20.9.17

quando o fascismo se tornava cada vez mais forte

estêncil | agosto de 2017

Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte na Alemanha / e mesmo trabalhadores o apoiavam em massa / dissemos a nós mesmos: nossa luta não foi correta. / Pela nossa Berlim vermelha andavam em pequenos grupos / nazistas em novos uniformes, abatendo / nossos camaradas. / Mas caiu gente nossa e gente da bandeira do Reich. / Então dissemos aos camaradas do SPD: / Devemos aceitar que matem nossos camaradas? / Lutem conosco numa união anti-fascista! / Recebemos como resposta: / Poderíamos talvez lutar ao seu lado, mas nosso líderes / nos advertem para não usar o terror vermelho contra o branco. / Diariamente, dissemos, nosso jornal combateu os atos de terror / mas diariamente também escreveu que só venceremos / através de uma Frente Unida Vermelha. / Camaradas, reconheçam agora que esse "mal menor" / que ano após ano foi usado para afastá-los de qualquer luta / logo significará ter que aceitar os nazistas. / Mas nas fábricas e nas filas de desempregados / vimos a vontade de lutar dos proletários. / Também na zona leste de Berlim os social-democratas / saudaram-nos com as palavras "Frente Vermelha!" e já usavam o emblema / do movimento antifascista. Os bares / ficavam cheios nas noites de debates. / E então nenhum nazista mais ousou / andar sozinho por nossas ruas / pois as ruas pelo menos são nossas / depois que eles nos roubaram as casas.

Bertolt Brecht
Trad.: Paulo C. 


18.9.17

a necessidade da arte

banksy

Ernst Fischer e Banksy resumem o Brasil contemporâneo que, nas palavras de Millor, tem um grande passado pela frente.
abres aspas 
Numa sociedade em decadência, a arte, para ser verdadeira, precisa refletir também a decadência. 
fecha aspas

experiência ácrata

Hora de construir!

Ainda sobre a experiência ácrata, Felipe Del Solar e Andrés Pérez escrevem que os anarquistas "son absolutamente contrarios a la idea de Dios, por ser esta generadora de sumisión y esclavitud. Por ende, es inaceptable la institucionalización de la religión, sobre todo la católica-apostólica y romana. Por cierto, entre anarquistas han existido algunas excepciones como León Tolstoi, pero en su mayoría prima el ateísmo o un férreo laicismo.


Consideran a la religión como fuente de males y cómplices de la propiedad y la autoridad. Los ácratas presentan a Dios como una mentira inventada por la Iglesia, a la que acusan de ser una de las instituciones encargada de la explotación del pueblo. Del mismo modo, rechazan la caridad por considerarla un camino populista que utilizan los burgueses para el enaltecimiento personal y el hundimiento aún más profundo de los trabajadores, a quienes convierten en sus esclavos dependientes.


15.9.17

paris: maio de 68



Este foi sem dúvida o maior levantamento revolucionário na Europa Ocidental desde a Comuna de Paris.

[...]

Sob a influência dos estudantes revolucionários, milhares de pessoas começaram a questionar todo o princípio hierárquico. Os estudantes o questionaram onde ele parecia ser mais "natural": nos domínios do ensino e do saber. Afirmaram que a autogestão democrática era possível - e para provar começaram eles mesmos a pô-la em prática. Denunciaram o monopólio da informação e produziram milhões de panfletos para rompê-lo. Atacaram algum dos principais pilares da "civilização" contemporânea: as fronteiras entre os trabalhadores manuais e intelectuais, a sociedade do consumo, o caráter "divino" da Universidade e de outras fontes da cultura e da ciência capitalista.
Em questão de dias o enorme potencial criativo das pessoas rapidamente veio à tona. As ideias mais audaciosas e realistas - normalmente são ambas as mesmas - foram defendidas, discutidas, aplicadas. A linguagem, destituída de vida pelas décadas de baboseiras burocráticas, estripada por aqueles que a manipularam para fins publicitário, subitamente reapareceu como algo novo e alegre. As pessoas se reapropriaram dela em toda a sua plenitude. Slogans magnificamente adequados e poéticos emergiram da multidão anônima.

[...]

Ela modificou tantos as relações de força na sociedade, quanto a imagem, na cabeça das pessoas, das instituições estabelecidas e dos dirigentes estabelecidos. Ela obrigou o Estado a revelar sua natureza opressiva e sua essência contraditória. Estudantes desarmados forçaram os poderes estabelecidos a tirar sua máscara, a suar de medo, a recorrer ao cassetete da polícia e à bomba de gás. Os estudantes por fim obrigaram os dirigentes burocráticos das "organizações da classe trabalhadora" a se revelarem como os últimos guardiões da ordem estabelecida.

[...]

"Não foi a fome que levou os estudantes à revolta. Não havia uma "crise econômica" nem mesmo no sentido mais amplo da palavra. Essa revolta não teve nada a ver com o "sub-consumo" ou com "super-produção". A "queda da taxa de lucro" simplesmente não entrou em cena. Além do mais, o movimento estudantil não era baseado em reivindicações econômicas 

[...]

O movimento atual mostrou que a contradição fundamental do capitalismo burocrático moderno não é a "anarquia de mercado". Não é a "contradição entre as forças produtivas e as relações de propriedade". O conflito central ao qual todos os outros conflitos estão relacionados é o conflito entre os que dão ordens (dirigentes) e os que obedecem ordens (executores). A contradição insolúvel que atravessa o âmago da sociedade capitalista moderna é a contradição entre a sua necessidade de excluir as pessoas da gestão de suas próprias atividades e ao mesmo tempo requerer a participação delas, sem a qual ela ruiria. Essas tendências se expressam por um lado na tentativa dos burocratas de converter homens em objetos (pela violência, pela mistificação, por novas técnicas de manipulação - ou "sonhos materiais") e, por outro lado, na recusa humana de permitir que sejam tratados dessa forma. 

[...]

Sempre que se trava uma luta, se é forçado mais cedo ou mais tarde a questionar a totalidade da estrutura social.

Grupo Solidarity
Trad.: Leo V.


14.9.17

por que ver os clássicos


Güeros, de Alonso Ruizpalacios | 2014

O filme Cara gente branca se passa inteiro numa universidade e não há uma cena dos estudantes na biblioteca, uma discussão com profundidade, uma problematização científica, mas estudantes que parecem não ter terminado o ensino médio. Não há possibilidade de pacto ficcional.

O filme Güeros, para termos uma outra ideia, nos mostra uma universidade ocupada e politizada. O mutualismo coletivo em prática, a contracultura acontecendo, o protesto como forma de proteger a educação pública e laica. Nesse há a possibilidade de estabelecer o pacto ficcional.


13.9.17

machado e a inversão do veto

1839 - 1908
[...]

Machado intui que sua sociedade interdita o exercício da ficção a sério para, a partir daí, realizar uma ficção extremamente séria, i.e., extremamente além da que se constituiria a partir de um lastro perceptivo ou documental. O condicionamento causado pela ausência de público, pela presença de um Estado forçosamente clientelístico, além do culto da observação e do documento que vimos marcar nossa tradição desde o romantismo, provocavam uma ficção que ou fosse leve e superficial ou procurasse esconder seu caráter de ficção. Até hoje, por falta de um melhor exame do problema, nossa cultura destila um verdadeiro veto à ficção.

