I
O rolo compressor das redes sociais está puxando as atividades mais substanciais para baixo. O acesso à cultura cultivada foi barrado pela grosseira domesticação e cretinismo que reina na ponta do polegar.
II
Não haverá necessidade de uma nova época totalitária para queimar livros literários, as pessoas se contentaram em deixar de lê-los.
III
A prática de leitura tende a desaparecer ou será uma prática social muito marginalizada. A morte do escrito sofisticado está em pleno curso e viajando na velocidade da luz. A crise do amor pela língua, como dizia Roland Barthes, é uma realidade e está diagnosticada pela baixa qualidade dos conteúdos audiovisuais. Apenas uma minoria intelectualizada ainda continuará amando belos textos, se ela não sumir do mapa.
IV
Uma revolução política e social que possa desembocar em uma organização mais humana de nossa sociedade não irá acontecer. Lamento informá-los, mas um povo mais educado, amante das belas letras e das belas coisas é uma ilusão. A realidade é bem mais rés do chão de rodoviária com todo tipo de ruído nas pontas dos dedos. E será inútil denunciar o caráter degenerativo de nossa sociedade.