Os vírus digitais, que preferem infectar a atacar, dificilmente deixam rastros que possam levar aos seus propagadores. Mesmo assim, essa violência viral é uma violência da negatividade. Nela, continua sendo registrada a bipolaridade do algoz e da vítima, do bem e do mal ou do amigo e do inimigo.
A técnica de dominação lança mão da internalização da violência. Ela provê mecanismos para que o sujeito de obediência internalize as instâncias de domínios exteriores transformando-as em parte componente de si. Com isso, exerce-se o domínio com muito menos desgaste.
A técnica disciplinar se serve da internalização psíquica da coerção. Com intervenções refinadas e discretas, ela penetra nos ductos neuronais e nas fibras musculares do indivíduo, submetendo-o à coerção e aos imperativos ortopédicos e neuropédicos. A violência massiva da decapitação, que predominava na sociedade da soberania, cedeu lugar à violência de uma deformação gradativa e subcutânea.
A sociedade do desempenho é uma sociedade de autoexploração. O sujeito de desempenho explora a si mesmo até chegar a consumir-se totalmente (burnout), e assim há o surgimento da autoagressividade, que vai se intensificando e, não raro, leva ao suicídio.
