6.4.26
Porque não me ufano
Os cus de Judas
Viu por acaso como nos assustamos se alguém, genuinamente, sem segundos pensamentos, se nos entrega, como não suportamos um afecto sincero, incondicional, sem exigência de troca? A esses, os Camilos Torres, os Guevaras, os Allendes, apressamo-nos a matá-los porque o seu combativo amor nos incomoda, procuramo-los, de bazooka ao ombro, raivosos, nas florestas da Bolívia, bombardeamos-lhes os palácios, colocamos no seu lugar sujeitos cruéis e viscosos, mais parecidos connosco, cujos bigodes nos não trepam pelo esófago refluxos verdes de remorso. De forma que as relações sexuais constituem entre nós, percebe, uma violação mole, uma apressada exibição de ódio sem júbilo, a derrota molhada de dois corpos exaustos no colchão, à espera de reencontrarem o fôlego que lhes foge para verificarem as horas no relógio de pulso à cabeceira, se vestirem sem uma palavra, examinarem sumariamente no espelho do quarto de banho a pintura e o cabelo, e partirem, a coberto da noite, ainda húmidos do outro, a caminho da solidão das suas casas. Os que moram a dois, aliás, e dividem com má vontade o edredão e o dentífrico, padecem, de resto, de um isolamento semelhante; ah, as refeições frente a frente, em silêncio, cheias de rancor que se palpa no ar como a água de colónia das viúvas! Os serões junto à televisão acariciando projectos vingativos de assassínio conjugal, a faca do peixe, a jarra da China, um oportuno empurrão pela janela! Os sonhos minuciosamente detalhados do enfarte de miocárdio do marido ou da trombose da mulher, a dor no peito, a boca à banda, as palavras infantis babadas a custo na almofada da clínica!
4.4.26
On the production of subjectivity
2.4.26
La Borde: a clinic unlike any other
Dialética da escola-prisão
Dialética da escola-prisão
Capital
Dialética da escola-prisão
Ressaltemos que o ensino é levado a produzir subjetividades da maneira mais artificial possível, em particular durante a primeira etapa da formação, quando os "professores" se reúnem para improvisar cenas que perpetuam o epistemicídio e atrasam o desenvolvimento da consciência racional. Esse tipo de performance favorece o abandono das atividades com base na ciência e apoia abertamente o domínio da indústria cultural. A classe docente (ou o que se convencionou chamar tal coletivo de funcionários iletrados) não consegue veicular seu próprio sistema de modelização da subjetividade ou uma certa cartografia feita de demarcações cognitivas.
A escola não é espaço de experimento e de existências singulares, ela não está apta a produzir um novo tipo de subjetividade e da tomada de consciência, ela não modifica a forma de ver e de viver mas perpetua o status quo que favorece o conservadorismo social e os reacionários. Não há uma nova relação com o mundo, e o colégio jamais será um lugar reservado à inovação e, principalmente, à prática de leitura. A escola é o anti-prazer do saber, da prática de ler, da incógnita, não é um lugar de vida, mas de alienação infantil. Na escola-prisão não se confere uma nova nota institucional, não se confere uma tentativa de transmutação das mentalidades, não se procura novos temas e variações, não se confere marca ímpar e autêntica, nem mesmo a criação de corpos que superem o comportamento antissocial produzido pelo mass-mídia. Não há contexto para algo brilhante e inteligente ser desenvolvido, repete-se o vazio e não há o mínimo esforço de recriar inteiramente as relações segregacionistas da sociedade e da própria instituição. Não há desejo de sair da mediocridade e muito menos uma evolução das mentalidades. A escola é um sistema de tratamento animal, pois que tipo de experiência os pequenos poderão ter dentro de uma estrutura de tipo carcerário? Ao criticar a configuração de ensino, percebe que é toda uma concepção do "serviço público" que se deve rever.
31.3.26
Comportamento antissocial
Planeta favela
Planeta favela
Mini galeria de perguntas meramente retóricas
Dialética da escola-prisão
Dialética da escola-prisão
Se os professores não são leitores, muito menos os pequenos irão se aventurar no rico universo da literatura. As crianças passam o dia correndo, gritando, cuspindo uns nos outros, se hostilizando, batendo na lata de tinta enferrujada, e ouvindo música ruim repetidamente. É o sistema funcionando para os pobres, retira o fundamento e a crítica e coloca o funk, o batidão, o conteúdo de tik tok. O subdesenvolvido mirim está a ser entupido de algoritmo do spotfy. Não há formação de leitores nem mesmo uma tentativa.
O que é que se está ensinando, afinal? Os "professores" estão ensinando, tem certeza? O que se está formando para o presente e futuro da sociedade? A educação pública virou um desastre, não existe mais espaço para um formação séria e com fundamento, a escola parece um hospício, não há mais contemplação e diálogos com propriedades.
30.3.26
Os cus de Judas
À tarde, o tenente e eu costumávamos parar o jeep na cerca de grades oxidadas, retirar o assento traseiro, instalarmo-nos junto de uma árvore sob o sossego gordo dos pássaros, um silêncio grande e bom de folhas altas, e fumávamos sem falar porque as palavras se tornavam subitamente desnecessárias como um barco na cidade, um aquário no mar, um fingimento de orgasmo durante o orgasmo, fumávamos sem falar e uma quietude de paz deslizava devagarinho pelas veias a reconciliar-nos connosco, a perdoar-nos estarmos ali, ocupantes involuntários em país estrangeiro, agentes de um fascismo provinciano que a si mesmo se minava e corroía, no lento ácido de uma triste estupidez de presbitério.