Luiz Costa Lima
Rio, Agosto 1982


12.9.17

rede social


O facebook - conhecido como o latifúndio da comunicação e também como a máquina da lama - se assemelha a uma praça pública na qual escolhemos um banco velho e sentamos para alimentar os pombos. Mas há um grande problema: jogamos muito milhos aos pombos e, de tanto alimentá-los, engordaram como porcos. 

Ionesco fica no chinelo.


paris: maio de 68

Recusamos o papel que nos foi designado,
 não seremos treinados como cães policiais.


Quando maio de 68 eclodiu na França, havia, além da Sorbonne e Nanterre ocupadas, o Centre Censier (a nova Faculdade de Letras da Universidade de Paris). Era nessa faculdade - para articular a nova consciência revolucionária - que os panfletos eram planejados, datilografados e reproduzidos. Tudo cuidadosamente organizado. No decorrer da revolução estudantil, muitos trabalhadores se juntavam aos estudantes para a formulação dos panfletos. No panfleto da Air France podemos encontrar um trecho bastante significativo:
"Recusamos aceitar uma 'modernização' degradante que significa sermos constantemente vigiados e sermos submetidos a condições que são nocivas à nossa saúde, ao nosso sistema nervoso, e que são um insulto à nossa condição de seres humanos... Recusamos a continuar confiando nossas reivindicações a dirigentes sindicais profissionais. Como os estudantes, devemos tomar em nossas mãos o controle de nossas atividades."
No panfleto do Distrito, lemos:
"O governo teme a ampliação do movimento. Ele teme a unidade que se desenvolve entre estudantes e trabalhadores. Pompidou anunciou que o governo defenderá a República. O exército e a polícia estão sendo preparados. De Gaulle falará no dia 24. Será que ele enviará a CRS para retirar os piquetes das empresas em greve? Esteja preparado. Em oficinas e faculdades, pense sobre a autodefesa..."
Importante notar como os panfletos eram políticos. Maurice Brinton narra a atmosfera de contestação da época:
Durante todo o tempo da minha curta passagem pela França eu não vi nada mais profunda e relevantemente político (no melhor sentido do termo) do que a campanha levada adiante a partir do Censier, uma campanha pelo constante controle da luta de baixo para cima, pela autodefesa, pela gestão operária da produção, pela popularização da concepção de conselhos operários, e que explicava a todos a enorme importância, em uma situação revolucionária, das exigências revolucionárias, da atividade auto-organizada, da autoconfiança coletiva. [...] Nas palavras do slogan rabiscado no muro: "On n'est pas la pour s'emmerder".
No mais: A bas L'État policier


11.9.17

o significado do 11 de setembro


1908 - 1973

Se a responsabilidade dos intelectuais se refere à sua responsabilidade moral como seres humanos decentes numa posição para usar seu privilégio e status a fim de dar impulso às causas de liberdade, justiça, misericórdia e paz – e para falar abertamente não apenas acerca dos abusos dos nossos inimigos, mas, de maneira muito mais significativa, dos crimes em que nós mesmos estamos envolvidos e os quais poderíamos aplacar e extinguir se assim escolhêssemos –, como deveríamos pensar no 11 de Setembro?

A noção de que o 11 de Setembro “mudou o mundo” é amplamente aceita e difundida, o que é compreensível. Os eventos daquele dia tiveram consequências de grande envergadura, nacional e internacional. Uma delas foi levar o presidente Bush a declarar novamente a guerra de Reagan contra o terrorismo – a primeira guerra ao terror havia efetivamente “desaparecido”, para tomar de empréstimo a expressão dos nossos assassinos e torturadores latino-americanos favoritos, provavelmente porque seus resultados não combinavam muito bem com a nossa autoimagem preferida. Outra consequência foi a invasão do Afeganistão, depois a invasão do Iraque e as intervenções militares mais recentes em diversos outros países na região, bem como ameaças regulares de ataques ao Irã (“todas as opções estão em aberto”, na frase padrão). Os custos, em todas as dimensões, têm sido enormes. Isso sugere uma pergunta bastante óbvia, e que não é formulada aqui pela primeira vez: havia uma alternativa?

Inúmeros analistas observaram que Bin Laden obteve enormes êxitos em sua guerra contra os Estados Unidos. “Ele afirmou repetidamente que a única maneira de expulsar os EUA do mundo islâmico e derrotar seus sátrapas era arrastar os norte-americanos para uma série de pequenas mais dispendiosas guerras que, ao fim e ao cabo, os arruinaria e os levaria à bancarrota”, escreve o jornalista Eric Margolis. “Os Estados Unidos, primeiro sob George W. Bush e depois Barack Obama, precipitaram-se diretamente na armadilha de Bin Laden [...] Orçamentos e gastos militares grotescamente inchados e o vício compulsivo em dívidas [...] talvez sejam o mais pernicioso legado do homem que julgou ser capaz de derrotar os Estados Unidos. Um relatório do projeto Custos de guerra do Instituto Watson para estudos internacionais e públicos da Universidade Brown estima que a conta final será de 3,2 a 4 trilhões de dólares. Um efeito impressionante de Bin Laden.

Que Washington tinha toda a resoluta intenção de cair na armadilha de Bin Laden logo ficou evidente. Michael Scheuer, o analista sênior da CIA responsável por perseguir e rastrear os passos de Bin Laden de 1996 a 1999, escreveu que “Bin Laden, com precisão cirúrgica, mostrou aos Estados Unidos as razões pelas quais está desencadeando sua guerra contra nós”. O líder da al-Qaeda, continuou Scheuer, estava “determinado a alterar de forma drástica as políticas dos EUA e do Ocidente em relação ao mundo islâmico”.

E, conforme explica Scheuer, Bin Laden foi muito bem-sucedido. “As forças e as políticas dos EUA estão completando a radicalização do mundo islâmico, algo que Osama bin Laden vem tentando fazer com sucesso substancial, porém incompleto, desde o início dos anos 1990. O resultado, parece-me justo concluir, é que os Estados Unidos da América continuam a ser o único aliado indispensável de Bin Laden”. E possivelmente continuam a sê-lo, mesmo após a morte do líder da Al-Qaeda.

Existem bons motivos para acreditar que o movimento juhadista pudesse ter sido dividido e minado após o 11 de Setembro, que recebeu severas críticas dentro do próprio movimento. Além disso, o “crime contra a humanidade”, como foi corretamente rotulado, poderia ter sido tratado como um crime, com uma operação internacional para capturar os presumíveis suspeitos. Essa ideia foi aceita logo após o ataque, mas a sua execução nem sequer foi cogitada pelos tomadores de decisões em Washington. Parece que não se levou a séria a oferta provisória feita pelo Talibã – ainda que não tenhamos como avaliar o grau de seriedade dessa oferta – de apresentar os líderes da al-Qaeda para que fossem submetidos a um processo judicial.

