28.4.17

Introdução

T. U.

[...]

Capaz de aumentar as riquezas, de produzir e difundir em abundância bens de todo tipo, o capitalismo só consegue isso gerando crises econômicas e sociais profundas, exacerbando as desigualdades, provocando catástrofes ecológicas de grandes proporções, reduzindo a proteção social, aniquilando as capacidades intelectuais e morais, afetivas e estéticas dos indivíduos. Abraçando unicamente a rentabilidade e o reinado do dinheiro, o capitalismo aparece como um rolo compressor que não respeita nenhuma tradição, não venera nenhum princípio superior, seja ele ético, cultural ou ecológico. Sistema comandado por um imperativo de lucro que não tem outra finalidade senão ele próprio, a economia liberal apresenta um aspecto niilista cujas consequências não são apenas o desemprego e a precarização do trabalho, as desigualdades sociais e os dramas humanos, mas também o desaparecimento das formas harmoniosas de vida, o desvanecimento do encanto e da graça da vida em sociedade: um processo que Bertrand de Jouvenel chamava de "a perda de amenidade". Riqueza do mundo, empobrecimento das existências; triunfo do capital, liquidação do saber viver; superpoder das finanças, "proletarização" dos modos de vida.

O capitalismo aparece assim como um sistema incompatível com uma vida estética digna desse nome, com a harmonia, a beleza, o bem viver. A economia liberal arruína os elementos poéticos da vida social;  ela dispõe, em todo o planeta, as mesmas paisagens urbanas frias, monótonas e sem alma, estabelece por toda a parte as mesmas franquias comerciais, homogeneizando os modelos dos shopping centers, dos loteamentos, cadeias de hotéis, redes rodoviárias, bairros residenciais, balneários, aeroportos: de leste a oeste, de norte a sul, tem-se a sensaçao de que aqui é como em qualquer lugar. A indústria cria uma pacotilha kitsch e não cessa de lançar produtos descartáveis, substituíves, insignificantes; a publicidade gera a "poluição visual" dos espaços públicos; as mídias vendem programas dominados pela tolice, a vulgaridade, o sexo, a violência - em outras palavras, "tempo de cérebro humano disponível". Construindo megalópoles caóticas e asfixiantes, pondo em risco o ecossistema, tornando insípidas as sensações, condenando os seres humanos a viver como rebanhos padronizados num mundo insulso, o modo de produção capitalista é estigmatizado como barbárie moderna que empobrece o sensível, como ordem econômica responsável pela devastação do mundo: ele "enfeia toda a terra", tornando-a inabitável de todos os pontos de vista. Esse juízo é amplamente compartilhado: a dimensão da beleza se estreita, a da feiura se amplia. O processo iniciado com a Revolução Industrial prossegue inexoravelmente: é um mundo mais desgracioso que dia após dia se desenha.

Um quadro tão implacável assim não tem falhas? Estamos condenados a aceitá-lo em bloco? Se o reinado do dinheiro e da cupidez tem efeitos inegavelmente calamitosos no plano moral, social e econômico, dá-se o mesmo no plano propriamente estético? O capitalismo se reduz a essa máquina de decadência estética e de enfeamento do mundo? A hipertrofia das mercadorias vai de par com a atrofia da vida sensível e das experiências estéticas? Como pensar o domínio estético no tempo da expansão mundial da economia de mercado? 

LIPOVETSKY, G. SERROY, Jean. L'Esthétisation du monde: vivre à l'âge du capitalisme artiste. Trad.: Eduardo B. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.


25.4.17

a linguagem do parquinho


I

Desde que os anarquistas sentem no fim da sala e fiquem de bico calado, tudo bem para a classe.


24.4.17

mil platôs

Greve Selvagem || 2017


23.4.17

entrevista


Ethiopiques ||1969-1974

com João Gilberto Noll
 E. S.
[...]
Muitas vezes o estilo do escritor vem do erro, da insuficiência, disso que você pode chamar de idiossincrático. Exponho muito as vísceras da minha luta sintática. Às vezes, a sintaxe é uma camisa de força brutal. A voragem mental nem sempre pode ser traduzida dentro do espartilho sintático vigente. Uma das funções do escritor é mostrar a coisa linguística na dor da expressão, mostrar o feio, o mal ajambrado. A beleza vem da insuficiência brutal querendo ser lúcida.


22.4.17

il mondo invisibile


Entrei (inopinadamente) no mundo da escrita com dois livros sobre os campos de concentração; não cabe a mim julgar-lhes o valor, mas eram sem dúvida livros sérios, dedicados a um público sério. Propor a esse mesmo público um volume de contos-entretenimento, de armadilhas morais talvez divertidas, mas distanciadas e frias, não seria o mesmo que praticar uma fraude comercial, como quem vendesse vinho em garrafas de azeite? São perguntas que me fiz ao escrever e publicar estas "histórias naturais". Pois bem, eu não as publicaria se não estivesse convencido (não imediatamente, para ser sincero) de que entre o Lager e essas invenções existe uma ponte, uma continuidade. 

