28.3.26

Country chicken floor


The hillbilly from the south
says revolutionary,
but he is just city cockroach.

Just noise?


Can't the subaltern speak.

A caminho de uma teocracia


A intolerância contra os ateus está se alastrando feito câncer na periferia do capitalismo. A descrença no sobrenatural anda a gerar hostilidade e reações violentas em pessoas religiosas.

Eis alguns casos recentes:

Um homem de 50 anos tentou matar o vizinho após uma discussão sobre a existência de deus. Em Indaiatuba, um homem sofreu agressões físicas após declarar seu ateísmo.

No Rio de Janeiro, um jovem foi expulso de casa pelos pais evangélicos, após ter assumido sua posição de descrença no sobrenatural.

Tende a piorar, no ambiente de trabalho tornou-se comum demissões ou perseguições de funcionários que se recusam a participar de orações coletivas.

No Brasil, visões distorcidas, julgamentos precipitados baseados em interpretações dogmáticas, discriminação e exclusão de pessoas que se declaram não crentes são fenômenos recorrentes e está virando um padrão social hegemônico. 

Os cus de Judas


Tento desesperadamente fixar, dizia, o cenário que habitei tantos meses, as tendas de lona, os cães vagabundos, os edifícios decrépitos da administração defunta, morrendo pouco e pouco numa lenta agonia de abandono: a ideia de um África portuguesa, de que os livros de História do liceu, as arengas dos políticos e o capelão de Mafra me falavam em imagens majestosas, não passava afinal de uma espécie de cenário de província a apodrecer na desmedida vastidão do espaço, projectos de Olivais Sul que o capim e os arbustos rapidamente devoram, e um grande silêncio de desolação em torno, habitado pelas carrancas esfomeadas dos leprosos. As Terras do Fim do Mundo eram a extrema solidão e a extrema miséria, governadas por chefes de posto alcoólicos e cúpidos a tiritarem de paludismo nas suas casas vazias, reinando sobre um povo conformado, sentado à porta das cubatas numa indiferença vegetal.

António Lobo Antunes
1942 - 2026

27.3.26

Fable

The Lorax, de Hawley Pratt | 1972

Além do mais - rosnou o Lórax, que estava sem paciência -, preciso falar um pouco sobre essa Gosma-Gosmenta.
Suas máquinas apitam noite e dia sem parar nessa sala moribunda, produzindo essa Gosma-Gosmenta e essa Sujeira-Sujismunda.
E o que você faz com os restos desse troço pegajoso?
Eu vou te mostrar, Erumavez, seu velho porco criminoso!

***

Mesmo sendo um personagem fictício, o Lórax acabou conquistando inimigos de verdade: as madeireiras americanas, que depois de fazerem diversas críticas ao livro, receberam a seguinte resposta de Dr. Seuss: "O Lórax não diz que cortar árvores é algo imoral. Eu vivo em uma casa feita de madeira e escrevo livros impressos em papel. O Lórax propõe que é melhor pegar leve com o que temos. É um livro antipoluição e antiganância".

Laboratório do desamparo


Saio para distribuir curriculum nas empresas de grande porte da região e vejo em uma casa transformada em escolinha que havia um pequenino abandonado pelos pais e pelos professores a chutar uma latinha de refri. Fiquei com pena do garotinho sem futuro. Nem ao menos os incompetentes treinados são capazes de colocar um livrinho infantil da Ruth Rocha nas mãos do guri. Tadinho.

O sul é o meu país?


Estou aprendendo com o "vizinho" sem educação a dizer repetidas vezes ritmado pela música ruim do cantor reacionário: "que se foda!". Várias vezes pela manhã: que se foda, que se foda, que se foda. O vocabulário tóxico da música comercial a serviço da perpetuação da miséria, da ignorância e do desrespeito com o próximo. Não há método capaz de educar o guri. Abandonado pela mãe, está piorando a cada hora. Qualquer dia vai ter um AVC.

Porque não me ufano


Não existe no Brasil esta "luta por uma educação pública de qualidade, transformadora e libertadora". A escola está longe de ser transformadora e mais longe ainda de ser libertadora. Ela está a serviço da ideologia dominante. No corpo docente mal se vê marxistas. O ensino formal tem por objetivo manter os fundamentos da sociedade e não questioná-los de maneira profunda e os professores não se esforçam para criar uma nova linguagem que fuja da esclerosada e estereotipada do cotidiano.

26.3.26

Kalash, mon amour


Mikhail Kalashnikov criou um rifle que combina a leveza do Sturmgewehr alemão, rápido e automático, mas que fosse também barato de fabricar, e fácil de manejar.

I think that's educate.

Blank generation


You think it fucked my head with that little noise?
Think again.

O sul é o meu país?