À época, citei a conclusão de Robert Fisk de que o horrendo crime de 11 de Setembro foi cometido com “maldade e crueldade impressionantes” – um juízo exato. Os crimes poderiam ter sido ainda piores: suponhamos, por exemplo, que o voo 93, derrubado por corajosos passageiros na Pensilvânia, tivesse ido tão longe a ponto de atingir a Casa Branca, matando o presidente? Suponhamos que os criminosos planejassem e lograssem impor uma ditadura militar que matasse milhares e torturasse dezenas de milhares. Suponhamos que a nova ditadura estabelecesse, com o apoio dos criminosos, um centro de terror internacional que ajudasse a instalar em outros países regimes de tortura e terror similares e, a cereja do bolo, trouxesse uma equipe de economistas – vamos chamá-los de “os meninos de Kandahar” – que rapidamente conduzisse a economia a uma das piores depressões de sua história. Claramente, isso teria sido muito pior do que o 11 de Setembro.

Como todos deveríamos saber, nada disso é um experimento mental ou mera especulação. Aconteceu. Refiro-me, naturalmente, à quilo que na América Latina é muitas vezes chamado de “o primeiro 11 de Setembro”: o dia 11 de Setembro de 1973, quando os Estados Unidos tiveram êxito em seus esforços para derrubar o governo democrático de Salvador Allende no Chile com um golpe militar que levou ao poder o terrível regime do general Augusto Pinochet. A seguir, a ditadura instalou seus meninos de Chicago –para remodelar a economia do país. Pense na destruição econômica, na tortura e nos sequestros, e multiplique 25 os números de mortos para produzir equivalentes per capita, e você simplesmente verá como foi muito mais devastador o primeiro 11 de Setembro.

O objetivo do golpe, nas palavras da administração Nixon, era matar o “vírus” que poderia encorajar todos esses “estrangeiros [que] estão a fim de foder com a gente” – foder com a gente era tentar assumir o controle de seus próprios recursos e, em termos mais gerais, aplicar uma política de desenvolvimento independente, numa diretriz que causava repulsa em Washington. Em segundo plano, apoiando a decisão do golpe, estava a conclusão do Conselho de Segurança Nacional (National Security Council – NSC, na sigla em inglês) de Nixom de que, se os EUA não eram capazes de controlar a América Latina, não se podia esperar que conseguissem “realizar a sua ordem auspiciosa em qualquer outro lugar no mundo”. A “credibilidade” de Washington seria solapada, na definição de Henry Kissinger.

O primeiro 11 de Setembro, ao contrário do segundo, não mudou o mundo. Não foi “nada de grandes consequências”, conforme assegurou Kissinger ao seu chefe pouco dias depois. A julgar como esse evento figura na história convencional, é difícil apontar alguma imprecisão nas palavras de Kissinger, embora os sobreviventes talvez pensem de forma diferente.

Esses eventos de poucas consequências não se limitaram ao golpe militar que destruiu a democracia chilena e pôs em movimento a história de horror que se seguiu. Como já discutido, o primeiro 11 de Setembro foi apenas um ato de um drama que teve início em 1962, quando Kennedy alterou a missão das Forças Armadas da América Latina para “segurança interna”. Os sinistros resultados também são de pouca importância, o padrão familiar quando a história é guardada e protegida por intelectuais responsáveis.

Noam Chomsky
Trad.: Renato Marques


2.9.17

filosofia da linguagem

estêncil | setembro de 2017

As ditaduras também foram, algumas vezes, "uma expressão dos desejos do povo".

31.8.17

paris: may 1968


Rua Gay-Lussac
Domingo, 12 de maio

[...]

A propaganda através de inscrições e desenhos em muros e paredes é uma parte integrante da Paris revolucionária de Maio de 1968. Ela se tornou uma atividade de massa, parte e parcela do método de auto-expressão da Revolução. Os muros do Quartier Latin são os depositários de uma nova racionalidade, não mais confinada nos livros, mas sim democraticamente exposta no nível da rua e tornada disponível a todos. O trivial e o profundo, o tradicional e o exótico, o convívio íntimo nessa nova fraternidade, quebrando rapidamente as rígidas barreiras e divisões na cabeça das pessoas.

"Désobéir d'abord: alors écris sur les murs (Loi du 10 Mai 1968)" a tinta ainda está fresca e a mensagem é clara. "Si tout le peuple faisair comme nous" ansiosamente sonha outra, em uma alegre intuição, penso eu, mais do que em um espírito de substitucionismo vindo de uma auto-saciação. A maioria dos slogans é direta, precisa e completamente ortodoxa: "Liberez nos camarades", "Fouchet, Grimaud, demisson", "A bas l'État policier", "Greve Générale Lundi", "Travailleurs, étudiants, solidaires", "Vive les Conseils Ouvrièrs". Outros slogans refletem novas preocupações: "La publicité te manipule", "Examens=hiérarchie", "L'art est mort, ne consommez pas son cadavre", "A bas la societé de consommation", "Debout les damnés de Nanterre. O slogan "Baisses-toi et broute" é obviamente direcionado àquelas pessoas mais conservadoras.

"Contre la fermentation groupusculaire" queixa-se uma grande inscrição escarlate. E está realmente fora de compasso. Em todos os lugares há uma profusão de cartazes e periódicos colados: Voix Ouvrière, Avant-Garde e Révoltes (dos trotskistas), Servir le Peuple e Humanité Nouvelle (dos devotos do líder Mao), Le Libertaire (dos anarquistas), Tribune Socialiste (do PSU - Parti Socialiste Unifié, Partido Socialista Unificado). Até mesmo estranhas edições de l'Humanité estão coladas. É difícil lê-las, de tão cobertas que estão por comentários críticos.

Em um tapume, eu vi um grande anúncio de um novo queijo: uma criança mordendo um enorme sanduíche. O jargão dizia "C'est bon le fromage Soand-So". Alguém cobriu as últimas palavras com tinta vermelha. No cartaz ficou escrito "C'est bon la Révolution". As pessoas passam, olham e sorriem.

Solidarity
Trad.: Leo V.


29.8.17

invertendo os valores


Para o intelectual conformista (aliás, perguntou Gramsci, o intelectual é uma pessoa inteligente?) resistir é sinônimo de opressão, como se a "culpa" da existência dos fascistas fosse os antifascistas.


tentativa de balanço: entrevista com Iumna Maria Simon


O que você acha mais proveitoso para o campo literário: o diálogo ou o embate entre crítica e poesia? O que estaria acontecendo hoje?


Isso depende muito, não é? As pessoas dialogam quando têm algo a trocar, consideram o interlocutor relevante e apostam na possibilidade de que um ponto de vista novo surja dessa troca. Quando todos são iguais, para que conversar? Para o silêncio meio deprê dessa falta de assunto existe Prozac, e não crítica. Embates, noutras ocasiões, são necessários para destruir algo que não quer morrer e ajudar alguma coisa nova a surgir. Acredito nas duas práticas, conforme a ocasião, mas acredito também que nem uma nem outra se ajustam ao quadro em que vivemos hoje, o qual exige estratégias novas capazes
de dar conta de uma complexidade a que não estamos preparados. Repetir esquemas da alta modernidade não resolve, porque vivemos numa barbárie multifuncional. Tudo é velho e razoavelmente inadequado, o novo nunca aparece, o consumo nos tornou banalmente iguais. Proveitoso seria um debate estético empenhado em avançar uma discussão à altura da experiência presente, sem preconceitos e também sem mitologias — mas seria ele possível contra tanto interesse articulado social e editorialmente?

