12.6.23

A máquina de obscurecer mentes


Faleceu - tardiamente - Silvio Berlusconi. Seu império midiático, que idiotizava as massas, segundo Fonsi Loaiza, começou com mulheres nuas. Foi condenado por prostituição de menores e corrupção, além de acusações de ligações com a máfia. No entanto, continuou enriquecendo.

Destaco, d'A máquina da lama, de Roberto Saviano, um trecho que ilustra bem a última fase do governo Berlusconi 

[...] a tevê era só evasão: a gargalhada fácil, o litígio, os berros, as brigas entre políticos ou entre familiares. Muitas vezes, e isso já se tornara uma espécie de costume, durante os programas televisivos de debate político ou durante talk-shows, até o primeiro-ministro telefonava, para gritar ao vivo que o moderador havia mentido, ou então para anunciar que um jogador do Milan não seria vendido. Durante muito tempo, a televisão tinha a tarefa de nos dar a entender que a vida do país poderia se sobrepor a um dos muitos reality shows que as tevês públicas e privadas propunham. Um reality show um pouco trash no qual não existiam problemas estruturais, e sim, no máximo, dramas familiares. O tio que mata a sobrinha. O filho que mata a mãe, de olho na herança. A prima feia que mata a prima mais bonita porque são rivais no amor. E tudo podia ser utilizado, desde que entretivesse o público. Desde que mostrasse que existiam perigos próximos, pelos quais devíamos nos interessar, em vez de refletirmos sobre os fluxos econômicos, sobre as escolhas governamentais, sobre uma riqueza cada vez mais criminosa.