29.5.12

depois da batalha


O senhor G. foi à banca comprar uma revista para o seu filho adolescente. É apenas um diálogo entre pai e filho.

O senhor G. costuma quebrar tabus.


[Grass - The History of Marijuana, de Ron Mann, 1999]
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Nunca entendi uma coisa. Por que todos os ministros de economia brasileiros até, digamos, 1994, abriram firmas de consultoria ou viravam comentaristas políticos depois que deixavam o poder?
Porque todos invariavelmente haviam falhado em conter a inflação da moeda - mas, depois de humilhantemente fritados e finalmente demitidos, passavam a dar conselhos sobre o que devia ser feito para resolver os problemas da economia. Depois de cagar tudo os caras descolavam uma autoridade sobre os destinos do páis que só vi em motoristas de táxi.
Essa é a minha bronca com o Fernando Henrique Cardoso e a sua recente adesão à causa da maconha. Ele já foi presidente da república, por Jah. E não pode dizer que foi apresentado à erva depois de sair do Palácio do Planalto - um dos motivos porque perdeu a eleição para prefeito de São Paulo em 1985 foi ter declarado que já havia fumado maconha. E o cara nem fez o Bill Clinton, inventando que não tragou.
A pergunta que fica é: por que FHC não botou a questão em pauta em seu governo? Espero na sincera que o ex-presidente, a R$ 50 mil por palestra, continue falando do assunto - e que algum espectador levante a mão para saber porque demorou tanto a começar.
É como se o Imperador Constantino tivesse se convertido ao cristianismo depois de perder a batalha de Ponte Mílvio; e não antes, quando a cruz que adotou o ajudou a ganhar.
A guerra das drogas, FHC perdeu.

[BRANCO, Arnaldo. Sem semente - revista de cultura canábica. ed. 1/Ano1 - Mai/Jun 2012]