Em suma, confesso que não vejo perspectivas e tendências firmes na direção da radicalidade necessária, pois a radicalidade artística sumiu do horizonte, assim como um pouco antes sumiram a social e a política. 



28.8.17

cultural e valor


A banalização da palavra universitário se concretiza quando ela se refere a uma cervejaria. Uma parte da sociedade está a querer transformar os estudantes do ensino superior em qualquer coisa, menos em pesquisadores sérios.

Desde quando, é preciso salientar, o vocabulário acadêmico passou a fazer parte da indústria do álcool?


24.8.17

“Venham e ajudem-nos”

estêncil: Chomsky | 2017

A inspiradora expressão “cidade no alto de uma montanha” foi cunhada por John Winthrop em 1630, que a tomou de empréstimo do Novo Testamento para delinear o glorioso futuro de uma nova nação ordenada por Deus”. Um ano antes, a Colônia da Baía de Massachusetts – que Winthrop ajudou a fundar – havia estabelecido o seu Grande Selo, que retratava um índio com um pergaminho saindo da boca. No pergaminho estão as palavras “Venham e ajudem-nos”. Os colonos britânicos eram, portanto, humanistas benevolentes, respondendo aos apelos dos miseráveis nativos para serem salvos de seu amargo destino pagão.

O Grande Selo é, a bem da verdade, uma representação gráfica da “ideia de Estados Unidos” desde o seu nascimento. Deveria ser exumado das profundezas da psique norte-americana e exibido nas paredes de todas as salas de aula. Certamente deveria figurar como pano de fundo de toda a adoração ao estilo Kim Il-Sung daquele assassino e torturador selvagem Ronald Reagan, que bem-aventuradamente se descreveu como o líder de uma “cidade reluzente no alto de uma montanha” enquanto orquestrava alguns dos crimes mais hediondos em seus anos na presidência, notoriamente na América Central e também em outros lugares.

O Grande Selo foi uma proclamação precoce de “intervenção humanitária”, para utilizar o termo anualmente em voga. Como tem sido habitual desde então, a “intervenção humanitária” resultou em catástrofe para seus supostos beneficiários. O primeiro secretário da Guerra dos EUA, o general Henry Knox, descreveu “a extirpação total de todos os indígenas nas regiões mais populosas da União” por meios “mais destrutivos para os nativos que a conduta dos conquistadores do México e do Peru”.

Muito tempo depois que as suas próprias contribuições significativas para o processo ficaram no passado, John Quincy Adams lamentou o destino “dessa raça infeliz de norte-americanos nativos, que estamos exterminando com uma crueldade tão impiedosa e pérfida em meio aos hediondos pecados desta nação, os quais acredito que Deus um dia haverá de julgar”. A “crueldade implacável e pérfida” continuou até que “o Oeste foi conquistado”. Em vez do julgamento de Deus, os tais hediondos pecados hoje rendem apenas elogios pela realização da “ideia” estadunidense.

Houve, por certo, uma versão mais conveniente e convencional da narrativa, expressa, por exemplo, pelo juiz da Suprema Corte Joseph Story, que ponderou que “a sabedoria da Providência” levou os nativos a desaparecer como “as folhas murchas e secas do outono”, embora os colonos os tenham “respeitado constantemente”. 

A conquista e a colonização do Oeste demonstraram de fato “individualismo e iniciativa”; empreendimentos em que há colônias de povoamento, a mais cruel forma de imperialismo, comumente utilizada. Os resultados foram saudados pelo respeitado e influente senador Henry Cabot Lodge, em 1898. Ao exigir uma intervenção em Cuba, Lodge enalteceu o nosso histórico “de incomparáveis conquista, colonização e expansão territorial, inalcançadas por qualquer povo no século XIX”, e insistiu que “não deveria ser refreado agora”, uma vez que os cubanos também estavam nos pedindo, nas palavras do Grande Selo: “Venham e ajudem-nos”. 

O pedidod de Lodge foi atentido. Os Estados Unidos enviaram tropas, impedindo, assim, a libertação de Cuba da Espanha e transformando a ilha numa colônia norte-americana, situação que perdurou até 1959.

Mais adiante, a “ideia estadunidense” foi ilustrada pela extraordinária campanha, iniciada quase que imediatamente pela administração Eisenhower, para recolocar Cuba em seu devido lugar: guerra econômica (com o objetivo claramente articulado de punir a população para que derrubasse o desobediente governo Castro); invasão; dedicação dos irmãos Kennedy no sentido de levar a Cuba “os terrores da Terra” (a expressão do historiador Arthur Schlesinger Jr. em sua biografia de Robert Kennedy, que considerava a tarefa como uma de suas maiores prioridades), e outros crimes, desafiando a opinião pública mundial praticamente unânime.

Volta e meia aponta-se a tomada de Cuba, Porto Rico e Havaí em 1898 como a origem do imperialismo norte-americano. Mas isso é sucumbir ao que o historiador do imperialismo Bernard Porter chama de “falácia da água salgada”, a ideia de que a conquista só se torna imperialismo quando atravessa água salgada. Assim, se o rio Mississippi se assemelhasse ao mar da Irlanda, a expansão rumo ao Oeste teria sido imperialismo. De George Washington a Henry Cabot Lodge, os que estavam empenhados no empreendimento tinham uma compreensão mais clara da verdade.

Depois do sucesso da intervenção humanitária em Cuba em 1898, o passo seguinte na missão atribuída pela Providência foi conceder “as bênçãos da liberdade e da civilização a todas as pessoas salvas” das Filipinas (nas palavras da plataforma do Partido Republicano de Lodge) – pelo menos aos filipinos que sobreviveram ao ataque assassino e à prática da tortura em grande escala e outras atrocidades que acompanharam a investida. Essas almas afortunadas foram deixadas à mercê da polícia filipina instalada pelos EUA conforme um modelo recém-concebido de dominação colonial, calcado em forças de segurança treinadas e equipadas para sofisticadas modalidades de vigilância, intimidação e violência. Modelos similares seriam adotados em muitas outras áreas onde os EUA impuseram guardas nacionais brutais e outras forças clientes com consequência que deveriam ser bem conhecidas.

Noam Chomsky
Trad.: Renato Marques


20.8.17

ensinando a trangredir


[...]

Quando o consumo cultural coletivo da desinformação e o apego à desinformação se aliam às camadas e mais camadas de mentiras que as pessoas contam em sua vida cotidiana, nossa capacidade de enfrentar a realidade diminui severamente, assim como nossa vontade de intervir e mudar as circunstâncias de injustiça.

[...]

Partilhei apaixonadamente minha crença de que, independentemente de classe, raça, gênero ou posição social, sem a capacidade de pensar criticamente sobre nosso ser e nossa vida ninguém seria capaz de progredir, mudar, crescer. Em nossa sociedade tão fundamentalmente anti-intelectual, o pensamento crítico não é encorajado.

[...]