A classe média não tem interesse pela leitura. A música ruim de cantores reacionários é hegemônica, ela grita 24/7, não deixa brecha para algo mais refinado. E de nada adianta pedir com educação para o "vizinho" baixar o volume. Os moleques estão muito desrespeitosos e cada dia mais preconceituosos. Os indivíduos com mais experiência de vida que apenas buscam cuidar da própria vida irão passar por maus bocados perto da molecada que foi abandonada pelos pais e entupidos de preconceitos teológicos. O livro de Milton Santos e Angela Davis assusta a molecada crente sem leitura. E vai piorar muito, porque a falta de cortesia tem respaldo em toda a sociedade brasileira.

Porque não me ufano


É preciso trazer à luz, “doa a quem doer”, as razões do subdesenvolvimento. O olhar filosófico tem o poder particular de "por a nu" todo o atraso nacional.

O Brasil nunca foi uma sociedade da escrita e nunca será. A invasão dos audiovisuais e da música comercial é dominante. A educação de qualidade tarda a se estabelecer e a distribuição de livros significativos não faz parte da estrutura da grande maioria das cidades. A oposição entre cultura de massas e cultura superior e o paradigma minoria/maioria jamais desaparecerão. A divisão entre razão e insanidade é latente.

A própria comunicação estatal e municipal e os "discursos" dos gestores fazem discriminações regulares, neste contexto, que futuro haverá para o subdesenvolvido se as instituições estatais e municipais já não cumprem a tarefa de proteger e ampliar a cultura clássica? Não há mais responsabilidade histórica e muito menos vínculo com o trabalho verbal. A sociedade brasileira adotou de uma vez por todas a cultura de massas em detrimento da cultura superior. Outro regime político se tornou inimaginável, assim como outra maneira de sentir e outra maneira de pensar.

Dialética da escola-prisão


A música comercial na escola funciona como lixo, como narcótico para os pequenos, serve para matar o tempo, enquanto a alta cultura se fosse transmitida desde o maternal e aprofundada no ensino fundamental e médio funcionaria como fermento crítico, como fator de reflexão, como instrumento de autotransformação e transformação do mundo, teríamos mais jovens preparados para construir uma boa sociedade, preocupados com a qualidade de vida e a vivência harmoniosa.

Dialética da escola-prisão


Os pequenos não estão a ser educados em termos de conhecimento científico em horário algum do dia. As professoras passam a manhã e a tarde ouvindo músicas no spotify enquanto as crianças não param quietas, gritam, choram e se xingam reciprocamente. O ambiente de educação não consegue desenvolver a importância da prática da leitura e da quietude, a escola não tem espaço para algo mais cultivado a ser transmitido para os jovenzinhos, que ficam mais superexcitados de nervosos. Que poluição sonora, que bagunça, que desastre de ensino.

Little cloud

Verão | 2026

Dialética da escola-prisão


Os pequenos do maternal foram abandonados pelos pais. E estão abandonados pela creche. Pobre Piaget, mal sabe o que fizeram com seu nome. As crianças passam a manhã gritando e ouvindo músicas comercias do spotify. Tem até propaganda. Os jovenzinhos sem futuro não tem nenhuma experiência de linguagem para além da música ruim. É a mais pura "matação de tempo" sem nenhuma orientação bibliográfica. A patifaria dominou o Brasil inteiro.

Experiência enriquecedora por meio da música seria colocar os pequenos para ouvir Mozart. Mas seria inútil, os pirralhos estão cantando em uníssono baile de favela.

“E os menor preparado pra foder com a xota dela”.

Notem ao que foi reduzido a experiência de linguagem dos pobres do Brasil, um país sem projeto de nação.

A educação formal não tem por objetivo geral a formação de leitores profissionais.

A fábrica de embutidos irá produzir os novos adultos superexcitados de nervosos e folgados do futuro. Os homens e as mulheres que não foram educados a viver em harmonia com o próximo e de que necessita a classe dominante.

25.3.26

Violência política


VIOLÊNCIA é trabalhar durante 40 anos
ganhando salários miseráveis e se perguntando
se algum dia poderá se aposentar... VIOLÊNCIA
são títulos públicos e fundos de pensão
roubados, e fraudes no mercado de ações...
VIOLÊNCIA é desemprego, emprego temporário...
VIOLÊNCIA são "acidentes" de trabalho...
VIOLÊNCIA é ficar doente por causa do trabalho
insano... VIOLÊNCIA é tomar drogas psiquiátricas
e vitaminas para lidar com as horas de trabalho
exaustivas... VIOLÊNCIA é trabalhar por dinheiro
para comprar remédios para consertar a
mercadoria que é a sua força de trabalho...
VIOLÊNCIA é morrer em macas de hospitais
horríveis quando não se pode pagar todas as
taxas.
 
