O capitalismo de hoje de fato não recusa o direito à escola;
o que ele recusa é mudar a função social da escola.
A escola abre-se a crescentes massas de jovens, mas isso á para aprisioná-los em suas estruturas deformadas; ela tem de fato uma função de estabilização do sistema.
A escola apresenta-se como uma válvula de segurança para o mercado do trabalho, como meio de dissimular o crescente número de semidesempregados que o desenvolvimento do capitalismo produz.
Produzir e dominar; dominar aquele a quem se obriga a produzir e que se escraviza a objetivos que lhe são desconhecidos, a instrumentos de trabalho dos quais se lhe impõe minuciosamente o modo de usar: a vontade de domínio está profundamente inscrita na natureza das máquinas, na organização da produção, na divisão do trabalho que ela materializa: o capital, seus representantes e funcionários de um lado; os executores do processo de produção, de outro. Organizações, técnicas de produção, divisão do trabalho formam a matriz material que, invariavelmente, reproduz, por inércia, as relações hierárquicas de trabalho, as relações capitalistas de produção. Marx já tinha visto com clareza, sem, no entanto, tirar conclusões: "A subordinação técnica do operário à marcha uniforme do meio de trabalho e a composição particular do corpo de trabalho, formado por indivíduos de idade e sexo diferentes, criam uma disciplina bem militar, que se torna o regime absoluto das fábricas e desenvolve, amplamente, o já mencionado trabalho dos supervisores e a distinção dos operários em trabalhadores e supervisores, em soldados e suboficiais da indústria".
André Gorz | 1973
Trad.: Estela A.