Meu compromisso com a pedagogia engajada é uma expressão de ativismo político. Pelo fato de nossas instituições educacionais investirem tanto no sistema de educação bancária, os professores são mais recompensados quando seu ensino não vai contra a corrente. A opção por nadar contra a corrente, por desafiar o status quo, muitas vezes tem consequências negativas. E é por isso, entre outras coisas, que essa opção não é politicamente neutra. Nas faculdades e universidades, o ensino geralmente é a menos valorizada de nossas muitas ocupações profissionais. Entristece-me o fato de muitos colegas suspeitarem daqueles professores com quem os alunos gostam de estudar. E existe a tendência a solapar o compromisso dos pedagogos engajados com o ensino, afirmando-se que o que fazemos não é tão rigorosamente acadêmico quanto deveria ser. Idealmente, a educação é um lugar onde a necessidade de diversos métodos e estilo de ensino é valorizada, estimulada e vista como essencial para o aprendizado. De vez em quando os alunos se sentem preocupados quando uma turma se afasta do sistema de educação bancária. Lembro-os de que podem passar o resto da vida em turmas que refletem as normas convencionais.

bell hooks
Trad.: Marcelo B. 
1994


17.8.17

valor e cultura


Olha, não é querer exagerar não, mas a indústria cultural do brasil está a se aproximar daquela devastadora técnica de tortura mental desenvolvida pela CIA.


16.8.17

dialética da escola inquisição


Seria mais inteligente ter uma escola sem igreja, mas, eu sei, a inteligência não é o forte do cidadão de bem.


10.8.17

viver na era do capitalismo artista

1982

Da mesma forma que os bens de consumo corrente aparecem como produtos-moda, o mundo da arte também se mistura de maneira íntima com a moda. Essa proximidade não é recente; diferentes artistas já realizaram no decorrer do século passado figurinos para espetáculos, desenharam motivos para vestuário de moda e cartazes para os espetáculos em exibição. Não obstante, os universos da arte e da moda, pensados como heterogêneos, também funcionavam de acordo com lógicas dessemelhantes. Não é mais assim.

Podemos considerar Warhol como o primeiro elo e a figura prototípica da subversão que se efetuou. Ao se proclamar "business artist", Warhol passa do modelo da boêmia e do artista "suicidado pela sociedade" (Artaud) ao artista mundano que, obcecado pelo sucesso e pelo dinheiro, extrai inspiração do universo da cultura de massa, da moda, do jet set internacional, das imagens de superstars e de todas as formas de celebridade. Suas telas reproduzem dólares, a garrafa de Coca-Cola, "golden shoes", e também os rostos de Marilyn Monroe, Liz Taylor, Elvis Presley. Em seus autorretratos (realizados com rosto maquiado e peruca loura) e em suas serigrafias seriais de estrelas, Warhol exprime seu gosto pela mise-en-scene teatralizada de si, seu fascínio com a artificialidade e a aura das divas. Seu ateliê, a Factory, se torna o centro da vida in e um local de festas perpétuas em que se encontram estrelas, gente da moda, do rock, das mídias, as subculturas da vanguarda. Warhol gosta dos grandes astros e se dedica a construir sua imagem e sua obra conforme os caminhos espetaculares do star-system e da publicidade. Para "ser tão conhecido quanto as latas de sopa Campbell"(Leo Castelli), ele participa de todos os acontecimentos, atuando em todos os campos capazes de atrair a atenção das mídias: pintura, fotografia, cinema, romance gravado em cassete, telenovelas, rock. Não para de se impor como astro hollywoodiano, sendo produtor e diretor de sua própria imagem supermidiatizada. Postulando uma pintura sem profundidade, mecânica e superficial, introduzindo o glamour e o comercial na arte, sua obra assinala o triunfo das aparências e do mercado, da publicidade e da moda. Podemos considerá-lo como o primeiro artista cuja obra é emblemática das hibridizações do capitalismo artista rematado.

A notoriedade de Warhol é tamanha que em 1965 ele é classificado no "barômetro da moda" de Eugenia Sheppard logo depois de Jacqueline Kennedy. Reatando com a lógica espetacular e artificialista da moda, o mundo da arte se aproxima do show, do produto midiático e hip. Com Warhol, todas as fronteiras se confundem, as da arte e dos negócio, da cópia e do original, do museu e do supermercado, da high e da low art, do artista e do astro, da obra e da publicidade, da arte e da moda.

[...] O tempo do artista maldito passou: estamos no momento da transestética, em que o importante é menos a criação do que a celebridade, em que os artistas renomados têm um status de astros reconhecido na grande imprensa, em que o preço das obras parece ser o sinal do seu valor artístico, em que a notoriedade dos artista se constrói como uma marca. No tempo do capitalismo artista, as mídias se impõem como novas instâncias de consagração de talentos, a notoriedade passa cada vez mais pelo caminho do espetacular, da comunicação, da midiatização: o mesmíssimo caminho da moda.

Gilles Lipovetsky & Jean Serroy
Trad.: Eduardo Brandão
2013


8.8.17

el educador mercenario


Se sostiene la pretensión de educar "en la libertad", "en la critica", o "para la emancipación", desde una Instituición diseñada para inculcar el principio de autoridad, reproducir la dominación social y "sujetar" a la juventud?

No existen los profesores autenticamente contestatarios: hay aquí, una contradicción entre los dos términos. Así como no es imaginable un "militar pacifista", un "cura ateo", un "guardia civil anticapitalista", un "verdugo filantrópico", etc.

El oficio de profesor deberíamos dejarlo para los partidarios del status quo, para los adoradores del sistema, para los autocratas em miniatura, para los déspotas, a tiranos.

Naturalizada, presa de lo que Lukacs denominó el "maleficio de la cosificación", la instituición escolar se ha convertido finalmente en un fetiche, en un ídolo sin crepúsculo, y la exigencia del confinamento educativo aparece hoy como un dogma de toda pedagogia reformista o no; como un credo al que se abrazan sin excepción los Estados, dictatoriales o democraticos.

Em mi opinión, la educación libre se da justamente allí donde acaba la escuela, empieza sólo cuando acaba la escuela.

Ya debeis saber que vais a ser contratados por el poder, por el Capital y por el Estado, para llevar a cabo los cotidianos e terroríficos "trabajos sucios" sobre la subjetividade de los jóvenes.

Las dosis de autoengaño que necesita cada dia un profesor para seguir ejerciendo con la consciencia tranquila es inmensa, excesiva, y tiene también sus próprios efectos secundarios. A mí lo que extraña, y casi me aterra, es que no todos pierdan la razón en el aula; lo que me horroriza y casi me deprime es que haya profesores [...] "felices", a gusto en su empleo, clinicamente sanos. Es lo que no entiendo. Un profesor moderno, con la consciencia en paz, la sonrisa siempre fresca en los labios y el corazón en equilibrio, amante de su oficio, dichoso, realizando, es para mí una imagem de pesadilla. Un tipo así no solo encarna la máxima imbecilidad concebible en este mundo, ha de ser, también, un homúnculo desalmado.

Pedro G. Olivo



5.8.17

arte e anarquismo


Jean Dubuffet | 1901 - 1985

Meus próprios impulsos sempre foram, creio, aqueles que constituem a posição do anarquismo - com um vivo gosto pelas fraternidades calorosas - ainda que eu nunca tivesse tido a oportunidade de frequentar os meios anarquistas e que eu conheça apenas de maneira brumosa o que é com justeza a teoria e o programa do anarquismo...

