22.1.26

A lenta flecha da beleza


A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. O que ansiamos ao ver a beleza? Ser belos: imaginamos que haveria muita felicidade ligada a isso. - Mas isto é um erro.

Friedrich Nietzsche
1844 - 1900