Um homem escreve à máquina uma carta de amor e a má-
quina responde ao homem e à mão como se fosse a
destinatária
quina responde ao homem e à mão como se fosse a
destinatária
Tão aperfeiçoadas as máquinas
a máquina de lavar cheques e cartas de amor
E o homem confortavelmente instalado na sua máquina de
morar lê com a máquina de ler a resposta na máquina
de escrever
E na sua máquina de sonhar com a sua máquina de calcu
lar compra uma máquina de fazer amor
E na sua máquina de realizar os sonhos faz amor com a
máquina de escrever com a máquina de fazer amor
E a máquina o engana com um mecânico
um mecânico que morre de rir.
[PREVERT, Jacques. Poemas: introdução, seleção dos poemas e tradução de Silviano Santiago. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 143]