22.6.12

Leitor e cidadania

[La lectora, de Miháy Bodó, 2005]

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... os melhores escritores brasileiros têm reagido, insistindo numa estética que desconcerta mais o desconcertado leitor nosso contemporâneo. Tipo formicida tatu com guaraná. Vocação suicida da boa literatura em tempos neoliberais? Ou: incontornável preguiça intelectual do leitor em tempos de economia de mercado? Neoliberalismo político e economia de mercado acentuam a competividade no dia a dia da labuta pela sobrevivência e, por conseguinte, traz o cansaço do ser humano nas horas de lazer. Tudo indica que a combinação de política e economia dominante no Brasil de Fernando Henrique Cardoso acaba por exigir que a obra literária perca seu caráter instigante de objeto de conhecimento para ser apenas objeto de entretenimento para o seu leitor.

SANTIAGO, Silviano. O cosmopolitismo do pobrecrítica literária e crítica cultural