7.2.26

Sergei M. Eisenstein - Geometria do êxtase


Os princípios de seu cinema conceitual ou intelectual, Eisenstein os foi buscar no modelo da escrita pictórica das línguas orientais nos anos 20, ele escreve vários artigos relacionando a língua e a cultura japonesas com o cinema, dos quais o mais célebre — O Princípio Cinematográfico e o Ideograma. Um cineasta fundamental, que até hoje persigo. Na verdade, mais um intelectual do que um cineasta. A obra escrita dele é gigantesca e versa não só sobre cinema, mas sobre a cultura inteira. Também fez teatro, também fez ópera, também fez desenhos, escreveu sobre filosofia, escreveu sobre a história da arte. Além disso, Eisenstein antecipou toda a cultura do computador. Ele criou a teoria da montagem vertical. E o que é, no fundo, a montagem vertical? É a montagem não-linear que se faz no computador. A montagem dentro do próprio quadro. Ele tinha um projeto de um filme impossível de ser feito, ou melhor, só possível no meio digital. Chamava-se Casa de vidro, uma história em que cada plano do filme estaria acontecendo num cômodo, sendo todos os planos vistos ao mesmo tempo. Ver o filme era percorrer os labirintos da casa como num videogame. Mais ainda, Eisenstein foi o primeiro a escrever sobre televisão, num texto intitulado “A oitava arte”, em que ele ficava imaginando o que seria uma história construída ao vivo, com os espectadores a vendo simultaneamente.

Arlindo Machado
1949 - 2020