25.10.10

da contemporaneidade

[Cena do filme homônimo]

[...]


Inferninho observava seu corpo colado no vestido molhado da água do rio. O bandido pensava em saborear aqueles lábios vermelhos e grossos, tinha vontade de agarrá-la e fazê-la gozar ali mesmo, entre a lua cheia e o mato. Iria meter devagarinho, chupando aqueles seios cheios, depois subiria para a boca, escorrendo a língua mansamente pelo pescoço, lamberia as costas, as coxas, a bundinha, o grelinho dela. Enfiaria a língua em seu ouvido e, ao mesmo tempo, aumentaria o movimento do quadril dando bombadinhas compassadas pra ela chamá-lo de tarado, gostoso, safado. E meteria por trás, pela frente, de ladinho, ela por cima, por baixo. Não iria querer nem Deus o ajudasse. "Duvido que ela não goze um montão de vez", pensou Inferninho. Mas não, não podia estar pensando aquilo, Cleide era mulher de amigo e, afinal de contas, nem tinha dado bola pra ele. Era um gado responsa, que adiantava o lado de todo mundo, e Martelo era um cara maneiro, mas se ela abrisse a guarda um pouquinho ele não perdoaria e crau!

[...]

- Seu marido não te chupa, não? Ah, minha filha... Você não conhece as coisas boa da vida. Antes do meu meter, tem que cair de língua uma meia hora. E no cu? Você não deixa ele colocar no teu, não? Você não sabe o que é bom. Nas primeiras vezes dói, mas depois vai que é uma beleza. Você pega uma banana, esquenta ela um pouquinho, enfia na xereca e manda ele colocar atrás. Parece que você vai voar. Você já fez carrossel? Saca-rolha? Trenzinho? Funil? Dedinho? Meia nove? Tapadinho? Enrola-enrola? Entupidinho? Suga-suga...?

[LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 38 e 117]