18.2.21

Valor e cultura

 

Um ato de produção de sentido: A.C.A.B. | verão de 2021

Nada é mais digno de nosso patrocínio que o fomento da ciência e da literatura. O conhecimento é, em todo e qualquer país, a base mais segura da felicidade pública.

G. W. discurso no Congresso, 1790


Na periferia do capitalismo 
nunca houve importância
a produção de sentidos.

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A política autoritária é um teatro monótono. As relações entre governo e povo consistem na encenação do que se supõe ser o patrimônio definitivo da nação. Lugares históricos e praças, palácios e igrejas, servem de palco para representar o destino nacional, traçado desde a origem dos tempos. Os políticos e os sacerdotes são os atores vicários desse drama.

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[Barbárie] trata-se de um subproduto da vida em determinado contexto social e histórico, algo que vem com o território. O termo "sabedoria das ruas" expressa muito melhor o que desejo dizer para sugerir a atual adaptação das pessoas à existência em uma sociedade desprovida das regras da civilização.

Vida em condições desumanas.

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É próprio do ceticismo ser perigoso. Ele desafia as instituições estabelecidas. Se ensinamos a todo mundo, inclusive a estudantes do segundo grau, os hábitos do pensamento cético, eles provavelmente não vão restringir o seu ceticismo aos UFOs, aos comerciais de aspirina e às mentes canalizadas de 35 mil anos de idade. Talvez comecem a fazer perguntas incômodas sobre as instituições econômicas, sociais, políticas ou religiosas. Talvez desafiem as opiniões de quem está no poder. Então o que aconteceria conosco?

O etnocentrismo, a xenofobia e o nacionalismo predominam em muitas partes do mundo nos dias de hoje. A repressão governamental de opiniões impopulares ainda é bastante difundida. Memórias falsas ou desorientadoras são inculcadas. Para os defensores dessas atitudes, a ciência é incômoda. Ela reivindica acesso a verdades que são em grande parte independentes de vieses étnicos ou culturais. Pela sua própria natureza, transcende as fronteiras nacionais. 

A liberdade de pensamento é a única garantia contra a infecção dos povos pelos mitos de massa, nas mãos hipócritas e demagogos traiçoeiros, pode se transformar em ditaduras sangrentas.

Devemos traçar uma linha de distinção entre aqueles temas que são capazes de verificação e aqueles que não o são, e separar por uma barreira inviolável o mundo dos seres fantásticos do mundo das realidades; isto é, todas as questões civis devem ser afastadas das opiniões teológicas e religiosas.

A ideia - emocionante, radical e revolucionária na época (em muitos lugares do mundo continua a ser) - é que as nações não devem ser governadas pelos reis, nem pelos padres, nem pelos chefões das grandes cidades, nem pelos ditadores, nem por um conluio militar, nem por uma conspiração de facto dos ricos, mas pelas pessoas comuns.