6.4.10
canibalismo amoroso
ah! meu amigo
me chame pra qualquer coisa, neste dia frio e úmido, nem que seja
pra gente maldizer a mulher que nos negou.
pra gente embebido, já madrugada, cair morto no sofá.
pra gente cheios de cocaína sentir bater no peito o coração o ser e o nada.
pra gente fumar e sobre nossas cabeças a fumaça se evaporar
lenta
devagar
como deve ser a vida.
meu amigo, posso eu sonhar?
ah! meu amigo,
façamos o trato de alugar um quarto com cama para que possamos
levar a mulher odiada e seu corpo que deve ter o gesto mais bonito
(entre os cabelos a mão,
a boca que emite uma voz, o umbigo depois os olhos, um joelho
entre outras coisas que não acho necessário contar)
que nos fará dentre os homens o mais homem.
no quarto alugado, meu amigo
tocaremos violão,
cantaremos
na pieguice em dose alta.
e pode chorar. chora.
e se der, meu amigo, te dou o meu ombro
pra você enconstar.
E se desejar ainda petiscar, meu amigo,
pode comê-lo.