Primo Levi
Trad.: Maurício S. Dias


21.4.17

ecologia cognitiva



O punk é um exercício de explosão de códigos estabelecidos, especialmente no que se refere aos gêneros.
Virginie D.


20.4.17

estilo de controle


NERVO
           S
           S
           O


ecologia cognitiva


[Cartaz plágio]

Pierre Lévy, em As tecnologias da inteligência, de 1990, na tradução de Irineu, escreveu o seguinte:

[...]

A inteligência ou a cognição são o resultado de redes complexas onde interagem um grande número de atores humanos, biológicos e técnicos. Não sou "eu" que sou inteligente, mas "eu"com o grupo humano do qual sou membro, com minha língua, com toda uma herança de métodos e tecnologias intelectuais (dentre as quais, o uso da escrita). [...] Fora da coletividade, desprovido de tecnologias intelectuais, "eu" não pensaria. O pretenso sujeito inteligente nada mais é que um dos micro atores de uma ecologia cognitiva que o engloba e restringe.

[...] 

Quem pensa? Não há um sujeito ou substância pensante, nem "material", nem "espiritual". O pensamento se dá em uma rede na qual neurônios, módulos cognitivos, humanos, instituições de ensino, línguas, sistemas de escrita, livros e computadores se interconectam, transformam e traduzem as representações. 




19.4.17

de la musique


Portishead || NYC || 1997


18.4.17


Noturno Citadino 
recebe a produção de fanzine

Literárias & subversivas /
Poéticas & anárquicas /
Arte iconoclasta /
Pensamento selvagem /
Cyberpunk /



17.4.17

o timoneiro


"Não sou o timoneiro?" - exclamei. "Você?" - disse um homem alto e escuro e esfregou as mãos nos olhos como se espantasse um sonho. Eu estivera ao leme na noite escura, a lanterna ardendo fraca sobre minha cabeça, e agora vinha esse homem e queria me pôr de lado. E já que eu não me afastava, ele calcou o pé no meu peito e me empurrou para baixo devagar enquanto eu continuava agarrado aos raios do leme e na queda o tirava completamente do lugar. Mas o homem pegou-o, colocou-o em ordem e me empurrou dali com um tranco. Eu porém me recompus logo, corri até a escotilha que dava para o alojamento da tripulação e gritei: "Tripulantes! Camaradas! Venham logo! Um estranho me expulsou do leme!". Eles vieram lentamente, subindo pela escada do navio, figuras possantes que cambaleavam de cansaço. "Não sou o timoneiro?" - perguntei. Eles assentiram com a cabeça, mas seus olhares só se dirigiam ao estranho; ficaram em semicírculo ao redor dele e, quando ele disse em voz de comando: "Não me atrapalhem", eles se juntaram, acenaram para mim com a cabeça e voltaram a descer pela escada do navio. Que tipo de gente é essa? Será que realmente pensam ou só se arrastam sem saber para onde sobre a Terra?

Franz Kafka
Trad.: Modesto Carone


15.4.17

bibliografia



Chimamanda já tem lugar certo na biblioteca. Em seu manifesto recém lançado pela Cia das Letras, a autora de Meio sol amarelo resolveu escrever uma carta a sua amiga de infância, que lhe havia perguntado como criar sua filha, Chizalum Adaora, como feminista.

Das quinze sugestões, eu destaco a quinta:


Ensine Chizalum a ler. Ensine-lhe o gosto pelos livros. A melhor maneira é pelo exemplo informal. Se ela vê você lendo, vai entender que a leitura tem valor. Se ela não frequentasse a escola e simplesmente lesse livros, provavelmente se instruiria mais do que uma criança com educação convencional. Os livros vão ajuda-la a entender a se expressar, vão ajuda-la em tudo o que ela quiser ser – chefs, cientistas, artistas, todo mundo se beneficia das habilidades que a leitura traz. Não falo de livros escolares. Falo de livros que não têm nada que ver com a escola: autobiografias, romances, histórias. [...]


de la musique



Stan Getz & Bill Evans is an album by jazz saxophonist Stan Getz and pianist Bill Evans recorded in 1964 for the Verve Label.


14.4.17

o intelectual e a universidade estagnada

Félix Vallotton


Milton Santos publicou este pronunciamento em Outubro de 1997 e continua tão atual como se tivesse escrito ontem.

Separo três fragmentos que me chamaram a atenção.

O intelectual e a Universidade estagnada
Revista Adusp

[...]

Se a universidade pede aos seus participantes que calem, ela está se condenando ao silêncio, isto é à morte, pois seu destino é falar.

[...]

