que os anarquistas de sua comunidade gastaram em beber coletivamente e imagine quanto equipamento musical, dinheiro para fianças ou comidas-não-bombas poderiam ter pago - ao invés de financiar suas guerras contra todos nós. Melhor: imagine viver em um mundo onde presidentes viciados em cocaína morrem de overdose enquanto músicos radicais e rebeldes vivem até uma velha e madura idade!


verdadeiramente perdido


Espiando através da névoa por trás de seus olhos, ele viu um alcoholograma: um mundo de angústia, onde a intoxicação era a única escapatória. Odiando a si mesmo ainda mais do que ele odiava os assassinos corporativos que tinham criado aquilo, ele cambaleou de volta até a loja de bebidas.

Protegidos em seus apartamentos de cobertura, eles contavam os dólares que lucravam em cima de milhões de pessoas como ele, e riam para si mesmos da facilidade com que toda oposição era esmagada. Mas eles também, frequentemente tinham que beber para dormir - "Se algum dia essas massas derrotadas pararem de voltar para comprar mais", os magnatas às vezes pensavam com seus botões, "será o inferno"


imaginário


Por que 
tão poucos 
anarquistas 
na academia?


spandau


I can see all the weakness
Joy Division

31G-350125
prisioneiro de Rudolf Hess
militar fanático do Terceiro Reich.



19.5.19

[...]


Minor Threat | 1984


You think it fucked my head? 
Think again 

A alienação é o fenômeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a essa criatura como se ela existisse por si mesma e em si mesma, deixam-se governar por ela como se ela tivesse poder em si e por si mesma, não se reconhecem na obra que criaram, fazendo-a um ser-outro, separado dos homens, superior a eles e com poder sobre eles.