Proletários da sede ocupada da GSEE
(Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos)
Atenas, dezembro de 2008

24.3.26

Mini galeria de perguntas meramente retóricas


Qual é o sentido social das pesquisas se ninguém lê nada do que foi publicado?

Investigação

Pesquisa publicada na Sciences Humaines revelou que a internet diminuiu o circulo das relações sociais próximas e longínquas, aumentou a solidão, e diminuiu ligeiramente a quantidade de suporte social.

O mundo da fantasia


O que nos fascina nas histórias de fantasia do passado, essencialmente na Idade Média europeia, cheia de cavaleiros e damas, reis e rainhas, mágicos e feiticeiras, castelos, palácios e escola de magia e bruxaria como na série Harry Potter? Qual é a razão para que esses temas tão distantes do mundo contemporâneo dos jovens leitores sejam tão atrativos?

The history of fairy-stories is probably more complex than the physical history of the human race, and as complex as the history of human language. All three things: independent invention, inheritance, and diffusion, have evidently played their part in producing the intricate web of Story. It is now beyond all skill but that of the elves to unravel it. Of these three invention is the most important and fundamental, and so (not surprisingly) also the most mysterious.

 

Je choisis la laïcité


Quebec aprofundou o debate da laicidade. E muito mais, formulou um projeto de lei que proíbe servidores civis, juízes, policiais e professores, de usar símbolos religiosos no trabalho. No primeiro mundo, ao menos se debate a constituição da laicidade, diferente do subdesenvolvido Brasil, cujo princípio político e jurídico não é sequer tema pedagógico.

Dialética da escola-prisão


Quem trabalha no ensino e não leu Mauricio Tragtenberg, Ivan Illich, Max Stirner, Henry Giroux, para ficarmos somente com esses quatro autores, não sabe em que se meteu: os currículos são estereotipados e existe uma profunda esterilidade do ensino fundamentado em autores marxistas. O Brasil tem instituições que não atraem os professores dissidentes. A fabricação final nesta fábrica de embutidos é um aluno despolitizado e um professor desmobilizado.

Epistemicídio


A subjetividade dos pequeninos está sendo aniquilada tanto em casa pelo abandono dos pais quanto no colégio. E é todo um sistema funcionando para excluir a formação do pensamento crítico. Os reacionários têm livre todo um país para encher os bolsos de dinheiro e colonizar as mentes e corações do subdesenvolvido sem leitura da palavra e do mundo.

Dialética da escola-prisão


Estão excluindo o pensamento crítico muito mais rápido da estrutura educacional erguida para os pobres do que eu tinha notícias. A prática de leitura irá desparecer por completo em muito pouco tempo e todos os espaços, públicos e privados, serão colonizados, definitivamente colonizados, por músicas ruins de cantores reacionários.

Dialética da escola-prisao


Qualquer pessoa sem leitura da palavra está apta a “lecionar” para as crianças pobres do Brasil. O país é um desastre. Basta ligar um som bem alto e bem ruim e passar o dia rebolando na frente dos pequeninos sem futuro. É a educação subdesenvolvida do joga a bunda pra trás pra trás pra trás.

Dialética da escola-prisao

A escolinha Jean Piaget virou definitivamente uma biqueira. As professorinhas deixam mais excitadas de nervosas as crianças que passam o dia ouvindo funk e pancadão. A educação formal voltada para os pobres é terrivelmente péssima, a escolinha-prisão não forma leitores. As crianças sob o batidão ficam mais barulhentas que o normal e não aprendem um vocabulário novo, a imaginação não se desenvolve. É a educação dominada pela música comercial de péssima qualidade. 

Não faz sentido nomear uma escola de Jean Piaget em um contexto que não tem nada de primeiro mundo, sobretudo a educação. Na Suíça as crianças não ficam superexcitadas de nervosas ao som de funk e pancadão. Lá a educação é levada a sério, e eu acho que muito sério, os pais não deixariam seus frutos nas mãos de incompetentes treinados matando o tempo.

Porque não me ufano

Não é mais a produção de “homens honestos” e cultos, de indivíduos aptos a julgar e a resolver as dificuldades circunstanciais que a sociedade se propõe a desenvolver mas sim de sujeitos intelectualmente desclassificados que acreditam em contos de fadas difundidos por qualquer charlatão. A cabeça do subdesenvolvido é cada vez mais guiada por preconceitos teológicos e por conteúdos reacionários e discursos motivacionais.