Ser intelectual é exercer diariamente rebeldia contra conceitos assentados, tornados respeitáveis, mas falsos. É, também, aceitar o papel de criador e propagador do desassossego e o papel de produtor do escândalo, se necessário. É preciso, para esse desiderato, ter a boa medida entre a modéstia e a coragem, essas condições do “homem só”, já que o intelectual não é o “nós”, ele não espera o apoio do colega ou do vizinho para avançar. Aliás, na maioria das vezes não avança se a cada passo tem que pedir, solicitar o apoio do colega ou do vizinho. Daí a sua solidão e seu entendimento das chamadas derrotas. O intelectual tem de saber, e a professora Maria Adélia de Souza já o lembrou, que a nossa meta não é o poder, mas o prestígio, que são coisas diferentes.

[...]

Ser intelectual hoje, na fase da globalização, encontra dificuldades oferecidas pela própria definição do que, atualmente, é conhecimento. Neste momento da história e do mundo, o papel do conhecimento como força produtiva direta acaba por atrapalhar o trabalho e complicar o papel do intelectual, ameaçado todos os dias de corrupção.


12.4.17

The 5 Filters of the Mass Media Machine




O consentimento 
está sendo manufaturado 
ao seu redor 
o tempo todo.



10.4.17

atitude no coração da cibercultura


O poder está nas mãos dos cyberpunks: você pode fazer a sua própria literatura, sua própria música, sua própria televisão, sua própria vida - e mais importante de tudo - sua própria realidade.

Queremos a internet, mas não a vigilância eletrônica e spamsqueremos informação livre, mas não sites inseguros que possam ferir a nossa privacidade...

André L.


7.4.17

as tecnologias da inteligência



  • fanzine-se
    [...] 


    Na Idade Média os livros eram enormes, acorrentados nas bibliotecas, lidos em voz alta no atril. Graças a uma modificação na dobradura, o livro torna-se portátil e difunde-se maciçamente. Em vez de dobrar as folhas em dois (in folio), começou-se a dobrá-las em oito (in octavo). Mas para que o Timeu ou Eneida coubessem em um volume tão pequeno, Aldus Manutius, o editor veneziano que promoveu o in-octavo, inventou o estreito caractere itálico e decidiu livrar os textos do aparelho crítico e dos comentários que os acompanhavam a séculos... Foi assim que o livro tornou-se fácil de manejar, cotidiano, móvel, e disponível para a apropriação pessoal. Como o computador, o livro só se tornou uma mídia de massa quando as variáveis de interface "tamanho" e "massa" atingiram um valor suficientemente baixo. O projeto político-cultural de colocar os clássicos ao alcance de todos os leitores em latim não pode ser dissociado de uma infinidade de decisões, reorganizações e invenções relativas à rede de interfaces "livro". 

    Pierre Lévy 
    Trad.: Carlos Irineu 


6.4.17

o intelectual e a universidade estagnada


Se a universidade pede aos seus participantes que calem, ela está se condenando ao silêncio, isto é à morte, pois seu destino é falar. 

[...] 

Ser intelectual é exercer diariamente rebeldia contra conceitos assentados, tornados respeitáveis, mas falsos. É, também, aceitar o papel de criador e propagador do desassossego e o papel de produtor do escândalo, se necessário. É preciso, para esse desiderato, ter a boa medida entre a modéstia e a coragem, essas condições do “homem só”, já que o intelectual não é o “nós”, ele não espera o apoio do colega ou do vizinho para avançar. Aliás, na maioria das vezes não avança se a cada passo tem que pedir, solicitar o apoio do colega ou do vizinho. Daí a sua solidão e seu entendimento das chamadas derrotas. O intelectual tem de saber, e a professora Maria Adélia de Souza já o lembrou, que a nossa meta não é o poder, mas o prestígio, que são coisas diferentes.

[...]

Ser intelectual hoje, na fase da globalização, encontra dificuldades oferecidas pela própria definição do que, atualmente, é conhecimento. Neste momento da história e do mundo, o papel do conhecimento como força produtiva direta acaba por atrapalhar o trabalho e complicar o papel do intelectual, ameaçado todos os dias de corrupção.

Milton Santos
Outubro, 1997


5.4.17

banalidades básicas


Seria tentador explicar o fascismo - como uma entre outras explicações - como um ato de fé, o auto-da-fé de uma burguesia assombrada pelo assassinato de deus e pela distribuição do grande espetáculo sagrado, que se devotou ao diabo, a uma mística invertida, uma mística obscura com seus rituais e seus holocaustos. Mística e grande capital.


4.4.17

dialética da escola-prisão


Vinte e dois

É uma mentira dizer que a escola democratiza algo, ela reproduz uma sociedade de classes que a mantém para isso.


3.4.17

dialética da escola-prisão


vinte e um

Quem trabalha com ensino - em qualquer nível - e não leu Tragtenberg, Paulo Freire e Ivan Illicht não sabe em que se meteu. Nós temos instituições disciplinares, instituições que não atraem os professores contestatários. A fabricação final é um aluno despolitizado e um professor desmobilizado.


