[é interessante observar, alunos, como a imagem da estátua simboliza a justiça. O que vocês enxergam?]VII
Há um personagem pelo qual nutro uma grande simpatia. O nome dele é Lord Henry, um dos personagens secundários do romance mais popular de Oscar Wilde, mas que possui uma boa dinâmica no enrendo influenciando Dorian Gray com suas terribles doses homeopáticas do advento de um novo hedonismo. E a literatura, parafraseando um diálogo de Henry, tem daquilo que ele discorre sobre o cigarro: uma doce insatisfação. Às vezes pensamos com certa indiferença: só isso? A arte literária nos prende por alguns instantes os quais podem durar horas, ou nem tanto mais por alguns minutos; mexe com os nossos neurônios, de vez em quando com o nosso corpo, revela-nos o belo impregnado de crueldade; muito entretanto, ao chegar o final, nos surpreendemos: mas era só isto? E acaba. Para o bem ou para o mal, encerramos aquelas outroras páginas e, enfim, fechamos o livro - esse companheiro psicológico - indignados, mas notamos que fica algo de estranho pairando no ar; o mundo ao redor volta. As coisas em seus devidos lugares por justiça ou injustiça.























