[...]
Ontem, esbarrei com um cão sem dono e cego, que mancava de uma das patas, os olhos vazados não me viram, mas ele deve ter sentido o meu cheiro, a minha catinga humana. Vagava sem rumo aqui na Lagoa. Não o trouxe para casa. Quem é mais miserável?
[Carlos Heitor Cony - Sem olhos e sem dono. Gazeta do povo: 16 de outubro de 2003.Arquivo particular]