1.4.17

Xarpi



Daniel Mittman em seu trabalho sobre o sujeito-pixador pergunta: 

abre aspas:

o
que
leva
diversos
sujeitos 
a, 
ainda proibida, 
praticarem
tal
forma
de
escrita?

fecha aspas.

Uma possível resposta, sinteticamente falando, vem do fato de que esse código-território fechado é uma prática tão convencional que nos remete a Pompéia, cidade esta que foi destruída pelo vulcão Vesúvio, em 76 d.c. como todos sabem.


sobre educação, política e sindicalismo


[...]

a maior doença não é a loucura, é a miséria. O chamado "louco" em 90% dos casos é um homem carente de formação profissional, afeto e atenção. Seu confinamento não resolve, mas agrava o problema, torna-o um doente crônico. Ele é necessário para manter os hospitais psiquiátricos, a equipe de burocratas e para dar a impressão de que aquele que está alem dos muros do hospício é "normal". Na realidade, o que está fora do hospício ainda é produtivo para a reprodução do capital, o que está dentro tornou-se improdutivo à reprodução do capital, em função de doenças sociais contraídas na maioria por péssimas condições de trabalho: ruído industrial, jornada extensa de trabalho, aumento da ansiedade e tensão nervosa em consequência de um urbanismo a serviço do capital. Essa é a razão pela qual Basaglia abriu os manicômios italianos, terminou com o confinamento dos "loucos" e se preocupa hoje em mobilizá-los na luta contra a pobreza, causa primeira da pretensa "loucura". O diagnóstico médico psquiátrico tem função ideológica, ele individualiza a doença tornando o doente culpável da doença social e, ao mesmo tempo, tranquiliza as "boas almas" que detêm o poder econômico e político que aquele doente não irá perturbá-los. É o exemplo do célebre caso "Galdino", um camponês do interior paulista que curtiu oito anos de internação no depósito de doentes chamado "Hospital Psiquiátrico de Franco Rocha", no Estado de São Paulo, sob o diagnóstico de "atitude paranóide". Na realidade, era um camponês que possuía liderança na sua região e atemorizava os donos do poder, que conseguiram "interná-lo" como "doente mental". Como se vê, no Brasil também a internação psiquiátrica cumpre fins repressivos cobertos de aparência "médica" ou "científica". No mesmo sentido, constatou Moffat em sua Psicoterapia del oprimido estudando casos em Buenos Aires.

Uma real educação deve ser fundada num princípio básico: 
sem prêmios ou castigos.

Maurício Tragtenberg
Caxias do Sul, 1979


31.3.17

a televisão brasileira banaliza a realidade


A relação entre a comunicação de massas e o poder se dá na medida em que a televisão se transforma num grande instrumento de "desconversa" dos problemas centrais da realidade nacional e de um novo narcótico para iludir e oprimir um povo já suficientemente explorado nesses quinze anos de "milagre brasileiro".

A televisão brasileira se constitui num grande elemento de banalização da realidade, onde a guerra civil da Nicarágua é tratada da mesma forma que uma notícia sobre o campeonato de futebol ou a corrida de Fórmula 1. Tudo no mesmo nível, sem diferenciar significados. Por outro lado, ela forma uma falsa imagem do ator e atriz de televisão, na maioria escravos da máquina televisiva, que os transforma em marionetes. De igual maneira, participam de uma novela sem maior significado, como de um anúncio comercial que prova que o homem de ação fuma cigarro de tal marca. No fundo, atores, atrizes e técnicos de televisão são novos mitos impingidos ao povo pelos donos dos meios de comunicação, que são os mesmos que cobram juros junto aos grandes bancos, exploram o trabalho operário nas fábricas ou do campesinato no latifúndio.

Por isso, a comunicação televisiva é uma falsa comunicação, é uma comunicação de mão única, onde a mensagem que interessa ao anunciante de um produto qualquer ou ao dono da TV é que aparece ao povo e esse povo não é ouvido, não tem voz, só conta como índice de audiência dos Ibopes da vida. Por isso, digo que a comunicação de massa é repressiva, ela se traduz por uma ordem dos donos do poder econômico e político fantasiada de programa recreativo. Ao mostrar os "enlatados" norte-americanos, ela reduz o mercado de trabalho do ator brasileiro e transmite ao brasileiro miserável do terceiro mundo imagens do mundo desenvolvido que ele nunca chegará a conhecer na sua realidade. Neste sentido, se constitui num acinte ao pobres.

