4.2.24

Solitude

 

O amálgama que é feito hoje pelas mídias e pelos poderes públicos entre solidão e isolamento, que se engloba na categoria de "maldições" que afetam os velhos, etc. As instituições de caridade em guerra contra o isolamento espalham a ilusão de que um dia "nenhum ser humano será mais só"; e todo o contexto cultural e educativo é hostil à solidão. "Ninguém nos ensina a ser só"; a criança é forçada a ir para os outros, a "se comunicar" e a se "integrar", esses dois clichês tirânicos da sociedade contemporânea. Tudo é feito para favorecer a vida em grupo, e os seres que amam a solidão são com frequência considerados misantropos.

O que ameaça a nossa sociedade, contudo, não é o excesso de solidão, é o excesso de promiscuidade: a promiscuidade do habitat - chamado, não por acaso, de "grande conjunto" - me parece estar na origem do ódio do outro e a violência se difunde menos por desocupação do que pela impossibilidade de ficar só, de se conhecer.