Porque não me ufano

O Brasil irá piorar muito. Não tenha dúvidas disso. É o destino de um país subdesenvolvido e desorganizado. As pessoas, principalmente os cristãos, sempre eles, não conseguem respeitar o mínimo espaço privado alheio. Praticar a leitura enquanto se procura emprego parece incomodar os residentes do terceiro mundo. A hostilização é a norma de uma sociedade que não foi fundamentada por princípios humanos capazes de construir uma cidade harmoniosa, letrada e solidária.


23.3.26

Dialética da escola-prisao


Muitos dos problemas do ensino formal estão ligados ao baixo financiamento, à dominação por mecanismos de mercado, à mudança da educação pública em educação sob os poderes e valores corporativos militares, a intromissão da indústria cultural e dos conteúdos das redes sociais na vida privada, a hegemonia da música ruim bem como a falta de autonomia do corpo docente. Hoje, mais do que nunca, o professor não é visto como um intelectual.

Reitores de universidades se comportam feito crianças, docentes de carreira “encostaram o burro”, os alunos ora são tratados como meras tábuas rasas, ora como meros clientes e ora reduzidos a bandidos mirins e a aprendizagem inicial é cada vez mais definida por versinhos de música que não enriquece o imaginário dos pequenos. O conhecimento crítico foi completamente relegado para a lixeira de uma sociedade neoliberal que perpetua todo tipo de miséria.

A escola sob a lógica mercantil fragilizou substancialmente o papel do ensino como esfera pública crítica: dos licenciados como intelectuais engajados e dos estudantes como futuros cidadãos críticos. Isso é relevante em estados governados pela direita e extrema-direita e uma educação orientada por diretores e secretários reacionários. É fato hoje que as instituições educacionais não fomentam a investigação crítica, o debate público, o desenvolvimento da consciência iluminista e atos de justiça.

Educar o jovem no “espírito crítico” é proporcionar-lhe conhecimento, argumentação, análise, paixão pela leitura e a responsabilidade social para enfrentar as desigualdades socioeconômicas e socioespaciais. A educação tal como se encontra é anti-intelectual e antimarxista. E isso se torna evidente quando a instituição não consegue resolver os problemas da sociedade, mas está contribuindo para uma crescente divisão entre pobres e ricos.

O ensino tem a responsabilidade de educar os estudantes pela busca da verdade e educá-los a desempenhar uma individualidade moralmente responsável. Quer queira ou não as raízes do ensino são morais e não comerciais. Não se pode deixar que as ideias geridas pela mídia dominante circulem livremente pelo colégio. A banalidade, a vulgaridade e o reacionarismo devem ser banidos do recinto escolar. Por isso que os intelectuais dissidentes são importantes para colocar exigências cívicas, critérios, limites.

Somente a cultura educacional crítica e rigorosamente científica e filosófica pode transformar os estudantes em agentes individuais e sociais e não deixá-los apenas como espectadores e ouvintes descomprometidos e alienados. Não há outra forma de orientar a política para construir uma boa sociedade sem o ensino crítico, caso contrário uma massa de novas gerações será apenas poeira de um exército de mão de obra competindo agressivamente por um salário mínimo.

Nesse contexto, os fundamentalistas irão gerir o que sobrar da democracia e a despolitização será larga. E onde deveria haver ensino, participação, cooperação e camaradagem será regido a espetáculos midiáticos cada vez mais medíocres.

Esse esvaziamento crítico só acontece com a cumplicidade de um corpo docente acrítico e fiel à gramática do mercado e um público ignorante.

É urgente recuperar o ensino como esfera pública crítica, marxista, um espaço seguro onde a razão, a compreensão, o diálogo, a prática de leitura e o compromisso sejam dominantes. Caso contrário os princípios de mercado e a música comercial se tornarão a estrutura e a superestrutura da organização.

É o diálogo crítico sobre a realidade que interessa. Se o aluno não for agente crítico, não haverá regimento capaz de pensar as possibilidades de construir uma boa sociedade ou de um “futuro promissor” para todos. Um bom ensino de qualidade é obrigação cívica.

Um corpo docente fraco, que reproduz o conteúdo da música dominante, se traduz em um corpo docente sem direitos e/ou poder, regido pelo medo e não por uma partilha de responsabilidade e ousadia. Assim, fica suscetível a táticas de barateamento de mão de obra como o aumento da carga de trabalho, bem como a supressão de toda a dissidência. É nesse universo que os fascistas prosperam.