Poderia a TV tornar-se um poderoso instrumento de conscientização e mobilização da maioria da população, mas para isso muita coisa necessária ser mudada na ordem econômica e social e isso não interessa aos detentores do poder econômico e político dominante. A eles interessa um público televisivo que consuma os produtos anunciados e fique embasbacado com o baixo nível dos programas que lhes são oferecidos e ainda aja como uma espécie de o "escravo contente" que acha que tem opção como espectador, que na realidade consiste em mudar de canal de uma besteira a outra. Na medida em que isso narcotiza o povo, reforça o poder de quem o explora: nenhuma classe dominante dispensou o ópio para legitimar seu poder. Hoje, a TV atua como ópio do povo. Em suma, quem contribui para iludir o povo, engabelá-lo, fazê-los esquecer de seus problemas reais é um antipovo, está a serviço dos donos do poder.

Maurício Tragtenberg | 1979


30.3.17

chopin na cadeira elétrica


[Accidente | 2012]

Enamorado de la muerte

Yo ya tengo novia / ya encontré mi amor. / La otra noche la bese / en un callejón / es alta y morena / siempre esta en mi mente / su nombre me volvió loco / su nombre es la muerte. // Un día la muerte se acerco hasta mi / cuando me dio un beso la reconocí / y vi que era bella, me dijo "vámonos" / yo no tenia fuerza y se marcho // Enamorado de la muerte / su belleza me atrapo / día y noche esta en mi mente / condenado a su amor / Enamorado de la muerte / desde el dia que la vi / día y noche esta en mi mente / y es el fin.


29.3.17

onze de setembro

Chomsky

[...]

Nos anos 1980, a Nicarágua foi vítima de um violento ataque conduzido pelos EUA. Dezenas de milhares de pessoas morreram. O país sofreu uma substancial devastação e jamais pôde se recuperar. O ataque terrorista internacional foi acompanhado por uma arrasadora guerra econômica, que um pequeno país, isolado do mundo por uma vingativa e cruel superpotência, dificilmente poderia enfrentar, como revelaram em detalhes os principais historiadores que estudam a Nicarágua, como Thomas Walker, por exemplo. Os efeitos sobre o país foram muito mais severos do que a tragédia ocorrida recentemente em Nova York. E eles não retaliaram bombardeando Washington. Eles recorreram à Corte Mundial, que deliberou em seu favor, ordenando os EUA que voltassem atrás e pagassem uma reparação substancial. Os EUA desdenharam da Corte Mundial e de sua sentença, respondendo com uma nova onde de intensificação dos ataques à Nicarágua. O país, então, recorreu ao Conselho de Segurança, que em consequência passou a discutir uma resolução determinando aos Estados que observassem as leis internacionais. Os EUA, e tão somente eles, vetaram a resolução. A Nicarágua foi então à Assembléia-Geral, que discutiu uma resolução similar, com a oposição, por dois anos seguidos, apenas dos EUA e de Israel (tendo certa vez adesão de El Salvador). [...] Se a Nicarágua fosse suficientemente poderosa, poderia ter convocado uma outra corte criminal.

Noam Chomsky
Trad.: Luiz A. Aguiar

28.3.17

24.3.17

o que resta da ditadura

Dia Nacional de Luta, 1977

[...]

As perdas e as transformações inimagináveis, produzidas pela violenta cesura que a ditadura efetuou na experiência sociopolítica e cultural em curso no país nas décadas de 1950-1960, não foram de todo assimiladas e elaboradas pela sociedade brasileira, uma vez que o luto social requerido torna-se ainda mais difícil nesta cultura que tende à carnavalização e à autoidentificação pela alegria.


10.3.17

George Orwell: a busca da decência


[...]


A educação proporcionada pelas public schools é em parte um treinamento em preconceito de classe, em parte uma espécie de imposto que as classes médias pagam para entrar em certas profissões. Como solução seria necessária uma grande reforma do sistema educacional visando sua democratização, é um passo que passou a achar para cortar o esnobismo pela raiz seria enviar todas as crianças para o mesmo tipo de escola até os dez, doze anos. Ele gostaria de conciliar da melhor maneira possível o aproveitamento das crianças que se revelassem mais bem dotadas com a possibilidade de oferecer uma chance igual a todas elas. Durante algum tempo no começo da década de 30 Orwell chegou a trabalhar como professor em pequenas private schools e seu conhecimento do assunto levou-o a crer que a maioria dessas escolas particulares devia ser suprimida, pois não passava de empreendimentos comerciais, sem o menor respeito pela educação das crianças. Em um de seus livros, A Clergyman's Daughter, ele retrata o tipo de ensino oferecido nessas arapucas, e muito do que o personagem principal vive é retirado de sua experiência. No livro, as tentativas da professora de dar aulas mais interessantes são frustrada pela diretora da escola e pelos pais dos alunos, pessoas ignorantes a quem era fácil iludir com vernizes de conhecimento. A educação de Orwell, numa escola mais cara, foi semelhante - história era decorar datas e frases célebres, geografia era decorar as capitais  dos condados ingleses. Numa carta a uma amiga, logo após parar de dar aulas, ele se mostra contente por abandonar aquele ensino "abominável".

