você tem a mania te meter teoria em tudo que fala escreve e pensa. na verdade, carinha, você se esqueceu da sua vida banana, da sua vida estacionamento de carro com mensalidades mensais em débito no cartão de crédito, da sua vida café com leite. você sabe, e somente você, que não vale a pena registrar seus fatos amarelos e tontos e cheirosos de bocejo. e mesmo assim, você faz. sua qualidade literária, embora muito bem definida - tem certeza, carinha, ou você copia os outros? - não é reconhecida. cadê sua bola de cristal? fique sabendo, carinha, que as pessoas não irão te amar porque você escreve e diz que diz o que pensa, ou usa de certos artifícios aprendidos em oficinas literárias para a criação de sua narrativa. seu estilo de artista, óculos da moda, tênis descolado, carinha, não paga a encenação. você tem salvação, carinha, acredite. basta querer. basta voltar à vida normal. mas... não era tudo ilusão, carinha?
vai me dizer que você não esperou a visita? sentado, olhava o aparelho de telefone mudo enquanto pensava em uma nova narrativa, não é, carinha? a imagem veio. o telefone preto de sua situação circunstanciada de presente não tocou. você pressentiu, carinha. porém, não soube esperar. ficou ansioso. e a realidade? ela faz tempo que não te visita, não é, carinha? mas não entremos nesta de realidade. afinal: o que é real, não é mesmo carinha?
fantasia, desejos não concretizados fazem parte do seu cotidiano. sei muito bem que você sente saudades, carinha. sei também o quanto você é triste, carinha. notei isso nos seus olhos, da última vez, naquele fim do baile de máscara. você se escondeu e, agora, tem medo da vida, mas vai sobrevivendo: pensando como os outros irão te olhar. cuidado, sobre o olhar feroz, carinha, não somos objetos? como é duro viver, não é mesmo, carinha?
vai me dizer que você não esperou a visita? sentado, olhava o aparelho de telefone mudo enquanto pensava em uma nova narrativa, não é, carinha? a imagem veio. o telefone preto de sua situação circunstanciada de presente não tocou. você pressentiu, carinha. porém, não soube esperar. ficou ansioso. e a realidade? ela faz tempo que não te visita, não é, carinha? mas não entremos nesta de realidade. afinal: o que é real, não é mesmo carinha?
fantasia, desejos não concretizados fazem parte do seu cotidiano. sei muito bem que você sente saudades, carinha. sei também o quanto você é triste, carinha. notei isso nos seus olhos, da última vez, naquele fim do baile de máscara. você se escondeu e, agora, tem medo da vida, mas vai sobrevivendo: pensando como os outros irão te olhar. cuidado, sobre o olhar feroz, carinha, não somos objetos? como é duro viver, não é mesmo, carinha?