22.3.26

Smoke rolling down street


Red Scabies on the Skin
Police Cars turn Garbage Corner — 
Was that a Shot! Backre or Cherry Bomb? 
Ah, it’s all right, take the mouth o,
it’s all over. 
Man Came a long way, 
Canoes thru Fire Engines, 
Big Cities’ power station Fumes
Executives with Country Houses — 
Waters drip thru Ceilings in the Slum — 
It’s all right, take the mouth o 
it’s all over —

Allen Ginsberg
1926 - 1997

Words of consolation of a progress grow desperate

Our age gives the impression of being an interim state; the olde ways of thinking, the old cultures are still partly with us, the new not yet secure and habitua and thus lacking in decisiveness and consistency. It looks as though everything is becoming chaotic, the old becoming lost to us, the new proving useless and growing ever feebler. But the same things is experienced by the soldier learning to march: for a time he is more insecure and awkward than ever, because he is moving his muscles now according to the old method, now according to the new, and as yet weither has carrief off the victory. We are faltering, but we must not let it make is afraid and perhaps surrender the new things we have gained. Moreover, we cannot return to the old, we have burned our boats; all that remains is for us to be brave, elt happen what may. - Let us only go foward, let us only make a move. Perhaps what we do will present the aspect of progress; but if not, let us heed the words of Friedrich the Great and take consolation from them: "Ah, non cher Sulzer, vous ne connaissez pas assez cette race maudite, à laquelle nous apparte nous".


Friedrich Nietzsche
1844 - 1900

21.3.26

Capitalism and the real

 

Capitalist realism as I understand it cannot be confined to art or to the quasi-propagandistic way in wich advertising functions. It is more like a pervasive atmosphere, conditioning not only the production of culture but also the regulation of work and education, and acting as a kind of invisible barrier constraining thought and action.

If capitalist realism is so seamless, and if current forms of resistance are so hopeless and impotent, where can an effective challenge come from? A moral critique of capitalism, emphasizing the ways in which it leads to suffering, only reinforces capitalist realism. Poverty, famine and war can be presented as an inevitable part of rality, while the hope that these forms of suffering could be eliminated easily painted as naive utopianism. Capitalist realism can only be threatened if it is shown to be in some way inconsistent or untenable; if, that is to say, capitalism's ostensible realism turns out to be nothing of the sort.

Needles to say, what counts as realistic, what seems possible at any point in the social field, is defined by series of political determinations. An ideological position can never be really successful until it is naturalized, and it cannot be naturalized while it is still thought of as a value rather than a fact. Accordingly, neoliberalism has sought to eliminate the very category of value in the ethical sense. Over the past thirty years, capitalist realism has successfully installed a business ontology in wich it is simply obvious that everything in society, including healthcare and education, should be run as a business.

Environmental catastrophe is one such Real. At one level, to be sure, it might look as if Green issues are very far from being unrepresentable voids for capitalist culture. Climate change and the threat of resource-depletion are not being repressed so much as incorporated into advertising and marketing. What this treatment of environmental catastrophe illustrates is the fantasy structure on which capitalist realism depends: a presupposition that resources are infinite, that the earth itself is merely a husk which capital can at a certain point slough off like a used skin, and that any problem can be solved by the market. [...] Yet environmental catastrophe features in late capitalist culture only as a kind of simulacra, its real implications for capitalism too traumatic to be a assimilated into the system. The significance of Green critiques is that they suggest that, far from being the only viable political-economic system, capitalism is in fact primed to destroy the entire human environment. The relationship between capitalism and eco-disaster is neither coincidental nor accidental: capital's need of a constantly expanding market, its growth fetish, mean that capitalism is by its very nature opposed to any notion of sustainability.

But Green issues are already a contested zone, already a site where politicization is being fought for. In what follows, I want to stress two other aporias in capitalist realism, which are not yet politicized to anything like the same degree. The first is mental health. Mental health, in fact, is a paradigm case of how capitalist realism operates. Capitalist realism insists on treating mental health as if it were a natural fact, like weather (but, then again weather is no longer a natural fact so much as a political-economic effect. Madness was not a natural, but a political, category. [...] In his book The Selfish Capitalist, Oliver James has convincingly posited a correlation between rising rates of mental distress and the neoliberal mode of capitalism practiced in countries like Britain, the USA and Australia. In line with Jame's claims, I want to argue that it is necessary to reframe the growing problem os stress (and distress) in capitalist societies. Instead of treating it as incumbent on individuals to resolve their own psychological distress, instead, that is, of accepting the vast privatization of stress that has taken place over the last thirty years, we need to ask: how has it become acceptable that so many people, and especially so many young people, are ill? The mental health plague in capitalist societies would suggest that, instead being the only social system that works, capitalism is inherently dysfunctional, and that the cost of it appearing to work is very high.

The other phenomenon I want to highlight is bureaucracy. [...] The persistence of bureaucracy in late capitalism does not in itself indicate that capitalism does not work - rather, what it suggest is that the way in which capitalism does actually work is very different from the picture presented by capitalist realism.

In part, I have chosen to focus on mental health problems and bureaucracy because they both feature heavily in an area of culture which has becoming increasingly dominated by the imperatives of capitalist realism: education.