Ricardo B. Neto


14.2.17

reflexão sobre educação


Na verdade o vestibular é um processo de colonização, se eu não me engano, na Argentina, devido a uma reforma universitária de 1918, não há mais exame eliminatório.

Ninguém liberta o "gênio" decorando fórmulas ou tendo como única motivação para os estudos a aprovação no vestibular.


doc



Chomsky & Cia | 2008

Chomsky & Cia. é um documentário francês de Olivier Azam e Daniel Mermet, lançado em 2008. Ele é dedicado ao conhecimento de Noam Chomsky, um dos pensadores mais influentes da segunda metade do século XX. No filme, baseado em reportagens para o programa de rádio “Là-bas Si J’y Suis”, o filósofo tem seus ideais políticos colocado sob foco. Suas formas de compreender os paradoxos do funcionamento das democracias neoliberais são expostas nesse longa, que traz imagens de arquivo junto de montagens, além de entrevistas com intelectuais.


12.2.17

conflitos de vizinhança


Destaco um fragmento importante do artigo Direito de vizinhança, de Zoraide Sabaini, especialista em Direito do Estado.

O Código Civil Brasileiro outorga: 

O proprietário ou inquilino de um prédio tem o direito de impedir que o mau uso da propriedade vizinha possa prejudicar a segurança, o sossego e a saúde dos que o habitam.

Segundo a teoria clássica, o conflito de vizinhança seria a ruptura do equilíbrio, uma vez que entre dois vizinhos deve haver um uso harmonioso. Sempre que um dos proprietários rompe com esse equilíbrio, iniciando uma atividade que não se ajusta à atividade normal, o dano deve recair sobre o autor da ruptura. Podem ser causas de conflito de vizinhança o mau uso da propriedade, isto é, aquele uso que caracteriza ofensa ao sossego, à saúde e a segurança dos vizinhos, tais como: excesso de barulho produzido por manifestações religiosas no interior do templo causando perturbações aos moradores de prédios vizinhos; ruídos excessivos, algazarras, gritarias, diversões espalhafatosas altas horas da noite; manutenção de animais em local impróprio ou inadequado; construções perigosas ou perniciosas à vizinhança e à coletividade; atividades inconvenientes ou insalubres na região; odores insuportáveis, fumaça ou fuligem, poluição de águas, emanação de gases tóxicos, etc.

Algumas vezes esses incômodos são exacerbados, tornando nocivo para o vizinho o uso do imóvel praticado pelo proprietário mediante a ameaça da segurança e do direito daquele. Dessa maneira, a teoria da propriedade fica em crise, ou seja, impotente para resolver os conflitos de vizinhança.


9.2.17

cabezas de tormenta



De no haber existido anarquistas nuestra imaginación política sería más escuálida, y más miserable aun.
Ferrer

8.2.17

os inimigos íntimos da democracia

[1939 - 2017] 

[...] 

Diante do poder econômico desmesurado dos indivíduos ou dos grupos de indivíduos que dispõem de capitais imensos, muitas vezes o poder político se revela fraco demais. Nos Estados Unidos, em nome da liberdade ilimitada de expressão, a Corte Suprema autorizou o financiamento dos candidatos às eleições pelas empresas; concretamente, isso significa que aqueles que têm mais dinheiro podem impor os candidatos de sua escolha. O presidente do país, seguramente um dos homens mais poderosos do planeta, precisou renunciar a promover uma reforma equitativa dos seguros de saúde, a regulamentar as atividades dos bancos, a diminuir os danos ecológicos causados pelo modo de vida de seus concidadãos... Ora, não é livre o homem doente que não tem os meios para se tratar, o homem posto na rua porque não consegue pagar sue empréstimo bancário. Chega-se então ao paradoxo de que a liberdade individual, em cujo nome é rejeitada qualquer intervenção do Estado, fica impedida pela irrestrita liberdade concedida ao mercado e às empresas. 

[...] 

Em abril de 2010, explode uma plataforma da empresa BP no golfo do México, provocando a maior maré negra na história dos Estados Unidos; descobre-se nessa ocasião que a comissão governamental que concede as licenças de perfuração e controla as companhias petrolíferas se compõe essencialmente de antigos empregados dessas mesmas companhias! A liberdade ilimitada dos agentes econômicos não garante, é o mínimo que se pode dizer, a proteção ao meio ambiente, que no entanto é um bem comum. Deixadas sem controle,a s companhias petrolíferas escolhem materiais de construção baratos e portanto não muito confiáveis. Não é de espantar: não sendo indivíduos dotados de uma consciência, as empresas não sentem nenhum remorso por se deixarem guiar unicamente pela busca do lucro. A limitação desse apetite só pode provir de uma instância externa à lógica econômica. 

[...] 

