13.6.15

o cotidiano do professor



Na escola os programas padronizados frequentemente são desenvolvidos no centro de decisão, por grupos ou comissões estaduais, que fixam os currículos oficiais. Os professores universitários herdam uma lista oficial de leituras, que é o modelo tradicional de suas disciplinas. Esses programas padronizados dão pouca autonomia para que professores e alunos reinventem o conhecimento existente.

As autoridades escolares e estaduais procuram elaborar um currículo básico que seja até "à prova de professosres". Imagine só isso - deixar legalmente o professor individual fora do processo de elaboração do conhecimento. Esses currículos mecânicos frequentemente dizem ao professor quantas páginas devem ser lidas por semana, quantas provas devem ser ministradas e a que intervalos de tempo, quantos experimentos de laboratório e quantos anos de História devem ser dados em cada período letivo, e assim por diante. Essa pedagogia se apresenta como um modelo profissional de ensino, muito bem construído, com a aprendizagem facilmente quantificada e medida, facilmente avaliada e convenientemente fiscalizada por supervisores. A contra-revolução de espírito empresarial na educação instaurou um currículo modelado para administradores e contadores. Eles encampam boa parte do dinheiro das escolas e consideram que as escolas poderiam ser perfeitamente administradas se os professores e estudantes não atrapalhassem.

Há uma verdadeira corrente aqui. Os interesses do capital predominam na sociedade e controlam a eleição de servidores públicos, através dos meios de comunicação de massa, dos grupos de pressão, das contribuições de campanha e do sistema bipartidário. Esses servidores planejam e administram o sistema escolar e universitário que, por sua vez, promove a socialização de cada geração favorável ao regime empresarial. O controle estatal do currículo requer o reinado dos administradores e contadores que, então, necessitam de uma pedagogia quantificável para controlar o que os professores e alunos fazem em cada sala de aula. Essa hierarquia considera que a abordagem da transferência de conhecimento é a mais adequada à manutenção da autoridade. Essa corrente de autoridade termina nas escolas e universidades passivas, dominadas pela pedagogia de transferência, no país inteiro.