Mark Fisher
1968 - 2017

20.3.26

Don't want to be confused


Será que Kurt Cobain foi o artista mais intenso da cena punk?

Dialética da escola-prisão


Os incompetentes treinados tiraram a prática de leitura do ambiente escolar e substituíram por funk. O vocabulário das crianças fica mais pobre e os pirralhos ficam mais excitados. E os pais que foram moldados pelo mesmo tipo de ensino largam seus rebentos superexcitados de nervosos ouvindo músicas ruins de cantores reacionários. A educação formal não instrui em termos de conhecimento crítico e filosófico, não tem como objetivo geral a formação de novos leitores e a família tampouco cuida da vida da mente de seus frutos. É a educação tóxica. Tudo piora, tudo fica mais burro e barulhento.

No longer the pleasures: Joy Division

 

If Joy Division matter now more than ever, it’s because they capture the depressed spirit of our times. Listen to JD now, and you have the inescapable impression that the group were cataton-cally channelling our present, their future. From the start their work was overshadowed by a deep foreboding, a sense of a future foreclosed, all certainties dissolved, only growing gloom ahead. It has become increasingly clear that 1979-80, the years with which the group will always be identified, was a threshold moment – the time when a whole world (social democratic, Fordist, industrial) became obsolete, and the contours of a new world (neoliberal, consumerist, informatic) began to show themselves. This is of course a retrospective judgement; breaks are rarely experienced as such at the time. But the 70s exert a particular fascination now that we are locked into the new world – a world that Deleuze, using a word that would become associated with Joy Division, called the ‘Society of Control’. The 70s is the time before the switch, a time at once kinder and harsher than now. Forms of (social) security then taken for granted have long since been destroyed, but vicious prejudices that were then freely aired have become unacceptable. The conditions that allowed a group like Joy Division to exist have evaporated; but so has a certain grey, grim texture of everyday life in Britain, a country that seemed to have given up rationing only reluctantly.

Mark Fisher
1968 - 2017

No future


Too late, Desmurget!
Very late!The reader has become extinct.


O lucro ou as pessoas?


Será uma utopia irrealizável organizar uma sociedade e uma economia que não estejam baseadas na exploração, no trabalho assalariado e na rentabilidade?

18.3.26

Experiência e pobreza


Tout y est à l'abandon

As condições deterioradas da formação do indivíduo haviam sido observadas por Samuel Beckett em Fim de Partida. O grande autor do Teatro do Absurdo não viu a devastação emocional causado pelas redes sociais. Só está piorando.

Sociedade do consumo

A cultura de massa não se propõe a reproduzir e reconduzir o esforço dos grandes marxistas, nem mesmo o mínimo que seria uma sociedade de gente letrada e educada. Ela está subordinada a três fins específicos: fim económico, o fim político e o fim religioso.


Porque não me ufano


A cultura clássica caiu em ruínas. A cultura de massa não forma mais consciências intelectualmente treinadas e equipadas para os pensamentos mais elevados. A música ruim de cantores reacionários dominou todos os espaços e as mentes que não passaram por nenhum processo de formação cultivada. A sociedade de gente letrada e educada é uma utopia irrealizável na periferia do capitalismo.

Dialética da escola-prisão


É importante notar que nenhum governante matriculará seus filhos em escola pública. E nenhum deputado. E nenhum secretário. Escola pública serve para instruir os filhos da plebe a obedecer sem questionar. Os instrumentos conceituais para o desenvolvimento crítico continuam sendo punidos sistematicamente. Tal estrutura conservará as marcas da sociedade neo-escravista e permitirá a classe dominante ter um controle totalitário sobre os corpos dóceis. Será o cimento das relações de mando-obediência e das determinações socioeconômicas de que tanto necessitam os gestores do subdesenvolvimento, pois a submissão da consciência é mais importante que o curso ministrado ao jovem, que também não está muito preocupado com a sua formação intelectual.

Dialética


Como argumentou Lucien Goldmann em relação às obras literárias, é preciso, em primeiro lugar, conhecer a estrutura imanente de significação de uma obra de arte ou de um estilo e, em seguida, situar essa estrutura na estrutura mais ampla das relações de classe num determinado modo de produção.

Antifaschistische Aktion

Berlim | 1932

Psicopatologia da escola

As escolas da ignorância estão se aprofundando no Brasil. Já não faz mais parte do corpo docente identificar diferentes formas de ignorância, examinar como elas são produzidas e sustentadas e que papel elas desempenham nas práticas do conhecimento. As comunidades cognitivas passaram a referendar a desinformação, a incompreensão, a doutrina, o obscurantismo, o funk e o sertanejo. A ausência de saber é a verdadeira privação dos pobres, a falsa consciência de que necessita a classe dominante para manter o status quo.


