7.4.17

as tecnologias da inteligência



  • fanzine-se
    [...] 


    Na Idade Média os livros eram enormes, acorrentados nas bibliotecas, lidos em voz alta no atril. Graças a uma modificação na dobradura, o livro torna-se portátil e difunde-se maciçamente. Em vez de dobrar as folhas em dois (in folio), começou-se a dobrá-las em oito (in octavo). Mas para que o Timeu ou Eneida coubessem em um volume tão pequeno, Aldus Manutius, o editor veneziano que promoveu o in-octavo, inventou o estreito caractere itálico e decidiu livrar os textos do aparelho crítico e dos comentários que os acompanhavam a séculos... Foi assim que o livro tornou-se fácil de manejar, cotidiano, móvel, e disponível para a apropriação pessoal. Como o computador, o livro só se tornou uma mídia de massa quando as variáveis de interface "tamanho" e "massa" atingiram um valor suficientemente baixo. O projeto político-cultural de colocar os clássicos ao alcance de todos os leitores em latim não pode ser dissociado de uma infinidade de decisões, reorganizações e invenções relativas à rede de interfaces "livro". 

    Pierre Lévy 
    Trad.: Carlos Irineu