Dubuffet | 1970


4.8.17

sobre el anarquismo

 
Mario Riffo

Ser un anarquista consciente es una situación de permanente dificultad (bastante parecida a ser, por ejemplo, un ateo en la Europa medieval)

Nicolas Walter


1.8.17

nulidade


Quem transforma o outro em pronome pessoal quer apenas a medida do poder para encaixotá-lo nalgum grupo sujeitado. 

Ele nunca tem nome.
Ele não pensa.
Ele precisa de nós.


31.7.17

Intencionalidade, Anarquismo e Arte


O pintor anarquista não é aquele que representa quadros anarquistas, mas aquele que, sem preocupação com o lucro, sem desejo de recompensa, luta com toda a sua individualidade contra as convenções burguesas oficiais por uma contribuição pessoal.

A intencionalidade pode ser uma chave sedutora de abordagem da arte, mas ainda é preciso colocá-la em perspectiva à luz da teoria da "recepção". Este será o tema de uma outra discussão. Enquanto aguardamos, trata-se de decidir qual seria a atitude desejável do artista anarquista. Sem dúvida, a de um artista independente, heterodoxo, aberto à novidade, sempre pronto a questionar-se.

Pietro Ferrua
Trad.: Plínio A.


sociedade sem escolas


Os livros didáticos são instrumentos de alienação. Eu disse isso milhares de vezes. Só servem para os professores que não têm leitura. Muitos fatos ficam de fora, muita referência bibliográfica esquecida, muito exercício para encher linguiça. São instrumentos feitos para a galera da educação que não sabe pesquisar por si próprio: manipulados por um material pronto, mastigado e fragmentado.

Depois não sabemos porque tem professor que só pede cópia no caderno para no final da aula carimbar o mickey mouse na testa do aluno prodígio.


La Canción Demoledora


I

Voy a empuñar mi lira, no a pulsarla / para entonar un himno de entusiasmo / que con sus notas vigorosas pueble / de imágenes hermosas, los espacios; / no a pulsarla con lágrimas inútiles / para que broten de sus cuerdas llantos; / voy a empuñarla, sí, com si fuera / un hacha gigante! con mis manos / quiero hacer un deguello que no deje / una sola cabeza de falsario, / una sola cabeza de canalla, / una sola cabeza de tirano! / quiero segar cabezas / como se siega el pasto!

II

Voy a empuñar mi lira / con toda la pujanza de mis brazos, / con el vigor de bronce de mis músculos / con toda la energía de mis años! / Quiero destruir - la destrucción abona - / todo lo que en el mundo sea falso, / todo lo que en el cielo sea impuro, / todo lo que en la tierra sea malo, / todo lo que en el hombre sea infamia!... / quiero ser sanguinario! / quiero abrazar con el calor que es vida, / la sangre de los pueblos desgraciados / para que hechas volcanes, sus miserias / vomiten sobre todos los tiranos!

III

Voy a empuñar mi lira, sí mi lira / forjada con los hierros del esclavo, / fundida sobre el yunque a martillazos! / Voy a empuñarla cual se empuña un hacha / para pulverizar a los peñascos / donde se posee una injusticia, donde / la mentira se alce, y a pedazos / a los abismos arrojarlos quiero / para allanar mi paso / así, con los escombros de esa historia / que escribieron con sangre los humanos!

IV

Voy a empuñar mi lira... / yo quiero descargala como un rayo / que parta las mezquistas, y los templos, / tronche las cruces, hunda campanarios / y en medio de los escombros del derrumbe / los sacerdotes muertos aplastados! / Porque río de Dios, no me amedrenta / su voz atronadora, yo levanto / mi lira de rebelde, como el ángel / Luzbel, y le amenazo. / Cuando el ruje de rabia en las tormentas / pulso mi lira y canto / porque río de Dios; así haga o diga / me río de sua voz e de su mano!

V

Voy a empuñar mi lira / con toda la potencia de mis brazos / para expulsar a Dios de sus dominios / y llamar a los hombres a ocuparlos. / Voy a arrancar las vendas de los ojos / de todos los que nunca vieron los mitos / que para someterlos se inventaron. // Voy a romper de un golpe las cadenas / que privan de luz al presidiario, / para que forje con sus hierros rotos / un formidable tajo / y ajusticie con él a sus verdugos / que son humildes siervos de tiranos. // Voy a llamar a todos los hambrientos / que comem lo que tiran los lacayos / cuando van a pedir a los señores / las sobras del festín a sus palacios. // Voy a llamar a todos los que dejan / palpitantes pedazos / de carne entre los hierros de la máquina; / a todos los que viven sepultados / en las negras entrañas de la tierra / a todos los que mojan con sus llantos / los surcos donde yace la simiente / que será el alimentos de sus amos; / a todas las mujeres prostituídas / escanciadoras de placeres pagos; / a todas esas madres que a sus hijos / no pueden dar el alimento humano, / ni el calor de sus besos y caricias, / ni el refugio sin par de sus regazos; / a todos los pilletes que en las puertas / amanecen helados; / a todos los maltrechos de la vida; / a todos los inválidos / a todos los vencidos en la lucha / por el pan cotidiano; / a todos los que lucen en sus carnes / la indeleble señal del latigazo; / a todos los que ostentan en sus cuerpos / el pus de las heridas, putrefacto...; / a todos los roñosos de las calles / que vagan al azar hechos guiñapos! / a todos los que viven en montones / cual si fueran gusanos! // Voy a llamar la chusma mancillada / con todos los estigmas del pasado, / la que va al hospital, mora en la cárcel, / su cuna es un zaguán, la calle un atrito; / la que tiene por cama / umbrales, por colchón el empedrado / y por lecho de muerte / un perdido rincón en el osario! // Voy a llamarla, sí, quiero con ella / marchar a la conquista de los astros, / para dejar al cielo en tinieblas / y el camino glorioso iluminarnos! / Con cada sol hacermos una antorcha, / mussalchis serán todos los esclavos / e iremos por los mundos / las cosas carcomidas incendiando.

Alejandro Sux
Buenos Aires, 1906

26.7.17

sociedade sem escolas


Se todos nós estivéssemos envolvidos na criação de um coletivo inteligente e heterogêneo dentro da rede virtual não haveria a necessidade das escolas prisões e muito menos das secretarias de educação.

Mas os profissionais da desinformação e os timoneiros da máquina da lama ainda persistem no fomento da imbecilização como prática educacional.


¡Enrabiaos!

Cuando las palabras
son vacinadas de su contenido
nos invade la pasividad de la
sumisión democrática

HAY MUCHOS TIPOS DE VIOLENCIA,

está en todas partes, y nadie, por más que se proclame «no violento/a», es ajeno a ella. Ya sea por activa, ya sea por pasiva, nuestros actos y nuestras costumbres contienen grandes dosis de violencia para satisfacer nuestro estatus, nuestro bienestar, nuestras costumbres y ocios; en definitiva nuestra forma de vida.

La cuestión no es si somos violentos o no, sino si asumimos que nuestra forma de vida genera violencia (directa o indirectamente), o por el contrario nos creemos en un estadio superior de pureza donde sólo vemos lo que queremos ver, ignorando aquellas cosas que nos hacen sentir incómodas. 

