O Nirvana era uma banda ótima ao vivo, e Thurston e eu, como o resto do mundo, reagimos imediatamente à mistura de boas melodias e dissonância. O Nirvana parecia meio hardcore, meio Stooges, mas com um efeito cafona do pedal chorus que era mais New Wave que punk. Ninguém mais podia usar aquele pedal chorus - que dá o efeito radiante que se ouve na guitarra na introdução de “Comes as you are”, por exemplo - e ainda ser punk rock. Como artista, Kurt Cobain era incrivelmente carismático e extremamente contraditório. Num minuto, ele estava tocando uma linda melodia, e no minuto seguinte, estava quebrando todo o equipamento. Pessoalmente, eu gosto quando as coisas desabam - é o verdadeiro entretenimento, desconstruído.
De pé na minha frente, Kurt parecia pequeno, quase da minha altura, embora ele tivesse 1,75 metro e eu, 1,65 metro. Tinha olhos grandes, lacrimejantes, parecendo um pouco como se estivesse sendo perseguido. Não sei por quê, mas senti uma afinidade imediata com ele, uma daquelas conexões mútuas do tipo eu-sei-que-você-também-é-uma-pessoa-super-sensível-e-emotiva.
