Em 10 de maio de 1933, os nazistas incluíram Freud em suas perseguições, numa espetacular queima de livros. "A exclusão da literatura de esquerda, democrática e judaica teve precedência sobre todo o resto", escreveu o historiador alemão Karl Dietrich Bracher. "As listas negras que estavam sendo compiladas a partir de abril de 1933" incluíam os textos de social-democratas alemães como August Bebel e Eduard Bernstein, de Hugo Preuss, o pai da constituição de Weimar, de poetas e romancistas (da lista constavam Thomas e Henrich Mann) e cientistas como Albert Einstein. "O catálogo recuava a ponto de incluir desde as obras de Heine e Marx até as de Kafka. As queimas de livros realizadas a 10 de maio de 1933, nas praças públicas das cidades e centros universitários, simbolizavam o auto-de-fé de um século de cultura alemã. Acompanhado por desfiles de estudantes à luz de archotes e discursos apaixonados de professores, mas encenado pelo Ministério da Propaganda, esse ato de Barbárie inaugurou uma época que Heinrich Heine havia resumido com as palavras proféticas de que, onde se queimam livros, ao final também se queimam pessoas". As publicações psicanalíticas, com os livros de Freud à frente, não estiveram ausentes do grande incêndio da cultura.
Peter Gay
1923 - 2015
