29.11.23

O aparecimento do livro

Existencil: um impressor renascentista

A partir do final do século XVI, a mentalidade dos impressores e dos livreiros transforma-se, ao mesmo tempo que as relações entre autores e editores mudam de natureza. As grandes gerações de impressores humanistas desapareceram na tormenta do final do século XVI. A imprensa, que, no primeiro século da sua existência, beneficiara de um período de prosperidade excepcional, entra em crise. Os livros publicados durante um século atravancam o mercado, enquanto a crise econômica impede os editores de encontrar os capitais necessários e provoca, entre os operários impressores, agitação social e greves. Sobreviver é, então, o objetivo principal dos empreendimentos editoriais, sobretudo em França. Depois, enquanto os países germânicos, que haviam sido menos atingidos pela crise, são devastados ao longo da Guerra dos Trinta Anos, o trabalho é retomado pouco a pouco no resto da Europa, no início do século XVII. Mas o mundo do livro sai da prova empobrecido e diminuído. Facto característico, tipógrafos e livreiros tornaram-se homens de corporações e mais nenhum estudioso fundará uma nova oficina. Por demais numerosos, tendo dificuldade em subsistir, vivendo muito frequentemente de maneira miserável, os mestres impressores são vistos doravante como pessoas simples. Os livreiros-editores estão preocupados, não tanto em prestar serviço ao mundo da cultura letrada, mas em publicar livros que poderão realmente vender.

Lucien Febvre
1878 - 1956