Demagogia


Na página da escolinha-prisão do município de Porto Alegre o cidadão consciente dá de cara com o embuste, a instituição se compromete "fortalecer práticas educativas que unem ciência, comunicação e formação cidadã". Mas como? Com letrinhas vulgares e tóxicas de baile de favela? Os alunos deveriam passar o dia ao menos praticando a leitura e a escrita, seria muito mais enriquecedor para o desenvolvimento da consciência crítica, que está a desaparecer dos ambientes educacionais.

Dialética da escola-prisão


O leitor entrará em extinção (se já não está extinto) e a responsabilidade do desaparecimento desse sujeito político central para o desenvolvimento da democracia será obra dos próprios professores remunerados pelo município e pelo Estado. Estão destruindo muito rápido o ensino em termos de prática de leitura e conhecimento filosófico e científico. E não tem mais volta.

Dialética da escola-prisão


Jean Piaget tem um livro interessante chamado O nascimento da inteligência na criança, publicado na década de 1970. Não restam dúvidas, as professoras do funk não leram e muito menos o diretor do estabelecimento de mesmo nome. Tentaram homenagear o psicólogo suíço que não tem nada a ver com a psicogeografia local colonizada por músicas ruins de cantores reacionários.

Dialética da escola-prisão


Os aluninhos das séries iniciais não leram o conto infantil Um apólogo, de Machado de Assis, mas passam a manhã ouvindo o funk do pão de queijo. A destruição das subjetividades é um projeto social muito claro e estabelecido nas instituições de ensino voltada para os pobres orientado por professorinhas sem nenhuma leitura da palavra.

Dialética da escola-prisão


Em Porto Alegre, os professores do município jogaram o nome de Jean Piaget no lixo. A poluição sonora tomou conta da escola. Os alunos não estão tendo contato com a principal literatura mas passam a manhã matando o tempo. Os incompetentes treinados estão destruindo muito rápido o sentido existencial da educação. A professora já tocou até baile de favela para os pirralhos sem futuro. Os pais permitem tal destruição da subjetividade dos seus rebentos?

17.3.26

Na sala de aula


A professora da disciplina de Biologia contou a história dos microplásticos para os anjinhos? No livro A Terra Inabitável, David Wallace escreve que a produção de plástico global deve triplicar até 2050, quando haverá mais plástico do que peixes no oceano. Não é preocupante? Veja acima a fotografia da tartaruguinha comendo um pedaço de copo de plástico em seu próprio habitat.

Na sala de aula


O corpo discente das séries iniciais está sendo educado em termos de conscientização ambiental? Os anjinhos aprenderam ao menos separar o lixo orgânico do lixo reciclável? Ao menos abrem a torneira da pia para passar uma água na latinha de Coca-Cola e no copinho de plástico do Danoninho depois de consumir os ultra processados?

Porque não me ufano

 

The Clash é aquela raridade de banda consciente com letras politizadas que aparece de séculos em séculos e a garotada do sul nunca ouviu. Os pais e os professores deixaram a música comercial tomar o coraçãozinho e a mente dos jovens e agora ficou tarde para uma mutação existencial coletiva. A opinião dos adolescentes foi domesticada e arruinada. A dos pais, sem comentário. É a via da indústria cultural embrutecedora sendo imposta e colonizando as subjetividades com pouca teoria e sem resistência da população carente de instrução marxista.

Porque não me ufano


A juventude do sul morreu ou está anestesiada? Os moleques nunca ouviram falar de Stiff Little Fingers, uma excelente banda punk que está na estrada desde 1977. Estou ficando preocupado com a educação formal do Estado. Deixou de ser progressista ou nunca foi? Criançada não tem referência literária e passa o dia inteiro ouvindo música comercial de cantores reacionários. No mínimo, preocupante.

16.3.26

Porque não me ufano


Juventude do sul consumindo música comercial de cantores reacionários feito pipoca. Molecada do Parque dos Maias nunca ouviu Misfits, só para citar um conjunto mais popular e influente do underground. Assustador ver os jovens sem hinos e sem um movimento cultural de resistência e, sobretudo, sem referências literárias.