Las personas que se consideran «no violentas» deberían plantearse si no están delegando la violencia necesaria para el desarrollo de su vida (cómoda vida en un país occidental, por más que nos encontremos en medio de una crisis endémica) en los especialistas de la violencia: maderos, granjeros, matarifes, seguratas, etc. Delegar nuestras responsabilidades no nos hace menos responsables. De la misma manera que el, mejor dicho la ministra de defensa es responsable de las violaciones, torturas y asesinatos que cometen los soldados que previamente ha enviado a pueblos que padecen guerras y poseen petróleo, nosotros somos responsables cuando hacemos que otros actúen violentamente en nuestro beneficio.

Algunos ejemplos cotidianos de violencia:

VIOLENCIA es consumir productos de origen animal, especialmente cuando estos productos se «fabrican» de manera intensiva, haciendo entonces que los animales padezcan desde que nacen mutilaciones, violaciones, secuestros a cadena perpetua, engordes forzados, amontonamiento, torturas, desnutrición y maltratos varios hasta la lenta y dolorosa muerte.

VIOLENCIA es llamar a la policía cuando tenemos un problema que no sabemos resolver, por lo que éste se resolverá mediante el miedo que generan a gran parte de la población (por la amenaza de las armas que llevan o de lo que te puede caer en forma de multa o prisión) o mediante la fuerza, como hacen en numerosas ocasiones (¡muchas de ellas sin provocación previa!).

VIOLENCIA es gritarle a alguien para evitar que grite e insulte a la policía. ¿O es que se merece más respeto un antidisturbios que está apalizando a alguien que alguien que sencillamente grita de impotencia? ¿o es que tiene más derecho a gritar alguien de la Organización o de cualquier Comisión de vete a saber que, que el resto de los mortales?

VIOLENCIA es, sencillamente, consumir cosas que no sabemos ni de donde vienen, ni cómo se fabrican, ni de qué país en guerra provienen sus materiales, pero sobretodo, lo más violento es no querer saberlo para no sentirnos cómplices, creyendo que ignorancia es lo mismo que inocencia.

VIOLENCIA es ver una paliza de los seguratas del metro a alguno que se ha colado y no decir nada, mirar al suelo, seguir caminando y justificar nuestra pasividad con el «si hubiese pagado como yo eso no le sucedería...»

VIOLENCIA es ir a trabajar cada día, pero sobre todo el día después de que han despedido a algún o algunas compañeras y pasar a su lado sin mirarle a la cara pensando que «es la ley del mercado».

VIOLENCIA es ver una redada donde cuatro chavales de cara a la pared están siendo humillados por la prepotencia xenófoba-machista-policial, por la sencilla razón de parecer «moros». Y más violento es ver la indiferencia a su alrededor, como si eso no estuviese sucediendo, quizás por miedo a los cuerpos policiales, quizás por el racismo de gran parte de la sociedad, o quizás por que hay prisa porque hoy juega el Barça.

VIOLENCIA es buscar trabajo y tener que humillarte, rebajarte, desnudarte moralmente y comerte la dignidad para mendigar una mierda de trabajo mal pagado del que seguramente te echarán cuando quieran, o cuando oses quejarte de que haces más horas de las que cobras o de que hace dos meses que no te pagan.

VIOLENCIA es sentir los gritos de la vecina cada noche cuando su marido llega a casa medio borracho y descarga la impotencia por la mierda de vida que lleva; y más violento es subir el volumen de la tele para no escucharlos y no tener que ir a llamar a la puerta de delante.

VIOLENCIA es consumir energía sin ser capaces de generarla a pequeña escala, fomentando las centrales nucleares con sus «accidentes», o la inundación de pueblos enteros para hacer centrales hidráulicas , o las mareas negras que de tanto en tanto nos visitan «por culpa de un temporal», o la contaminación de las térmicas, o que planten decenas de «molinos sostenibles» delante de casa (de la gente campesina).

VIOLENCIA es vivir en una cuidad haciendo que nos traigan todas nuestras necesidades de fuera y, paradójicamente, mientras más lejano sea el origen más barato es el producto, fomentando monocultivos intensivos que destrozan tierras lejanas, porque las de aquí quizás ya nos las hemos cargado.

VIOLENCIA es, como decía un cartel después de la huelga del 29S, esta normalidad en la que vivimos, esta democracia en la que, mientras no intentes cambiar nada, siempre podrás quejarte, indignarte y patalear.

VIOLENCIA es creer que antes de la spanishtwitterrevolution no había habido luchas mucho más dignas, pero más violento es ver como se rebajan y asimilan discursos y puntos mínimos pseudo reformistas, personas con una larga trayectoria de lucha seria contra la dominación, pensando que eso puede ser el embrión de alguna cosa. Violencia es comparar esta pantomima con las revueltas nord-africanas que han dejado decenas de muertos y heridos. Violento es ser enemigo de una multitud (de derechas y de izquierdas, que más da) y verla mover las manos al viento para aprobar pedir una reforma electoral que, aunque somos apartidistas, sólo beneficia a los partidos políticos; aunque ninguno nos represente, sería una herramienta para nuestros futuros representantes. Violencia es, en todo caso, la ley de partidos que excluye a gran parte de la sociedad vasca, y más violento es que a la # spanish revolution no se le haya ocurrido exigir su derogación. Violencia es decirle revolución a algo que no pretende revolucionar nada, que ni tan siquiera tiene algún objetivo pragmático ni lo puede tener porque las revoluciones nunca han sido de derechas y de izquierdas a la vez, de empresarios y parados, de ricos y pobres...quien tense más la cuerda se llevara el pastel, podrá marcar la línea a seguir y arrastrar a los ingenuos, perdón, a los indignados que queden. Pero es evidente que las acampadas están siendo unas buenas plataformas para los trepadores y líderes de los pequeños partidos y organizaciones que ven como, por primera vez miles de personas les escuchan mientras dejan ir sus discursos, miles de personas que no saben que están escuchando a los cabecillas de listas de algún partido, asistiendo sin darse cuenta a un mega-mitting-poli-partidista.

VIOLENCIA es... un montón de cosas, muchas de las cuales formamos parte o somos directamente responsables, pero no podemos negar que el ser humano es el animal más violento del planeta, somos extremadamente violentos, y a menudo, gratuitamente violentos. La cosa es: ¿Quien está libre de violencia para imponerle a alguien una No-Violencia parcial? ¿Donde está la frontera entre violencia y no-violencia? ¿Es posible que, con los años y la interiorización del civismo esta frontera haya avanzado, logrando cada vez más situaciones y maneras de hacer? ¿Serían hoy violentos los objetores e insumisos que hace veinte años se enfrentaban a penas de prisión por luchar contra los ejércitos?


24.7.17

a poesia

Atelier Populaire || 1968

A poesia - O que é a poesia? A poesia é a organização da espontaneidade criadora, a exploração do qualitativo segundo as leis internas de coerência, aquilo a que os gregos chamavam poiein, que é o "fazer", mas o "fazer" devolvido à pureza do seu momento original, em outras palavras, à totalidade.

