18.11.08

diálogos

[menino]

permanentemente em
férias

diferentemente eu envelheci não estou envelhecendo
eu sei que para o bem para o mal eu envelheci
tenho plena consciência desta quantia de realidade

criei uma rotina disciplinei as leituras
botei o cuco em sua devida coerência

refletir grifar rabiscar trechos decisivos
do romance que estuda da filosofia que pesquisa

horas a fio de leitura e releitura faz nascer um desejo
de fumar ah! fumar fumar até acabar nunca mais

começo a reconhecer a passagem das horas
pela cor da cicatriz que tenho no braço esquerdo

assim, cansado, ufa - não é que tinha um montueiro de fotocópias -
botar os livros dentro da mochila ajeitar a jaqueta
suspirar bom fim de dia para o resto que fica na biblioteca

lá fora, a tarde cai melancólica como a existência
morna do hábito que faz o monge

acenar para cima sentado nas escadinhas do pátio
pro vulto de uma pessoa que tira notas do seu velho violão

esfria e vou me preparar vestido de pijama irreal
pra ir dormir como no tempo de eu menino.