Mrs Dalloway
One cannot bring children into a world like this. One cannot perpetuate suffering, or increase the breed of these lustful animals, who have no lasting emotions, but only whims and vanities, eddying them now this way, now that.Virginia Woolf1882 - 1941
28.3.26
A caminho de uma teocracia
Os cus de Judas
27.3.26
Fable
Laboratório do desamparo
O sul é o meu país?
Porque não me ufano
26.3.26
Kalash, mon amour
O sul é o meu país?
Porque não me ufano
Dialética da escola-prisão
Dialética da escola-prisão
Dialética da escola-prisão
25.3.26
Violência política
VIOLÊNCIA é trabalhar durante 40 anos
ganhando salários miseráveis e se perguntando
se algum dia poderá se aposentar... VIOLÊNCIA
são títulos públicos e fundos de pensão
roubados, e fraudes no mercado de ações...
VIOLÊNCIA é desemprego, emprego temporário...
VIOLÊNCIA são "acidentes" de trabalho...
VIOLÊNCIA é ficar doente por causa do trabalho
insano... VIOLÊNCIA é tomar drogas psiquiátricas
e vitaminas para lidar com as horas de trabalho
exaustivas... VIOLÊNCIA é trabalhar por dinheiro
para comprar remédios para consertar a
mercadoria que é a sua força de trabalho...
VIOLÊNCIA é morrer em macas de hospitais
horríveis quando não se pode pagar todas as
taxas.
(Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos)
Atenas, dezembro de 2008
24.3.26
Mini galeria de perguntas meramente retóricas
Investigação
O mundo da fantasia
The history of fairy-stories is probably more complex than the physical history of the human race, and as complex as the history of human language. All three things: independent invention, inheritance, and diffusion, have evidently played their part in producing the intricate web of Story. It is now beyond all skill but that of the elves to unravel it. Of these three invention is the most important and fundamental, and so (not surprisingly) also the most mysterious.
Je choisis la laïcité
Dialética da escola-prisão
Epistemicídio
Dialética da escola-prisão
Dialética da escola-prisao
Dialética da escola-prisao
A escolinha Jean Piaget virou definitivamente uma biqueira. As professorinhas deixam mais excitadas de nervosas as crianças que passam o dia ouvindo funk e pancadão. A educação formal voltada para os pobres é terrivelmente péssima, a escolinha-prisão não forma leitores. As crianças sob o batidão ficam mais barulhentas que o normal e não aprendem um vocabulário novo, a imaginação não se desenvolve. É a educação dominada pela música comercial de péssima qualidade.
Porque não me ufano
Não é mais a produção de “homens honestos” e cultos, de indivíduos aptos a julgar e a resolver as dificuldades circunstanciais que a sociedade se propõe a desenvolver mas sim de sujeitos intelectualmente desclassificados que acreditam em contos de fadas difundidos por qualquer charlatão. A cabeça do subdesenvolvido é cada vez mais guiada por preconceitos teológicos e por conteúdos reacionários e discursos motivacionais.
Porque não me ufano
O Brasil irá piorar muito. Não tenha dúvidas disso. É o destino de um país subdesenvolvido e desorganizado. As pessoas, principalmente os cristãos, sempre eles, não conseguem respeitar o mínimo espaço privado alheio. Praticar a leitura enquanto se procura emprego parece incomodar os residentes do terceiro mundo. A hostilização é a norma de uma sociedade que não foi fundamentada por princípios humanos capazes de construir uma cidade harmoniosa, letrada e solidária.
23.3.26
Dialética da escola-prisao
22.3.26
Smoke rolling down street
Words of consolation of a progress grow desperate
Our age gives the impression of being an interim state; the olde ways of thinking, the old cultures are still partly with us, the new not yet secure and habitua and thus lacking in decisiveness and consistency. It looks as though everything is becoming chaotic, the old becoming lost to us, the new proving useless and growing ever feebler. But the same things is experienced by the soldier learning to march: for a time he is more insecure and awkward than ever, because he is moving his muscles now according to the old method, now according to the new, and as yet weither has carrief off the victory. We are faltering, but we must not let it make is afraid and perhaps surrender the new things we have gained. Moreover, we cannot return to the old, we have burned our boats; all that remains is for us to be brave, elt happen what may. - Let us only go foward, let us only make a move. Perhaps what we do will present the aspect of progress; but if not, let us heed the words of Friedrich the Great and take consolation from them: "Ah, non cher Sulzer, vous ne connaissez pas assez cette race maudite, à laquelle nous apparte nous".
21.3.26
Capitalism and the real
20.3.26
Dialética da escola-prisão
No longer the pleasures: Joy Division
O lucro ou as pessoas?
18.3.26
Experiência e pobreza
Sociedade do consumo
A cultura de massa não se propõe a reproduzir e reconduzir o esforço dos grandes marxistas, nem mesmo o mínimo que seria uma sociedade de gente letrada e educada. Ela está subordinada a três fins específicos: fim económico, o fim político e o fim religioso.




















