A globalização, falsa universalização do mundo pela economia, tende não a unir, mas a unificar (a indiferenciar) os repertórios pelos meios de comunicação. E, qualquer que sejam as reivindicações particularistas, essa unificação se faz em termos de dês-cultura. Cultura implica seleção, atribuição de sentido e de valor. Uma cultura universal, que consiste na comunicação entre as culturas particulares sem que estas fossem brutalmente abafadas, parece um ideal impossível. Não há sinais de que as novas tecnologias da comunicação estejam contribuindo para a troca de informações culturais consistentes e significativas; o que se vê é uma proliferarão de dados superficiais, relativos a todas as áreas e todas as culturas, embalados em invólucros vendáveis e perecíveis na memória dos usuários.
Leyla Perrone-Moisés
