taí uma bichinha lá de pelotas que escreve que é uma coisa. para os desavisados, ela se chama angélica freitas e publicou pela cosac naif o saborosíssimo rilke shake [ei!, pra mim uma mistura com pouco leite]. já havia postado um poema dela com imagens de fusca e bala soft. li ele, certa vez, para os meus alunos do ensino médio. eu gostei, eles gostaram. foi unânime. delírio geral [na boca!, fêssor, na boca!]. pois bem, aí vão mais dois. evoé.
FLIPERAMA às margens do tâmisa
jogo basquete indoors com minhas irmãs
no primeiro arremesso
- não meço bem a distância
entre a mão e a cesta -
a bola some atrás do aparelho
minhas irmãs gargalham
eu também
a bola sumiu atrás do aparelho
e então é a vez delas
e elas jogam e acertam e jogam de novo
e da máquina sai uma tripa de bônus
que depois trocamos por balas
ou um brinquedinho -
não lembro
february mon amour
janeiro não disse a que veio
mas fevereiro bateu na porta
e prometeu altas coisas
'como o carnaval', ele disse.
(fevereiro é baixinho,
tem 1,60 m e usa costeletas
faria melhor propaganda
do festival de glastonbury.)
pisquei ligeira nas almofadas:
'nem tô, fevereiro
abandonei o calendário'.
'você é um saco', ele disse
e foi cheirar no banheiro.
[FREITAS, Angélica. Rilke shake. Cosac Naify, Rio de Janeiro: 7 letras, 2007. (Coleção Ás de colete) p. 10 e 12]
