A invenção de cores artificiais em meados do século XIX teve consequências de longo alcance. Não é por coincidência que a produção de larga escala de pigmentos sintéticos altamente lucrativos na década de 1860 deu origem a conglomerados da indústria química - desde a IG Farben e a BASF até a Dow, a Dupont e a Sinopec - que têm danificado e obliterado a vida no planeta ao longo dos últimos cem anos. A industrialização da cor está historicamente entrelaçada com a criação de plásticos, herbicidas, pesticidas, bifenilas plicloradas (PCBs), policloreto de vinila (PVC) e inumeráveis outros compostos que envenenam águas, ar, solos e oceanos. Movida pela expansão da produção de mercadorias e pela ascensão do consumo em massa, a proliferação de cores fabricadas é parte de uma realocação maior da experiência sensorial de acordo com as necessidades e os valores de uma economia capitalista. As cores sintéticas se aliam às técnicas de atração, convocação e persuasão. Por volta de 1900, o sociólogo Georg Simmel observou em um texto que, quando nada está isento de ser monetizado ou trocado, estamos condenados a um mundo esvaziado de cores, despojado daquela malha tramada com todos os momentos de vida intensa e de quieto júbilo que nascem principalmente da mutualidade e da intimidade. Na medida em que o dinheiro, com sua ausência de cor e indiferença, se alça a denominador comum de todos os valores, ele se torna o mais terrível nivelador, ele corrói irremediavelmente o núcleo das coisas, sua peculiaridade, seu valor específico, sua incomparabilidade.
