17.2.12

por uma mosca morta meu coração balança

[Musca, por Helena Ruiz]

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Dizem que se você não mexer com os marimbondos, eles te deixarão em paz. Ele só ataca quando se sente agredido. Mas é difícil avaliar a psicologia de um marimbondo. E se o cara for paranóico e achar que uma simples piscada d'olhos sua é sinal de hostilidade contra ele? Bom, digamos que acertar aquela cabeçada no vespeiro ao lado de uma linda cachoeira, território deles, não foi muito civilizado da minha parte, mesmo que sem querer. Digamos, então, que, pra mim, com a devida vênia ao ecologicamente correto, marimbondo bom é marimbondo morto, parafraseando grandes humanistas, como Paulo Maluf e o já falecido coronel Erasmo Dias. E vou além: melhor mesmo é fotografia de marimbondo morto. E que se dane a metafísica.


[MORAES, Reinaldo. in: Piauí. fevereiro, 65, 2012. p. 46]