7.4.26

Dialética da escola-prisão


O declínio da escola pública é notável. Há um verdadeiro dualismo perverso do ensino brasileiro. De um lado, a escola do conhecimento para os ricos, de outro, a escola da pedagogia do baile de favela para os pobres. É o recorte ideal para reproduzir e manter as desigualdades sociais. Em um espaço, os preceptores criam os futuros dirigentes, na outra zona, produz-se os trabalhadores obedientes.

O papel que os professores desempenhavam na preparação dos aprendizes para serem cidadãos ativos e críticos não é mais necessário, a escola está a ignorar por completo a inteligência e o julgamento. Não há mais necessidade de examinar criticamente uma sociedade que tem como projeto perpetuar as desigualdades socioeconômicas e sócio espaciais.

Visto que esse é o objetivo, a demanda de retirar de vez a perspectiva teórica no treinamento dos professores parece bem razoável para os gestores contemporâneos. É a crise da educação por debaixo do tapete, ela tem seus alunos, tem o seu tempo cronometrado e as suas hierarquias burocráticas, mas não está funcionando para preparar um público quanto ao seu papel de praticantes reflexivos. A tendencia crescente de enfraquecer a educação crítica favorece um lado apenas e desorganiza ainda mais os pobres.

Diante desta desabilitação, qual o interesse de melhorar a qualidade da "atividade docente"? A proletarização do trabalho docente, isto é, a tendência de reduzir os professores a carcereiros babás será a predominância daqui para frente? Com essa escola, o desenvolvimento de uma democracia crítica será apenas uma ideia irrealizável e os professores deixam de ser intelectuais transformadores (alguma vez foram?) a serviço da educação de jovens para que sejam cidadãos reflexivos e ativos.