Fukushima se produziu depois de um terremoto e do tsunami que o acompanhou. Ora, essa central fora construída em um determinado lugar - à beira-mar, numa zona altamente sísmica, não longe das grandes cidades - por mais comodidade e, em última análise, porque essa solução era a mais rentável para aqueles que asseguravam sua exploração. A explosão não foi efeito de uma catástrofe natural, mas do conluio entre operadores privados e burocratas governamentais. A extração do gás de xisto rende muito àqueles que a praticam; eles preferem comprar os responsáveis políticos e indenizar os habitantes, em vez de pensar nos efeitos a longo prazo de sua ação. O mesmo ocorre quanto aos outros abusos tecnológicos: o que motiva o uso imediato e imoderado das novas tecnologias não é a aspiração ao conhecimento, mas o desejo de enriquecer, sem preocupar-se com as consequências sobre os outros seres humanos, presentes ou vindouros. E não é somente a cupidez que faz agir assim: os responsáveis por essas escolhas são igualmente ofuscados pela vertigem do poder, pelo orgulho que extraem do fato de controlar as alavancas de uma tal potência, e portanto de decidir sobre o futuro de uma população numerosa. 


Tzvetan Todorov 
Trad.:Joana Melo


7.2.17

Que Pagui Pujol!


Que Pagui Pujol! Es un relato visceral y trepidante, con nombre y apellidos y de alto contenido combativo. Una crónica llena de referencias musicales y localizada en espacios míticos de la capital catalana, muchos de ellos desaparecidos y borrados de la memoria oficial, de una ciudad en constante lucha por mantener prendida la llama de la resistencia. Un collage narrativo que combina la investigación histórica y autobiográfica, con un minucioso esfuerzo por retratar la Barcelona de la década de los 80 desde una òptica punk, a partir de fotografias, carteles y octavillas, fanzines y recortes de prensa. El protagonista del libro es el propio autor: un Joni D adolescente y punk que nos conduce desde la irreverente escena musical alternativa y las primeras okupaciones, hasta las movilizaciones autónomas en contra de la OTAN y el servicio militar, pasando por las primeras coordinaciones con punks de Madrid, Euskal herria. La historia de diez años que empieza con las primeras emisiones de las radios libres, y acaba con el nacimiento de diversos proyectos autogestionados vinculados a los movimientos sociales Barceloneses. Un trabajo militante y resistente que nos muestra el peso y la significación de las contraculturas urbanas, al tiempo que cuestiona la estrategia de la amnesia orquestada durante la Transición.


um chamado à luta criptográfica


[...]

Antes de tudo, lembre-se de que os Estados são sistemas através dos quais fluem as forças repressoras. Facções de um Estado podem competir entre si por apoio, levando ao fenômeno da democracia aparente, mas por trás dessa fachada se encontram, nos Estados, a sistemática aplicação - e fuga - da violência. Posse de terras, propriedades, arrendamentos, dividendos, tributações, multas impostas por decisão judicial, censura, direitos autorais e marcas registradas, tudo isso se faz cumprir por meio da ameaça de aplicação da violência por parte do Estado.
Em geral nem chegamos a nos conscientizar de quão próximos estamos da violência, porque todos nós fazemos concessões para evitá-la. Como marinheiros a favor do vento, raramente percebemos que, abaixo da superfície visível do nosso mundo, se esconde uma grande escuridão.

[...]

O novo mundo da internet, abstraído do velho mundo dos átomos concretos, sonhava com a independência. No entanto, os Estados e seus aliados se adiantaram para tomar o controle do nosso novo mundo - controlando suas bases físicas. O Estado, tal qual um exército ao redor de um poço de petróleo ou um agente alfandegário forçando o pagamento de suborno na fronteira, logo aprenderia a alavancar seu domínio sobre o espaço físico para assumir o controle do nosso reino platônico. O Estado impediria nossa tão sonhada independência e, imiscuindo-se pelos cabos de fibra óptica, pelas estações terrestres e pelos satélites, iria ainda mais longe, interceptando em massa o fluxo de informações do nosso novo mundo - a sua própria essência -, ao mesmo tempo que todos os relacionamentos humanos, econômicos e políticos o receberiam de braços abertos. O Estado se agarraria como uma sanguessuga às veias e artérias das nossas sociedades, engolindo sofregadamente todo relacionamento expresso ou comunicado, toda página lida na internet, todo e-mail enviado e todo pensamento buscado no Google, armazenando esse conhecimento, bilhões de interceptações por dia, um poder inimaginável, para sempre, em enormes depósitos ultrassecretos. E passaria a minerar incontáveis vezes esse tesouro, o produto intelectual privado coletivo da humanidade, com algoritmos de busca de padrões cada vez mais sofisticados, enriquecendo o tesouro e maximizando o desequilíbrio de poder entre os interceptores e um mundo inteiro de interceptados. E, então, o Estado ainda refletiria o que aprendeu de volta ao mundo físico, para iniciar guerras, programar drones, manipular comitês das Nações Unidas e acordos comerciais e realizar favores à sua ampla rede de indústrias, insiders e capangas conectados.


