10.1.26

Madri 1940: memórias de um jovem fascista


María de la Escolanía dorme com o chiado lúgubre dos tísicos no peito, o bairro de Salamanca tem uma distinção de lua e prédios fim de século, de que eu gosto muito. Embora Franco, na guerra, tenha mandado poupar o bairro de Salamanca dos bombardeios, há fachadas pipocadas de projéteis e terrenos baldios onde os gatos se reproduzem e os cachorros comem os cadáveres descarregados pela caminhonete falangista (o Exército mata legalmente, mediante processo e detenção). Todas as noites há concílio de cães, com latim de gatos, à espera da caminhonete com os fuzilados.

Francisco Umbral
1932 - 2007