23.4.12

estórias do senhor G.


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O amigo do senhor G., o enciclopedista Henri, recomendou El libro de arena
"Compre-o, é uma pechincha e os contos valem cada centavo. Depois de Borges, somente Montaigne se iguala a ele como leitor", termina o senhor Henri ao tempo que despertou duas pancadinhas na calçada com a ponta do guarda-chuva. Para o leitor atrasado, os dois carinhas tinham se encontrado na rua da casa do senhor G., o qual saia para lecionar. O senhor G. anotou em sua cadernetinha a referência e pensou consigo: "A leitura só tem validade se for trocada com o outro". E o outro foi o senhor Henri despedido de adeuses.



II

Às vezes o senhor Henri, chegado num absinto, bate na porta do senhor G. munido de uma garrafa para adentrar na viagem noturna. Sua remessa lunática.
O senhor G., dia destes de porre, desenhou o senhor Henri igual a Colombo em sua expedição marítima cheia de loucos e mendigos. Mas deixando essas lembranças para trás, voltemos ao livro indicado, mote da estória


III


Ao chegar, muito depois da aula e de seus devaneios, o senhor G. em poucos cliques acessou o livro e encomendou. Fácil, cômodo virtual e em casa.
Passaram alguns dias até que, voltando do seu eterno retorno, o senhor G. viu que havia alguma coisa na caixa de correio. O eterno retorno é a teoria do cotidiano, observou o senhor G. sem dar ao certo a ligação genética em Nietzsche. Embora a ideia tenha virado um aforismo, concluiu os pensamentos para aquele dia:
"se o livro é de areia, ele deveria ter vindo num saquinho." Mas para seu desapontamento, ao abrir a portinhola, o livro adquirido era feito de papel. O senhor G. o recolheu e foi para cama dormir.

O senhor G. Este.