25.6.13

como tudo pode não levar a nada


O mais perigoso no capitalismo, conforme o filósofo esloveno Slavoy Zizek, é que sustenta uma constelação ideológica, privando a maior parte do povo de qualquer mapeamento cognitivo significativo. O capitalismo é a primeira ordem socioeconômica que destotaliza o significado.

Estamos assistindo in loco a exata constatação disso, como uma manifestação social, articulada e legítima, tornou-se um mero passeio cívico – o caráter de ameaça foi isolado e em seu lugar foi posto o da participação. A mídia oficial provou que a melhor maneira de boicotar não é proibir, mas impor. Todo e qualquer cidadão preocupado em melhorar o Brasil que levasse sua indignação para a rua em uma cartolina (compondo assim esta constelação ideológica). Não à toa esta “coqueluche” tem sido vinculada ao movimento “cara pintada”, arquitetado coreograficamente para desempenhar um dos paradoxos da liberdade na democracia burguesa: travestir de iniciativa própria o que é previamente roteirizado.

Para tanto, a polícia até auxilia, formando um cercado tranquilo e aconchegante para que as pessoas se emocionem e rebolem com os versos do hino nacional. Na verdade, o que está em jogo, como acontece nas eleições (cinicamente chamada de “festa da democracia”), é uma renovação de votos com a sociedade liberal burguesa.

Em muitos momentos parecia até mesmo que a maior preocupação dos manifestantes era identificar os “vândalos” e “baderneiros”, combinando inclusive pelas redes sociais em “facilitar a ação da polícia”. Cabe então a pergunta: estas manifestações são pacíficas ou passivas?

P. J.