8.8.22

Dopo il futuro


O capital não paga mais a disponibilidade do trabalhador para ser explorado por um longo período de tempo, não paga mais um salário que cubra todo o campo das necessidades econômicas de uma pessoa que trabalha. O trabalhador (máquina que possui um cérebro que pode ser usado por fragmentos de tempo) é pago pela suas prestação pontual, ocasional, temporária. O tempo de trabalho é fractalizado e celularizado. As células de tempo estão à venda na rede, e as empresas podem comprar quantas delas quiserem sem se comprometer de forma alguma com a proteção social do trabalhador. O telefone celular pode ser visto como a linha de montagem do trabalho cognitivo.

Esse é o efeito da flexibilização e da fractalização do trabalho. Onde havia autonomia e poder político do trabalho, agora o trabalho tem uma total dependência da organização capitalista da rede global, dependência que as emoções e o pensamento passar a ter do fluxo de informação. O efeito desse processo de sujeição da vida ao infotrabalho é uma espécie de crise nervosa que afeta a mente global. A crise financeira que atingiu várias vezes o capitalismo financeiro pode ser vista como um efeito do colapso do investimento econômico do desejo social. A palavra colapso expressa uma verdadeira crise patológica do organismo psicossocial. O que testemunhamos no período seguinte aos primeiros sinais da crise econômica é um fenômeno psciopático, é o colapso da mente global. A depressão econômica atual é um efeito colateral de uma depressão psíquica. O investimento intenso e longo do desejo e das energias mentais e libidinais criou o ambiente psíquico ideal para um colapso que agora está se manifestando no campo da economia, com a recessão e a diminuição da demanda, no campo político, em forma de agressividade militar, e no campo cultural, na forma de uma tendência ao suicídio em massa.

A economia de atenção tornou-se um tema importante nos últimos anos. Os trabalhadores virtuais têm cada vez menos tempo de atenção disponível porque estão envolvidos em um número crescente de tarefa mentais que ocupam toda a sua atenção, e não têm mais tempo para se dedicar à própria vida, ao amor, à ternura, ao afeto. A celularização levou a uma espécie de ocupação permanente do tempo de vida. O efeito é uma psicopatologia da relação social. Os sintomas são evidentes: milhões de caixas de psicofármacos são vendidas nas farmácias, a epidemia de distúrbios de atenção se espalha entre crianças e adolescentes, a difusão de fármacos, como a ritalina, nas escolas tornou-se normal e uma epidemia de pânico parece se disseminar.

Fractalização significa fragmentação do tempo de atividade.

Franco B.