Julian Assange


3.2.17

abre aspas


…o carro tornou a cidade grande inabitável. Tornou-a fedorenta, barulhenta asfixiante, empoeirada, congestionada, tão congestionada que ninguém mais quer sair de tardinha.


André Gorz


2.2.17

censura sofisticada



Podemos pensar na censura como uma pirâmide. É só a ponta dela que aparece na areia, e isso é proposital. A ponta é pública - calúnias, assassinatos de jornalistas, câmeras sendo apreendidas pelos militares e assim por diante -, é uma censura publicamente declarada. Mas esse é o menor componente. Abaixo da ponta, na camada seguinte, estão todas as pessoas que não querem estar na ponta, que se envolvem na autocensura para não acabar lá. Na camada subsequente estão todas as formas de aliciamento econômico ou clientelista que são direcionadas às pessoas para que elas escrevam sobre isso ou aquilo. A próxima camada é a da economia pura - sobre a qual vale economicamente a pena escrever.

Julian Assange


1.2.17

pensamento livre



Vamos retomar uma pergunta básica. O que quer dizer pensamento livre?

O pensamento livre não aceita dogmas da religião tradicional. De qualquer religião. Ou seja, livre-pensador é aquele que não aceita nenhuma ortodoxia herdada, que não se submete a nenhum tipo de controle externo. 

Um homem ou uma mulher, por exemplo, que não acredita em deus, é chamado de livre-pensador.


31.1.17

chopin na cadeira elétrica



Peggio Punx (1981-1992) foi uma banda de hardcore italiana simpatizante da corrente de extrema esquerda denominada Autonomia Operaria.


29.1.17

o cosmopolitismo do pobre


[...]

O maior drama do analfabetismo no Brasil é o de ter ele servido de adubo para a mídia eletrônica do entretenimento, com o consequente desenraizamento cultural da imprensa escrita. O brasileiro aprendeu a escutar rádio e a ver televisão; poucos sabem ou querem ler. Essa afirmativa desconcertante não recobre apenas a camada dos desprivilegiados, ela virou consenso nacional a partir da ditadura militar de 1964. 

[...]

O escritor brasileiro tem a visão da Arte como forma de conhecimento, tão legítima quanto as formas de conhecimento de que se sentem únicas possuidoras as ciências exatas e as ciências sociais e humanas. Ele tem também a visão da Política como exercício da arte que busca o bom e o justo governo dos povos, dela dissociando a demagogia dos governantes, o populismo dos líderes carismáticos e a força militar dos que buscam a ordem pública a ferro e a fogo. 

Silviano Santiago


28.1.17

un' intesa perfetta


[Assalti Frontali]


[...]

O gosto pelos livros e certa introspecção me tornavam um pouco diferente dos amigos de escola e da vizinhança, mas não a ponto de não jogar bola, entrar nas brincadeiras, conversar sobre sexo, meter-me em uma ou outra briga, ir a festas. Mas não me lembro de ter conversado sobre minhas leituras de poesia, a não ser quando já estava na faculdade.

Um retrato | Sérgio Sant'Anna


27.1.17

macaframa



Diretor: Colin Arlen e Colby Elrick | 2010

Documentário sobre a “Fixed gear culture” em San Francisco, California.

Os poderes estabelecidos preferem estradas às ruas porque uma estrada movimentada é nada mais que uma prisão com celas móveis. Um motorista pode deixar a estrada, mas não pode influenciar outros que ajam da mesma forma. Seria como um cadáver começar uma insurreição em um cemitério. Um carro é um acidente procurando algum lugar para acontecer, e quanto mais pessoas têm carros, mas parecidos os lugares se tornam, assim menos significativa se torna sua "liberdade de movimento".
Mr. Social Control


18.1.17

gott ist tot

Via P.M.
Não sou ladrão 
pra fazer 

propaganda 

de Jesus Cristo.




14.1.17

noite


O mundo continua
ruidoso.

Incomunicável
como um deus de plástico.


13.1.17

por um mundo novo, sem capitalismo


Entrevista com MICHAEL LÖWY, cientista e escritor radicado na França desde a década de 1960 e onde atualmente é diretor de pesquisas do Centro Nacional da Pesquisa Científica, que aborda semelhanças – e dessemelhanças – entre Marx e Weber e o ecossocialismo para conter a catástrofe humana e ambiental do capitalismo.

[...]
... acho que é importante tomar a fábrica, porque as condições em que ela vive faz ela produzir outra coisa. Porque o capitalista que produz carro, nunca vai deixar de produzir carro, que polui. Então, se houvesse um trabalhador com consciência ecológica, ele vai poder tomar essa fábrica e decidir produzir bicicleta, por exemplo. Então, eu acho que é essa coisa: uma fábrica a gente quer fechar porque só produz porcaria; outra, a gente quer reorganizar para produzir outra coisa e outras são fábricas que não existem, que a gente vai criar.