A cidade era um grande tumor
poeirenta de sangue, osso, tijolo.
Uma conspiração histórica
de violência institucionalizada.
Poderes corrompidos.
Animais em extinção.
Reinava a lei mercantil
jamais a economia de conhecimento da natureza.
A cidade fedia
estrume e comida podre.
Celeiro de doenças
parasitas, infecções, rumores.
Epidemias.
Moradores do gueto pipocados de feridas
dividiam paredes com vendedores em busca de lucro fácil.
Mas da janela do aeroplano, a cidade parecia
um pedaço de carniça fervilhando de vermes e moscas
na panela do aquecimento global.