Hardcore, stencil | 2016
Ocitocina, serotonina, codeína, cortisona, estrogênios, omeprazol, testosterona, correspondem ao grupo de moléculas atualmente disponível para a fabricação da subjetividade e seus afetos. Estamos equipados tecnobiopoliticamente para trepar, reproduzir o Corpo Nacional e consumir. Vivemos sob o controle das tecnologias moleculares, camisas de força hormonais que pretendem manter o biopoder: corpos hiperestrogênicos-estupro-testosterona-amor-gravidez-impulsos sexuais-abjeção-ejaculação. E o estado extrai prazer da produção e do controle da nossa subjetividade pornocoagulada.
Nossas sociedades contemporâneas são gigantescos laboratórios sexopolíticos onde os gêneros são produzidos. O corpo - todos e cada um dos nossos corpos - é o enclave valioso em que transações de poder são incessantemente realizadas. Meu corpo = a multiplicidade de corpos. Homens e mulheres brancos dos pós-guerra são seres biotecnológicos pertencentes ao regime sexopolíticos cujo objetivo é a produção e expansão colonial da vida humana heterossexual no planeta.
Em nosso papel de sujeitos sexuais, habitamos parques de diversão biocapitalistas. Somos homens e mulheres de laboratório, efeitos de uma espécie de bioplatonismo político-científico. Somos estranhas ficções biopolíticas porque estamos vivos: somos simultaneamente o efeito do regime de poder farmacopornográfico (biopoder) e o potencial para seu fracasso (bioempoderamento).
