Em todas as épocas, escritores e artistas, filósofos e cientistas denunciaram os males que o excessivo domínio da lógica do lucro e do utilitarismo produz para a sociedade e as relações humanas em geral. Mas nos últimos 30 anos assistimos à vitória de um capitalismo selvagem que perdeu todo respeito pelos seres humanos e pelo meio ambiente: é preciso ganhar muitíssimo em pouco tempo, sem pensar no futuro e, o que é gravíssimo, renunciando à responsabilidade ética e social dos negócios. Assim, em poucas décadas, viraram fumaça os direitos que os trabalhadores haviam conquistado – hoje, para usar uma frase célebre de Hannah Arendt, perdeu-se “o direito de ter direitos”. E, ao mesmo tempo, não há mais respeito pela saúde do planeta: é preciso desfrutar ao máximo todas as coisas. A lógica do lucro, infelizmente, está invadindo também áreas onde ela nunca deveria existir: a educação, pensemos na escola e na universidade; a pesquisa científica, pensemos no desinteresse pela pesquisa básica; a concepção dos bens culturais, um museu, um monumento ou uma obra de arte têm cada vez mais um valor econômico, valem pelo dinheiro que produzem; e até mesmo as relações humanas, a falta de tempo nos impulsiona a cultivar relações “virtuais” por meio das redes sociais e a negligenciar os afetos daqueles com os quais vivemos em contato direto.
Nuccio Ordine
1958 - 2023
