[1917-2012]
[...]
Por que homens e mulheres se tornam revolucionários? Em primeiro lugar, sobretudo porque acreditam que o que desejam subjetivamente da vida não pode ser alcançado sem uma mudança fundamental na sociedade. Há, é evidente, aquele substrato permanente de idealismo, ou se preferirmos, utopismo, que forma parte de toda vida humana e pode converter-se, em determinados momentos, em motivação dominante para os indivíduos, como durante a adolescência ou um amor romântico, e para as coletividades nos momentos históricos ocasionais que correspondem a enamorar-se, isto é, os grande momentos de libertação e revolução. Todo ser humano, por mais pessimista que seja, pode imaginar uma vida pessoal ou uma sociedade que não seja imperfeita. Todos concordam que isto seria maravilhoso. A maioria das pessoas, em um ou outro momento de suas vidas, pensa que uma vida ou sociedade deste tipo são possíveis e muitas delas pensam que devemos convertê-las em realidade.
[...]
É quando as expectativas relativamente modestas do cotidiano parecem irrealizáveis sem revolução, que os indivíduos se tornam revolucionários. [...] As modestas expectativas da vida cotidiana não são, evidentemente, puramente materiais. Incluem todas as reinvindicações que fazemos para nós mesmos ou para as comunidades das quais nos consideramos membros: respeito e autoconsideração, determinados direitos, tratamento justo, etc.
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O comprometimento com a revolução depende, portanto, de uma mistura de motivações: os desejos de uma melhora na vida cotidiana, atrás dos quais, esperando para emergir, está o sonho de uma vida realmente boa; a sensação de que todas as portas estão se fechando a nós, mas, ao mesmo tempo, a sensação de que é possível arrombá-las; o sentimento de urgência, sem o qual os apelos à paciência e a prática reformista não perdem sua força.
Por que homens e mulheres se tornam revolucionários? Em primeiro lugar, sobretudo porque acreditam que o que desejam subjetivamente da vida não pode ser alcançado sem uma mudança fundamental na sociedade. Há, é evidente, aquele substrato permanente de idealismo, ou se preferirmos, utopismo, que forma parte de toda vida humana e pode converter-se, em determinados momentos, em motivação dominante para os indivíduos, como durante a adolescência ou um amor romântico, e para as coletividades nos momentos históricos ocasionais que correspondem a enamorar-se, isto é, os grande momentos de libertação e revolução. Todo ser humano, por mais pessimista que seja, pode imaginar uma vida pessoal ou uma sociedade que não seja imperfeita. Todos concordam que isto seria maravilhoso. A maioria das pessoas, em um ou outro momento de suas vidas, pensa que uma vida ou sociedade deste tipo são possíveis e muitas delas pensam que devemos convertê-las em realidade.
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É quando as expectativas relativamente modestas do cotidiano parecem irrealizáveis sem revolução, que os indivíduos se tornam revolucionários. [...] As modestas expectativas da vida cotidiana não são, evidentemente, puramente materiais. Incluem todas as reinvindicações que fazemos para nós mesmos ou para as comunidades das quais nos consideramos membros: respeito e autoconsideração, determinados direitos, tratamento justo, etc.
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O comprometimento com a revolução depende, portanto, de uma mistura de motivações: os desejos de uma melhora na vida cotidiana, atrás dos quais, esperando para emergir, está o sonho de uma vida realmente boa; a sensação de que todas as portas estão se fechando a nós, mas, ao mesmo tempo, a sensação de que é possível arrombá-las; o sentimento de urgência, sem o qual os apelos à paciência e a prática reformista não perdem sua força.
[HOBSBAWM, E.J. Revolucionários. 3 ed. Tradução de João Carlos Victor Garcia e Adelângela Saggioro Garcia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003. p. 247-248]
