20.12.13

deus e o estado

[1814-1876]

"Quando Paul Claudel me perguntou se eu não acreditava em Deus,
eu lhe respondi: Qual deles?"

[Campos de Carvalho | A lua vem da Ásia]
 
[...]


Que a crença em Deus, criador, ordenador, juiz senhor, amaldiçoador, salvador e benfeitor do mundo, tenha se conservado no povo, e sobretudo nas populações rurais muito mais do que no proletariado das cidades, nada mais natural. O povo, infelizmente, é ainda muito ignorante e mantido na ignorância pelos esforços sistemáticos de todos os governos que consideram isso, com muita razão, uma das condições essenciais de seu próprio poder. Esmagado por seu trabalho cotidiano, privado de lazer, de relação intelectual, de leitura, enfim, de quase todos os meios e de uma boa parte dos estímulos que desenvolvem a reflexão nos homens, o povo aceita, na maioria das vezes, sem crítica e em bloco, as tradições religiosas. Elas o envolvem desde a primeira idade, em todas as circunstâncias de sua vida, artificialmente mantidas em seu seio por uma multidão de corruptores oficiais de todos os tipos, padres e leigos; elas transformam-se entre eles em um tipo de hábito mental, frequentemente mais poderoso do que seu bom-senso natural.


Bakunin