15.3.26

Os cus de Judas


A seguir ao jantar os jeeps dos oficiais giravam de palhota em palhota hesitações de pirilampos: o amor barato e rápido em compartimentos abafados, aclarados por pavios indecisos de petróleo que coloriam as paredes de barro de uma ilusão de capelas. Chegava-se de bisnaga antivenérea no bolso e aplicava-se a pomada através da braguilha aberta à maneira de uma vulva de pano, sob o olhar indiferente das mulheres de dentes serrados em triângulo, acocoradas na cama no alheamento de perfil de certos retratos de Picasso, em cuja curva  dos lábios flutuam Guernicas desdenhosas. No mesmo colchão dormiam, em regra, os filhos, as galinhas e algum antepassado decrépito perdido em pesadelos de múmia, rosnando os hieróglifos dos seus sonhos. O tenente fornicava de pala do boné para trás e pistola à cinta, com o impedido de espingarda em riste a vigiar as redondezas, o oficial de operações mandou vir uma máquina de costura do Luso e cosia bainhas de calça de madrugada ao lado de uma negra esplêndida, de enérgicos seios pendentes como os da loba de Roma, e o capitão das damas, instalado ao volante, pedia a raparigas impúberes que o masturbassem, oferecendo em troca cartuchinhos de rebuçados de hortelâ-pimenta: o branco chegou com um chicote, cantava o milícia na viola, o branco chegou com um chicote e bateu no soba e no povo, o branco chegou com um chicote e bateu no soba e no povo.

Lobo Antunes
1942 - 2026

Marxism & Existentialism

 
In the social production of their existence, men enter into relations which are determined, necessary, independent of their will; these relations of production correspond to a given stage of development of their material productive forces. The totality of these relations of production constitutes the real foundation upon which a legal and political superstructure arises and to which definite forms of social consciousness correspond.
Now, in the present phase of our history, productive forces have entered into conflict with relations of production. Creative work is alienated; man does not recognise himself in his own product, and his exhausting labor appears to him as a hostile force. Since alienation comes about as the result of this conflict, it is a historical reality and completely irreducible to an idea. If men are to free themselves from it, and if their work is to become the pure objectification of themselves, it is not enough that “consciousness think itself”; there must be material work and revolutionary praxis. When Marx writes: “Just as we do not judge an individual by his own idea of himself, so we cannot judge a period of revolutionary upheaval by its own selfconsciousness”, he is indicating the priority of action (work and social praxis) over knowledge as well as their heterogeneity. He too asserts that the human fact is irreducible to knowing, that it must be lived and produced; but he is not going to confuse it with the empty subjectivity of a puritanical and mystified petite bourgeoisie. He makes of it the immediate theme of the philosophical totalisation, and it is the concrete man whom he puts at the center of his research, that man who is defined simultaneously by his needs, by the material conditions of his existence, and by the nature of his work-that is, by his struggle against things and against men.

Jean-Paul Sartre
1905 - 1980

Porque não me ufano


O homem subdesenvolvido e a mulher subdesenvolvida do Brasil são uma espécie de avidez triste e cínica, feita de desesperança cúpida, de egoísmo e da pressa de se esconderem de si próprio na falação sem organização e na música vulgar e brega. O homem subdesenvolvido e a mulher subdesenvolvida nunca possuiram o prazer da alegria da infância descomprometida embalsamada de pureza e descoberta curiosa. O homem subdesenvolvido e a mulher subdesenvolvida do Brasil são burros, feios e perversos, são o instrumento ideal para os nazifascistas perpetuarem-se no poder.

Kalash, mon amour

Splendora | No place | 1995

Vou oferece o meu retrato em coração de prata numa medalhinha para as minhas namoradas distantes usarem no pescoço quando forem gordas, porque serão gordas um dia, todos nós seremos gordos, gordos, terrivelmente gordos e tranquilos como gatos castrados à espera da morte no assoalho de apartamentos decadentes.

14.3.26

Institut für Sozialforschung


Rest in power
Jürgen Habermas 
1929 - 2026

O filósofo Habermas fez parte da Escola de Frankfurt, cujos trabalhos eram centrados na análise crítica de todas as formas de dominação e os efeitos do desenvolvimento dos novos meios de comunicação, foi o último expoente do grupo de intelectuais que desenvolveu a Teoria Crítica, a análise marxista da sociedade.

Dialética da família brasileira

A desorganização da família brasileira, da família patriarcal se processou uniformemente em todo o país. A organização desorganizada da família brasileira preenche toda uma gama de preconceito que vai desde a família patriarcal dos tempos da colônia até a "moderna" família conjugal sem consciência de classe. Suas bases não possuem funções políticas e econômicas satisfatórias. Mas o que se perpetua é a autoridade do homem sobre a mulher e um geração imatura. Na verdade tanto os rebentos quanto seus genitores são imaturos. O homem não sabe educar, a mulher está perdida e o que existe não são afetos mas meras relações de interesse. Não desenvolveram a consciência crítica. O casal não é camarada. A família se mantém unida até onde os interesses continuam sólidos e muito bem confortáveis na sociedade do consumo de baixo padrão de qualidade de vida. No porta jóias da família monogâmica e cristã encontra-se todo tipo de promiscuidade.