31.8.10

sob o lençol do discurso

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Um escritor - entendo por escritor não o mantenedor de uma função ou o servidor de uma arte, mas o sujeito de uma prática - deve ter a teimosia do espia que se encontra na encruzilhada de todos os outros discursos, em posição trivial com relação à pureza das doutrinas (trivialis é o atributo etimológico da prostituta que espera na intersecção de três caminhos).


[BARTHES, Roland. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977; tradução e posfácio de Leyla Perrone Moisés. São Paulo: Cultrix, 2007. p. 25-26]