Onde faltar o qualitativo, nenhuma poesia será possível. No vazio deixado pela poesia instala-se o oposto do qualitativo: a informação, o programa de transição, a especialização, o reformismo, em suma, o fragmentário sob suas diversas formas. Contudo, a presença do qualitativo não garante a poesia. Pode acontecer que uma grande riqueza de signos e de possibilidades se perca na confusão por falta de coerência, ou se destrua por interferências mútuas. O critério de eficácia deve predominar sempre. A poesia portanto é também a teoria radical digerida pela ação, o coroamento da tática e da estratégia revolucionária, o apogeu do grande jogo da vida cotidiana.

O que é a poesia? Em 1895, durante uma greve mal começada e que parecia votada ao fracasso, um militante do Sindicato das Estradas de Ferro tomou a palavra e mencionou um processo engenhoso e barato para fazer avançar os objetivos da greve. "Com 2 centavos de um determinado material utilizado corretamente podemos impossibilitar o funcionamento de uma locomotiva". O governo e os capitalistas imediatamente cederam. Aqui a poesia é claramente a ação que gera novas realidades, a ação de inversão de perspectiva. A matéria-prima está ao alcance de todos. São poetas aqueles que sabem como usá-la, que material qualquer não é nada se comparado com a profusão de energia sem igual disponibilizada pela vida cotidiana: a energia da vontade de viver, do desejo desenfreado, da paixão do amor, do amor das paixões, a força do medo e da angústia, o furacão do ódio e o ímpeto selvagem da fúria de destruir. Que transformações poéticas não poderemos esperar de sentimentos tão universais experimentados como aqueles associados à morte, à velhice e à doença? É dessa consciência ainda marginal que deve partir a longa revolução da vida cotidiana, a única poesia feita por todos, e não por um.

"O que é a poesia?", perguntam os estetas. E é então preciso lembrar-lhes esta evidência: a poesia raramente tem a ver com poema. A maior parte das obras de arte trai a poesia. Como poderia ser de outra forma já que a poesia e o poder são inconciliáveis? Quando muito, a criatividade do artista prende-se a si mesma, enclausura-se esperando a sua hora numa obra inacabada, aguardando o dia de dar a última palavra. Mas, mesmo que o autor espere muito dela, essa última palavra - aquela que precede a comunicação perfeita - nunca será pronunciada enquanto a revolta da criatividade não tiver levado a arte à sua realização.

A obra de arte africana, quer se trate de um poema ou de uma música, de uma escultura ou de uma máscara, só é considerada acabada quando é verbo criador, palavra atuante: só quando é um elemento criativo que funciona. Ora, isso não é válido só para a arte africana. Não existe arte alguma no mundo que não se esforce por funcionar; e por funcionar, mesmo no âmbito das recuperações ulteriores, com exatamente a mesma vontade que a gerou: uma vontade de viver na exuberância do momento de criação. Compreende-se por que razão as melhores obras não têm fim? É que elas exigem de todas as formas o direito de se realizar, de entrar no mundo da experiência vivida. A decomposição da arte atual é o arco idealmente retesado para tal flecha.

Nada pode salvar da cultura do passado o passado da cultura, com exceção dos quadros, da literatura, das arquiteturas musicais ou líricas que nos atingem pelo qualitativo, livre da sua forma - de todas as formas de arte. Isso ocorre com Sade, Lautreamónt, e também com Villon, Lucrécio, Rabelais, Pascal, Fourier, Bosch, Dante, Bach, Swfit, Shakespeare, Uccello. Eles se livram do seu envoltório cultural, saem dos museus nos quais a história os tinha colocado e se tornam dinamite para as bombas dos futuros realizadores da arte. O valor de uma obra antiga deve ser avaliado pela parte de teoria radical que contém, pelo núcleo de espontaneidade criadora que os novos criadores se prontificam a libertar para e por uma poesia inédita.

A teoria radical é exímia em dilatar a ação iniciada pela espontaneidade criadora, sem alterá-la nem desencaminhá-la de seu curso. Do mesmo modo, em seus melhores momentos, o processo artístico tenta imprimir ao mundo o movimento de uma subjetividade tentacular, sempre sequiosa de criar e de se criar. Mas, enquanto a teoria radical se gruda à realidade poética (a realidade que se faz), ao mundo que se transforma, a arte adota um processo idêntico com um risco muito mais elevado de se perder e corromper. Só a arte armada contra si mesma, contra aquilo que tem de mais fraco - de mais estético - resiste à recuperação.

É sabido que a sociedade de consumo reduz a arte a uma variedade de produtos de consumo. E quanto mais se vulgariza essa redução, mais a decomposição se acelera, mais crescem as possibilidades de uma superação. A comunicação tão imperativamente desejada pelo artista é impedida e proibida mesmo nas relações mais simples da vida cotidiana. De tal modo que a busca de novos modos de comunicação, longe de estar reservada aos pintores ou aos poetas, é parte hoje de um esforço coletivo. Assim acaba a velha especialização da arte. Já não existem artistas uma vez que todos o são. A futura obra de arte é a construção de uma vida apaixonante.

A criação importa menos que o processo que gera a obra, que o ato de criar. O que faz de alguém um artista é o estado de criação, e não o museu. Infelizmente, o artista raramente se reconhece como criador. Na maior parte do tempo, faz pose diante de um público, se exibe. A atitude contemplativa diante de uma obra de arte foi a primeira pedra lançada no criador. Inicialmente ele provocou essa atitude, mas agora tenta desfazê-la uma vez que, imperativos econômicos. É por isso que não existe mais obra de arte no sentido clássico do termo. Já não pode haver obra de arte, e ainda bem. A poesia reside em outro lugar, nos fatos, nos acontecimentos que criamos. A poesia dos fatos, que sempre foi tratada marginalmente, reintegra hoje o centro dos interesses de todos, o centro da vida cotidiana, que na verdade ela nunca abandonou.

A verdadeira poesia não dá a mínima para poemas. Na sua busca do livro, Mallarmé nada mais desejava do que abolir o poema, e como abolir um poema senão realizando-o? E essa nova poesia foi usada com fulgor por alguns contemporâneos de Mallarmé. Quando o autor de Hérodiade lhes chamou "anjos da pureza", teria ele tomado consciência de que os agitadores anarquistas com suas bombas ofereciam ao poeta uma chave que, encurralado na sua linguagem, ele não podia usar?

A poesia está sempre em algum lugar. O seu recente abandono das artes torna mais fácil ver que ela reside antes de tudo nos gestos, num estilo de vida, numa busca desse estilo. Reprimida em toda parte, essa poesia por toda parte floresce. Brutalmente recalcada, reaparece na violência. Consagra motins, casa-se com a revolta, anima os grandes carnavais revolucionários antes que os burocratas lhe fixem residência na cultural hagiográfica.

A poesia vivida soube provar no decorrer da história, mesmo nas revoltas parciais, mesmo no crime - essa revolta de um só, como disse Coeurderoy - , que ele protegia acima de tudo aquilo que há de irredutível no homem: a espontaneidade criadora. A vontade de criar a unidade do homem e do social, não na base da ficção comunitária, mas a partir da subjetividade, é o que faz da nova poesia uma arma que todos devem saber manejar por si mesmos. A temporada de caça à experiência poética já começou. A organização da espontaneidade será obra da própria espontaneidade.

Raoul Vaneigem
Trad.: Leo V.
1967